Como aprender a combater o ódio de si mesmo?

Mãos segurando um cartaz com uma cara zangada desenhada

Categoria: Autoestima

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Para a maioria de nós, a expressão “você é seu pior inimigo” contém muita verdade. É doloroso saber que muito do que nos limita é sentir ódio de si mesmo. O “eu me odeio” é um pensamento bastante comum.

Mas de onde vêm esses sentimentos e como eles nos influenciam?

A voz crítica interior e o ódio de si mesmo

O pensamento autocrítico mais comum em uma população é: “você é diferente das outras pessoas”.

A maioria das pessoas se vê como diferente, não de uma maneira positiva ou especial, mas em um sentido negativo. Mesmo as pessoas que parecem bem ajustadas e queridas em seus círculos sociais têm sentimentos profundos de serem um pária ou uma fraude.

Esse sentimento sobre nós mesmos é comum porque todas as pessoas estão divididas. Cada um de nós tem um “eu real”, uma parte que é auto-aceitável, direcionada a objetivos e afirmadora da vida, bem como um “anti-eu”, que é abnegado, paranóico e desconfiado.

O anti-eu é expresso em nossa “voz crítica interior”. Ele:

  • Comenta negativamente sobre nossas vidas, influenciando nosso comportamento e como nos sentimos em relação a nós mesmos;
  • Sabota nossos objetivos: “Quem você pensa que é? Você nunca terá sucesso!”;
  • Mina nossas realizações: “Isso não vai acabar bem. Mais cedo ou mais tarde você vai estragar tudo.”;
  • Atrapalha nossos relacionamentos: “Ela não te ama de verdade. Você não deveria confiar nela.”;
  • Critica quem está perto de nós: “Por que ele sai com você? Deve haver algo de errado com ele.”;
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Em outros momentos essa voz parece calmante, mimando-nos e ao mesmo tempo nos encorajando a agir de maneira autodestrutiva: “Vá em frente, coma aquele segundo pedaço de bolo. Você teve uma semana difícil, você merece.”. No dia seguinte ela é acionada com comentários como: “Você é um guloso. Como você pode estragar sua dieta?”

Para muitos, esse processo de pensamento está tão arraigado que mal percebemos quando ele surge. Em vez de reconhecer essa voz como o inimigo destrutivo que é, nós a confundimos com nosso ponto de vista real, acreditando no que nos diz sobre nós mesmos.

Por que alguém tem ódio de si mesmo?

“Eu me odeio” é uma fala da voz crítica interior comum, com a qual pessoas de todas as idades lutam.

De onde, então, vêm pensamentos como esses? Esses pensamentos se originam em experiências negativas do início da vida. As atitudes direcionadas a nós moldam a forma como nos vemos.

Visões prejudiciais dirigidas a nós por pais ou outros cuidadores influentes são internalizadas para compor a auto-imagem. Assim como as atitudes positivas em relação a nós nos levam a desenvolver auto-estima e confiança, as atitudes mais críticas promovem exatamente o oposto.

A questão aqui não é culpar os pais. No entanto, é importante perceber que nenhum pai, ou pessoa, é perfeito. Eles reagem de forma inadequada ou crítica em relação a seus filhos em momentos de estresse.

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Além disso, os sentimentos críticos que os pais têm em relação a si mesmos chegam aos filhos e são então internalizados pela criança. Por exemplo, se tivermos um pai que age como se fôssemos um incômodo, teremos um sentimento sobre nós mesmos de que somos verdadeiramente um incômodo.

Nos tornaremos excessivamente tímidos ou apologéticos em nossa vida adulta, assumindo uma posição submissa em nossos relacionamentos.

Como o ódio de si mesmo afeta a vida diária?

Nos adaptando à voz crítica interior e ouvindo seus conselhos destrutivos.

  • Quando a voz crítica interior diz repetidamente que não temos valor, escolheremos amigos e parceiros que nos tratem como se não tivéssemos valor;
  • Se ela nos diz que somos estúpidos, não teremos confiança e cometeremos erros que não faríamos de outra forma;
  • Se ela nos diz que não somos atraentes o suficiente, resistiremos a nos expor e buscar um relacionamento romântico.

Quando ouvimos nosso crítico interior, damos-lhe poder sobre nossas vidas. Começamos até a projetar esses pensamentos críticos nos outros.

Corremos o risco de perceber o mundo através de um filtro negativo. É aqui que os pensamentos paranóicos e suspeitos entram em cena. Embora essa voz seja dolorosa, também é familiar. Está enraizado em nós desde a infância e, portanto, não lutamos para desafiá-la.

O que fazer para parar de se odiar?

Para interromper o ciclo de ódio de si mesmo, e viver livre de limitações imaginadas, devemos aprender a desafiar nosso crítico interior.

Superar nossa voz crítica interior é a melhor forma para um iniciar um processo de diferenciação. Siga estes passos:

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  1. Romper com os pensamentos e atitudes destrutivas. A terapia é um processo que deve ser usado para identificar e desafiar a voz crítica interior. O processo envolve o desenvolvimento de insights sobre as fontes desses pensamentos e, em seguida, responder a esses ataques com um ponto de vista mais compassivo e realista em relação a si mesmo;
  2. Desafiar traços negativos em si mesmo que imitam seus pais ou outras figuras importantes. Se você teve um pai mandão ou exigente, por exemplo, deve desafiar as maneiras que você mesmo controla em sua vida;
  3. Abandonar os padrões de defesa que você formou como adaptações à dor. Você pode ter formado essas defesas como proteção quando criança, mas esses pensamentos e comportamentos prejudicam na vida adulta. Ao nos apegar à adaptações destrutivas de nosso passado, tendemos a sofrer de baixa autoestima;
  4. Descobrir suas próprias crenças, valores e ideais. Como você quer viver sua vida? Quais são as suas aspirações para o futuro? Quando nos separamos de nosso crítico interior, somos muito mais capazes de conhecer nosso verdadeiro eu e levar nossas vidas com integridade. Podemos tomar ações e passos que refletem nossos desejos e vontades, o que dá um significado único às nossas vidas.

Se você persistir em desafiar esse inimigo interno, ele se tornará mais fraco e te libertará dos sentimentos de ódio de si mesmo.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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