10 equívocos comuns sobre a negligência emocional

Uma mulher sentada no sofá, com as pernas encolhidas e com a mão sobre a testa

Categoria: Insegurança

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Como Psicólogo especialista em psicologia clínica, é importante para mim que as pessoas entendam a negligência emocional. Compreendê-la é o primeiro passo para a cura, e um passo importante.

Afinal, ela é muito difícil de detectar, mas afeta escolhas, relacionamentos, paternidade e felicidade.

Primeiro, é fundamental descobrir o que ela é, para em seguida, delinear o que ela não é.

A negligência emocional é definida como um padrão de relacionamento no qual as necessidades afetivas de um indivíduo são consistentemente desconsideradas, ignoradas, invalidadas ou não apreciadas por um outro significativo.

Ela envolve falta de atenção às necessidades emocionais e de desenvolvimento de uma criança, incluindo permitir uma independência inapropriada para as necessidades de desenvolvimento de uma criança.

Viver em um ambiente intolerante a emoções envia uma mensagem silenciosa, mas incrivelmente poderosa: os sentimentos não importam ou são um fardo indesejável.

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As crianças, de forma bastante notável, manipulam inerentemente suas emoções para se adaptarem. Elas são capazes de isolar as emoções como uma forma de não incomodarem ou sobrecarregarem os pais.

Embora essa solução seja útil e necessária na infância, ela se torna inadequada na vida adulta.

Os equívocos comuns sobre a negligência emocional

Ela não é uma doença

A negligência emocional não é uma doença contagiosa do qual precise de medicação para vencê-la.

Ela é algo herdado dos pais, enquanto se cresce. Um indivíduo que sofreu negligência emocional foi simplesmente privado de validação e de reconhecimento emocional.

Ela não é permanente

A negligência emocional não é uma sentença de prisão perpétua.

Ela pode muito bem acompanhar alguém durante toda sua vida, mas só se a pessoa permitir, especialmente se ela não tiver consciência do que está acontecendo.

Ganhar consciência e dar passos em direção à recuperação permite que a pessoa se liberte da negligência emocional sofrida.

Ela não é uma escolha

Um equívoco comum entre aqueles que sofreram negligência emocional na infância é que eles são os culpados pelas dificuldades na vida adulta.

Isso é simplesmente incorreto. Nenhuma pessoa que foi emocionalmente negligenciada por seus pais escolheu ter seus sentimentos ignorados ou minimizados.

Ela não pode ser culpabilizada por ter necessidades não atendidas, afetando quem se é hoje.

Não há nada que ela poderia ter feito diferente para atender a essas necessidades. Os pais simplesmente não tinham para oferecer.

Ela não é um evento

Negligência emocional não é algo que aconteceu, mas algo que não aconteceu.

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A pessoa não teve pais que perceberam seus sentimentos, perguntaram sobre eles, usaram palavras para descrevê-los ou os validaram nos momentos em que precisava.

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É pela repetição que a negligência emocional deixa a sua marca.

Ela não é memorável

Como a negligência emocional não é um evento, o cérebro não tem nada para registrar como memória. Não-eventos não são vistos ou lembrados.

Dezenas de pessoas afetadas pela negligência emocional lembram-se de sentimentos de solidão ou vazio, mas têm dificuldades em identificar exatamente o que estava errado.

Sem ter uma resposta, ou um evento, para olhar para trás, os emocionalmente negligenciados acabam acreditando que algo está errado com eles.

Sentir-se diferente e imperfeito é a consequência retumbante da negligência emocional.

Ela não é um transtorno de personalidade

Existem certos fatores, como abuso, genética e trauma, que levam ao desenvolvimento de um transtorno de personalidade.

Embora a negligência emocional seja um dos muitos fatores que influenciam um transtorno de personalidade, no entanto, ela não é a única causa.

A maioria das pessoas que sofreram negligência emocional na infância não tem nenhum transtorno de personalidade.

Ela não é negligência física

Quando se fala em negligência emocional, é comum que a física não esteja presente.

Pessoas emocionalmente negligenciadas podem ter tudo: uma boa casa, muitos bens, alguém que fica em casa e prepara as refeições, etc.

Mesmo com todas essas coisas, se houver falta de atenção emocional, haverá negligência emocional.

Ela não é uma espécie de abuso

Abuso é algo que acontece, é um evento, é memorável. ele tem efeitos muito diferentes da negligência emocional.

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Pense em um copo d’água: abuso é derrubar, quebrar o copo sem a oportunidade de beber; enquanto a negligência emocional é ter o copo na sua frente, mas não cheio o suficiente para saciar sua sede.

Ela não é menos prejudicial do que o abuso

Embora tanto o abuso quanto a negligência emocional sejam extremamente dolorosos à sua maneira, o abuso é algo que pode parecer mais comovente devido à maneira clara e visual de maltratar uma pessoa.

Mas, a negligência emocional acontece internamente da mesma forma.

As marcas estão ali, embora ninguém consiga ver, o que torna tudo ainda mais insidioso.

Ela não é intratável

Já ouvi inúmeras vezes de meus pacientes emocionalmente negligenciados que se isolar é apenas “quem eu sou”.

Mas, ao derrubarem a barreira entre eles e suas emoções, esses pacientes aprendem que seu eu mais profundo foi bloqueado e sufocado por uma vida inteira de emoções.

Eles percebem que as emoções são exatamente o que lhes oferece profundidade, cor e conexão em suas vidas.

Eles acabam usando as próprias emoções como guia, proteção e motivação para viver uma vida autêntica.

Palavras finais

A negligência emocional não é permanente e existem respostas.

Há um caminho à seguir para uma vida mais conectada, autêntica e gratificante. Agora, você tem a chance de obter para si mesmo o que infelizmente não obteve antes: consciência emocional, validação emocional e apoio emocional.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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