Como confrontar o comportamento misógino de outros homens?

Dois homens encostando seus punhos cerrados um no outro

Categoria: Misoginia

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Globalmente, a maioria dos homens apoia a igualdade de gênero e acredita que está contribuindo de maneira significativa. Contudo, por outro lado, uma minoria de mulheres concordam. Isso significa que os homens precisam aprender a confrontar o comportamento misógino de outros homens.

O confronto ativo de outros homens por sexismo, misoginia, assédio e todo tipo de comportamento inadequado pode ser a parte mais difícil da “aliança masculina”. Para muitos homens, desafiar as normas masculinas do local de trabalho é onde o custo da aliança pode ser alto.

Por que é tão importante que os homens estejam dispostos a confrontar outros homens quando eles rebaixam, ofendem ou assediam uma mulher, mesmo que não seja intencional?

Existem várias razões:

  1. As mulheres que denunciam o mau comportamento masculino são avaliadas negativamente, até mesmo classificadas como menos competentes em comparação com um homem que faz o mesmo;
  2. Quando um homem (sem um interesse genuíno na justiça e equidade de gênero) enfrenta preconceito ou sexismo, os observadores são mais propensos a serem persuadidos;
  3. A forma como uma mensagem é recebida muitas vezes tem menos a ver com as palavras, e mais com a identidade do grupo do falante. Um confronto destinado a mudar atitudes e comportamentos tem mais impacto quando vem de alguém percebido como semelhante;
  4. O homem teme ser o único cara na sala que se opõe a um comentário sexista ou piada atrevida, então ele fica em silêncio.
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Embora a perspectiva de falar contra as transgressões possa parecer intimidadora, há passos que se pode tomar para tornar isso mais fácil. Aqui estão seis estratégias de confronto para aplicar em suas interações no trabalho:

Use a regra dos dois segundos

O efeito de espectador acontece no local de trabalho quando os homens ficam à margem, tímidos e mudos diante do óbvio preconceito de gênero e sexismo.

Para combater a paralisia que se instala em meros segundos depois que outro homem faz um comentário sexista ou uma piada humilhante, apenas diga alguma coisa! Basta dizer “Ai!” clara e vigorosamente.

Isso dá alguns segundos extras para formular uma declaração clara sobre por que o comentário não foi adequado. Em seguida, tenha algumas respostas prontas com antecedência, como:

  • Você realmente quis dizer isso?
  • Não toleramos esse tipo de comportamento aqui;
  • Isso não foi engraçado;
  • Na verdade, esse é um estereótipo ultrapassado;

Assuma a responsabilidade por suas palavras

Ao confrontar o comportamento misógino de outros homens, não atribua sua preocupação ou ofensa somente ao fato de haver uma mulher presente na sala ou de que elas possam se sentir ofendidas.

Muitas vezes ouvimos coisas como: “Vamos, cara. Há mulheres na sala.” Isso implica que o comentário sexista seria aceitável se nenhuma mulher estivesse presente.

Em vez disso, use declarações claras para sinalizar que o comportamento não é compatível com você, como: “Eu não achei essa piada divertida. Eu não aprecio a forma como isso rebaixa as mulheres” ou “Eu realmente gostaria se você parasse de se referir às nossas colegas do sexo feminino como ‘meninas’. Elas são mulheres.”

Use o método socrático como um dispositivo de confronto

Muitas vezes, uma pergunta socrática serve tanto para romper o preconceito de gênero quanto para desencadear a autorreflexão em um colega do sexo masculino.

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Por exemplo, muitas mulheres experimentam ter uma ideia criativa ignorada durante uma reunião, apenas para vê-la sendo roubada por um homem. Da próxima vez que você testemunhar tal cooptação da ideia de uma colega, faça uma pergunta ponderada destinada a lembrar a todos na sala, incluindo o ofensor, quem gerou a ideia em primeiro lugar: “Estou confuso. Como isso é diferente do que nossa colega sugeriu minutos atrás?”

Compartilhe o que você aprendeu por meio de uma experiência pessoal ou relacionamento

Às vezes, confrontar o comportamento misógino de outros homens por meio da autorrevelação pode ser uma abordagem poderosa.

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Compartilhar autenticamente como o preconceito, o sexismo ou a misoginia foi prejudicial à alguém próximo a você faz com que outros homens vejam seu próprio comportamento através de uma nova perspectiva.

Dizendo, com calma, mas com firmeza: “Minha esposa passou por isso no trabalho e é inaceitável! Não quero que as mulheres experimentem isso aqui”, vai ser profundamente influente para outros homens.

Você pode até tornar isso uma aspiração conectando esse feedback a quem ele quer ser, dizendo: “Sei que você é um cara legal, e não quero que você inadvertidamente ofenda as mulheres sugerindo que elas devam sorrir mais.”.

Use o humor de vez em quando

Particularmente quando você já tem um relacionamento com um ou uma colega de trabalho, tente uma breve observação bem-humorada como intervenção. Por exemplo, quando um cara chama uma colega de “querida”, tente: “Você chama todos os seus desenvolvedores de software de ‘querida’?”.

Ou, quando um membro da equipe interrompe regularmente sua colega em uma reunião, tente um pouco de humor relacionado a esportes. Mostre um cartão amarelo e diga: “Pênalti!”

Mostre ao misógino que você está do lado dele

A criação de uma mudança real de comportamento em outros homens é melhor alcançada por meio de uma mistura engenhosa de desafio e reforço.

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Quando um cara brincar com sexismo ou assédio use uma linguagem que o deixe saber que você o vê como parte de seu grupo, e que você ainda o quer por perto. Chame-o em particular depois de uma reunião e tenha uma conversa direta.

Mostre que você está preocupado com ele. Use declarações que não sejam acusatórias, mas também deixe-o saber como você se sente como amigo e colega. Esclareça o comportamento preciso que te deixou preocupado, seja específico nos detalhes, na situação e nas pessoas envolvidas.

Você precisa fazê-lo entender como o comportamento está prejudicando os outros, sabotando sua credibilidade e por que você se importa. Então, quando ele mostrar alguma consciência de gênero ou uma mentalidade inclusiva, certifique-se de seguir com algum reforço positivo.

Confrontar o comportamento misógino de outros homens não se trata de humilhação, vergonha ou brigas

Não existe uma abordagem única para todos.

Às vezes, uma conversa em particular após a reunião terá um resultado mais positivo, especialmente se o agressor for um colega próximo, aberto a feedback e bem-intencionado, mas ingênuo, ou fora de sintonia com a mudança de atitudes e expectativas.

Em outras ocasiões, é essencial confrontar o comportamento misógino de outros homens em público, especialmente se o comentário ou comportamento foi flagrante e suscetível em desanimar os colegas de trabalho e prejudicar o ambiente relacional, ou se o agressor for um infrator em série, rígido em suas atitudes em relação às mulheres e improvável de responder ao feedback corretivo privado.

É preciso um toque hábil e um aliado atencioso e empático para criar uma mudança duradoura e significativa. Excelentes aliados têm a coragem de se sentirem confortáveis ​​fazendo o trabalho desconfortável de perturbar o status quo.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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