5 razões psicológicas pelas quais você não se sente confiante

Homem secando o suor da face antes de falar ao microfone

Categoria: Autoestima

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Veja o que muitos dos pacientes que atendo pensavam sobre sua falta de confiança quando me procuraram:

  • Eu estaria mais confiante se não tivesse herdado a indecisão do meu pai;
  • Se eu não tivesse uma personalidade tão neurótica, então eu poderia ser mais confiante;
  • Se minha mãe realmente me amasse, eu me sentiria mais confiante e segura em meus relacionamentos.

Porém, felizmente, eles estão errados. Claro que, tudo, desde a genética até a experiência da infância tem alguma influência sobre o quão confiante nós nos sentimos (ou não).

Mas, de longe, o maior fator de influência na confiança é aquela que todos parecem sentir falta: os hábitos do presente. Portanto, não são os eventos do passado que determinam nossa confiança.

Em meu trabalho como Psicólogo, descobri que há um punhado de hábitos prejudiciais à confiança que as pessoas adotam sem saber. E são esses hábitos os verdadeiras culpados pela baixa confiança crônica.

Se você puder aprender a identificá-los e trabalhá-los, descobrirá que nossos níveis naturais de confiança são muito mais altos do que imaginamos.

Você é viciado em segurança

Viciar-se em segurança é como terceirizar o trabalho emocional para outras pessoas. E isso não apenas mata sua confiança, mas também tende a sabotar os relacionamentos e levar as pessoas a ficarem ressentidas.

Aqui está um pequeno exemplo, onde você:

  • Recebe um e-mail do seu gerente dizendo que quer falar no escritório amanhã cedo;
  • Imediatamente imagina o pior (vou ser demitido!) e se sente incrivelmente ansioso;
  • Se volta para seu cônjuge e diz: isso não deve ser bom. Estou enlouquecendo aqui. O que devo fazer?
  • É ouvido pacientemente por ele, que valida seu medo e o orienta em todos os tipos de razões pelas quais é improvável;
  • Após 15 minutos sendo reprimido, se sente visivelmente menos ansioso e tranquilo.
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Eis o primeiro problema:

Evitar sentimentos dolorosos sempre os torna piores. Quando você foge de suas dificuldades emocionais e as entrega a outra pessoa, está ensinando ao cérebro que tem medo de se sentir mal, e não consegue lidar com isso sozinho.

Isso significa que, da próxima vez que sentir medo, sentirá o dobro do medo e não terá confiança para lidar com isso.

Aí vem o segundo problema:

Quando você usa outras pessoas para se sentir melhor, elas acabam se sentindo usadas. E quando alguém importante, como um cônjuge ou melhor amigo, sente que está sendo usado, ele fica ressentido, mesmo que não digam isso diretamente.

Os medos e inseguranças são seus. E você é o único responsável por gerenciá-los de maneira saudável. Portanto, para o bem de sua autoconfiança e da qualidade de seus relacionamentos, quebre o hábito de depender de outras pessoas para se sentir bem.

Você se questiona constantemente

Cada vez que duvida, você manda uma pequena mensagem para o seu cérebro, dizendo que não acredita em si mesmo. Portanto, fazer isso ocasionalmente, não é grande coisa. Mas, se você tem o hábito de se questionar constantemente, pense no que está ensinando ao seu cérebro.

Se toda vez que uma grande decisão chega, sua reação imediata é dizer ao cérebro que não é capaz de tomar grandes decisões, quão confiante se sentirá na próxima vez que uma grande decisão ocorrer?

Obviamente que é importante pensar bem antes de tomar decisões, especialmente as com grandes consequências e muita incerteza. Mas, também é importante aceitar que você nunca eliminará totalmente a incerteza.

Isso significa que sempre haverá uma chance de você tomar a decisão errada e coisas ruins acontecerem. O cerne da dúvida é a falta de vontade em aceitar a incerteza fundamental da vida.

Dito de outra forma, a dúvida crônica é uma forma de perfeccionismo em que você sente que não importa o quanto trabalhe, o resultado nunca parecer ser bom o suficiente.

Para se sentir mais confiante, precisa fazer as pazes com a incerteza, aceitar a responsabilidade de tomar decisões e arcar com as consequências.

