Sobre o medo da rejeição: do que realmente temos medo?

Mulher de blaze com o rosto fechado e sinalizando negativamente para um homem

Categoria: Autoestima

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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O medo da rejeição é um dos nossos medos humanos mais profundos, já que estamos biologicamente conectados com um desejo de pertencer. Ficamos ansiosos diante da perspectiva de sermos excluídos, humilhados ou isolados. Temos medo de ficar sozinhos. Tememos a mudança.

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Em um nível cognitivo, temos medo de que a rejeição confirme que não somos dignos de amor, ou que estamos destinados a ficar sozinhos, ou que tenhamos pouco valor. Quando esses pensamentos insistem em permanecer em nossa mente, ficamos agitados, ansiosos ou deprimidos.

As terapias baseadas na cognição nos ajudam a identificar os pensamentos catastróficos, questioná-los e substituí-los por outros mais saudáveis ​​e realistas. Por exemplo, se um relacionamento não dá certo, isso não significa que somos um fracasso.

De um ponto de vista experiencial ou existencial, trabalhar com o medo da rejeição ou a rejeição real envolve a abertura para nossa experiência sentida. Se pudermos ter um relacionamento mais amigável e receptivo com os sentimentos que surgem como resultado da rejeição, nos curaremos mais prontamente.

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Uma grande parte do nosso medo da rejeição tem a ver com mágoa e dor. Nossa aversão a experiências desagradáveis ​​leva a comportamentos que não nos servem. Nós nos afastamos das pessoas, em vez de nos arriscarmos a alcançá-las. Nós nos abstemos de expressar nossos sentimentos autênticos. Abandonamos os outros antes que eles tenham a chance de nos rejeitar.

Sendo humanos, desejamos ser aceitos e desejados. Dói ser rejeitado e experimentar a perda. Se nosso pior medo se materializar, ou se nossa fantasia catastrófica se tornar realidade e formos rejeitados, então nosso organismo encontrará uma maneira de se curar se pudermos confiar nele. Chama-se luto.

Ao percebermos nossas autocríticas e tendências a afundar na vergonha de ser um fracasso, e aceitar a dor como ela é, avançamos em direção à cura. Nosso sofrimento é intensificado quando não apenas nos sentimos feridos, mas pensamos que algo está errado conosco por senti-lo.

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Se abrirmos nosso coração para alguém que nos rejeita, isso não será o fim do mundo. Podemos nos permitir sentir tristeza, medo, solidão, raiva ou quaisquer sentimentos que surjam e que façam parte de nosso luto. Assim como sofremos e gradualmente nos curamos quando alguém próximo a nós morre, também vamos nos curar ao enfrentamos a rejeição.

Espero não estar fazendo isso parecer fácil. Muitas vezes estive com pacientes que sofreram uma perda devastadora, e suas esperanças e expectativas foram rudemente frustradas, especialmente quando velhos traumas estavam sendo reativados. Podemos nos beneficiar processando os sentimentos com um Psicólogo atencioso e empático, bem como nos valendo de amigos de confiança que sabem ouvir em vez de dar conselhos indesejados.

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O termo “crescimento pessoal” costuma ser usado de forma imprecisa, e um melhor significado para ele é o de cultivar a resiliência interior, reconhecendo e até acolhendo tudo o que estamos vivenciando. É preciso coragem e criatividade para levar com suavidade aquilo que gostamos de afastar.

À medida que nos tornamos mais confiantes de que podemos estar com qualquer experiência que surja como resultado da conexão com as pessoas, podemos iniciar, aprofundar e desfrutar relacionamentos de uma forma mais relaxada e gratificante. À medida que ficamos com menos medo do que estamos experimentando interiormente, ou seja, menos medo de nós mesmos, então nos tornaremos menos intimidados pela rejeição e mais capacitados para amar e ser amados.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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