Por que as pessoas com borderline são procrastinadoras?

Homem olhando banalidades no celular enquanto adia uma tarefa importante

Categoria: Borderline

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Início do artigo

Muitos pacientes com transtorno de personalidade borderline relatam se sentirem fracassadas ​​ao lutarem contra a procrastinação. A vida delas está repleta de projetos incompletos e tarefas adiadas.

A pior parte é que não têm ideia do por que que não podem simplesmente seguir em frente e terminar o que começaram.

Em sessões de terapia, é normal ouvir coisas como:

  • Por que eu sou assim?
  • Eu sou apenas preguiçoso?
  • Começo projetos com grande entusiasmo, mas em algum momento fico sem energia;
  • Sei que deveria estar fazendo mais, só que algo me impede e não tenho ideia do que seja;
  • Só de pensar em terminar essas coisas, fico ansioso demais para fazer algo;
  • Por que sou tão procrastinador?
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Os distúrbios da tríade do Self

Há uma maneira simples de entender por que um borderline procrastina, e por que não termina os projetos que começa com entusiasmo: a autoativação leva à depressão de abandono, que então leva à defesa.

Obs.: Neste artigo, estou usando o termo borderline como forma abreviada de me referir a alguém que se enquadra no diagnóstico de transtorno de personalidade limítrofe. Outros conceitos importantes:

Autoativação

Processo de entrar em contato com o que se realmente deseja e com a motivação para começar a avançar em direção a objetivos pessoalmente significativos;

Depressão de abandono

Todos os sentimentos extremamente dolorosos que vem à tona quando o borderline age em seu próprio nome, como a depressão, a raiva, o medo, a culpa, o desamparo e o vazio;

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Defesa

A medida que sentimentos extremamente dolorosos surgem fora da sessão de terapia, o paciente com borderline sentem-se sobrecarregado e desesperado. Se ele ainda não teve sessões suficientes para desenvolver mecanismos de enfrentamento apropriados e tolerância ao sofrimento, provavelmente voltará a fazer as coisas destrutivas.

Onde a procrastinação entra nisso?

Eventualmente, muitos borderline ficam com medo de tentar fazer mudanças positivas. Avançar em direção ao seus objetivos pessoais tornou-se inconscientemente associado à erupção de emoções dolorosas.

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O resultado é que muitos projetos começam de boa fé, mas quando as emoções negativas vem à tona, são abandonados antes da conclusão. Sua mente inconsciente está tentando salvá-los da dor, literalmente impedindo-os de seguir em frente com seus projetos. Pacientes borderline relatam que se sentem paralisados ​​quando tentam fazer algo por si mesmos.

Contudo, essa paralisia só contribui para uma baixa autoestima, porque é interpretada como um fracasso pessoal e evidencia como são preguiçosos ou incompetentes.

A ansiedade de separação também está presente

Alguns pacientes borderline ainda estão muito ligados, de forma disfuncional, à mãe ou cuidador principal. Eles inconscientemente veem a autoativação e a separação dos pais como perigoso.

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À medida que começam a se tornar independentes na terapia e seus sentimentos negativos vêm à tona, relatam a estranha crença de que, se se separarem totalmente dos pais, um ou ambos morrerão ou enlouquecerão.

É claro que existem outras razões possíveis pelas quais o borderline procrastina e não consegue terminar projetos. No entanto, o mais comum é a existência de sentimentos subjacentes que surgem quando a pessoa começa a se autoativar, e esses sentimentos sabotam a capacidade de continuar a trabalhar no projeto.

Palavras finais

O borderline procrastina e têm problemas para terminar projetos porque, quando se autoativa, ultrapassam sua capacidade de autossuporte interno. Em vez de se sentirem orgulhosos de si mesmos, emoções altamente dolorosas associadas a traumas passados ​​não trabalhados vem à tona e destroem sua paz de espírito.

O borderline, então, se defende contra a dor atrasando ou evitando qualquer coisa que a provoque.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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