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Você é pessimista sobre o futuro

A catastrofização é uma forma extrema de preocupação, em que você rapidamente começa a pensar nos piores cenários:

  • Oh meu Deus, ela vai me deixar, eu sei disso;
  • Vou ser demitido. Como conseguirei pagar o aluguel? E se eu acabar como um sem-teto?
  • Eu nunca deveria ter dito aquilo. Ele provavelmente pensa que eu sou um completo idiota.

Claro, catastrofizar é algo que todos nós fazemos ocasionalmente. E por um bom motivo: a capacidade de imaginar o pior cenário é uma coisa muito boa no momento e no local apropriados. Mas, felizmente, a maioria de nós raramente enfrentamos os piores cenários.

Se você tem o hábito de sempre catastrofizar, isso não só vai diminuir sua confiança na capacidade de lidar com as dificuldades no futuro, como também vai deixá-lo incrivelmente ansioso e estressado a maior parte do tempo.

Se você está constantemente dizendo a si mesmo que o mundo está acabando, você sentirá constantemente que o mundo está acabando. E é muito difícil sentir-se confiante quando se está preocupado com a possibilidade de um desastre iminente.

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Você insiste em erros do passado

Assim como é difícil se sentir confiante quando se está sempre prevendo que um desastre está prestes a acontecer, é igualmente difícil se sentir confiante se você está constantemente se lembrando de seus erros e falhas. Por exemplo:

  • Toda vez que alguém lhe dá um feedback negativo no trabalho, você se lembra daquela cena terrível de 10 anos atrás, quando cometeu um erro estúpido e foi humilhado na frente de toda a empresa;
  • Toda vez que uma lembrança de seu parente falecido vem à mente, você ensaia mentalmente todas as coisas que gostaria de ter dito com ele antes de morrer, e como foi vergonhoso não ter feito isso enquanto teve a chance;
  • Toda vez que você e seu parceiro brigam, você começa a pensar em todos os relacionamentos anteriores que sabotou porque não conseguiu lidar bem com sua raiva.

A reflexão saudável é uma coisa boa e normal. O que significa que algum grau de reflexão sobre seus erros na tentativa de aprender com eles é muito útil, até mesmo para aumentar a confiança!

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Mas se você está habitualmente se lembrando dos erros do passado muito além do ponto de um novo aprendizado, então isso é um efeito colateral e não trará nenhum benefício. Você está mantendo sua vergonha e insegurança altas e sua confiança e autoestima baixas.

É difícil se sentir confiante em relação ao futuro quando não se abre mão do passado. O truque é estar disposto a viver com o fato de que o passado é imutável e que você é realmente impotente para mudá-lo.

Na maioria das vezes, a ruminação incessante é um sinal de que você realmente não enfrentou o desamparo e aprendeu a viver com ele. E sua baixa confiança é uma causalidade infeliz dessa negação.

Você tem medo de sentir medo

O medo que mantém sua confiança baixa não vem da coisa em si, mas dos sentimentos sobre ela. Por exemplo:

  • Suponha que você esteja com medo e sem confiança antes de uma palestra para 15 a 20 pessoas;
  • O verdadeiro obstáculo para você subir no palco e fazer o discurso não é a ideia de que as pessoas vão odiar a palestra;
  • A questão aqui é o sentimento de medo em si e tudo o que vem com ele:
    • Sua mente zumbindo com preocupações e visões catastróficas;
    • Adrenalina circulando por suas veias e aumentando a frequência cardíaca e da respiração;
    • Diálogo interno negativo dizendo que isso foi uma ideia idiota e que você nunca será capaz.

É por isso que tantas pessoas bebem um pouco além da conta antes de fazer discursos e brindes em casamentos: o álcool não nos torna mais articulado. Ele faz sentir confiança porque elimina o medo e inibições, deixando-a aparecer naturalmente.

Em qualquer situação em que você não tenha confiança, há uma boa chance de que o verdadeiro obstáculo seja seu relacionamento com o medo.

Se você quer se sentir mais confiante, comece a cultivar uma relação mais saudável com o medo. Reconheça-o e valide-o, em vez evitá-lo.

Pessoas confiantes não fogem do medo. Elas o dominam.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.