É misoginia não achar as mulheres engraçadas?

Homem em um fundo amarelo e com as mãos sobre a boca

Categoria: Misoginia

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Comediantes mulheres não fazem rir tanto quanto comediantes homens? Em comentários irados, e-mails e postagens nas redes sociais, ambos os gêneros podem acreditar que não achar as mulheres engraçadas é um ato de misoginia.

Avaliar se as comediantes mulheres são tão engraçadas quanto os comediantes homens não é uma questão nova.

Porém, concluir que elas não são tão engraçadas quanto os homens é uma demonstração de misoginia?

A misoginia é um ódio ou preconceito contra as mulheres e não deve ser confundido com sexismo, que significa discriminação baseada no sexo. A misoginia engloba atitudes negativas ou preconceitos contra as mulheres, mas não necessariamente um comportamento discriminatório.

Não achar as comediantes mulheres engrçadas

Há muitas razões pelas quais um fã de comédia pode não achar uma comediante engraçada, incluindo o estilo de humor e os gostos do indivíduo, que variam com:

  • Idade;
  • Nacionalidade;
  • Afiliação política e religiosa;
  • Gênero;
  • Estilo de humor da comediante;
  • Presença de palco e;
  • A qualidade de seu material.

As mulheres tendem a produzir e desfrutar de estilos de humor mais positivos (como contar histórias divertidas ou manter uma perspectiva positiva sobre os desafios da vida), enquanto os homens tendem a produzir e desfrutar de estilos mais negativos (sarcasmo, provocação e autodepreciação).

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Elas também preferem um humor mais neutro, enquanto os homens preferem um humor mais sexual ou agressivo.

Assim, o humor das mulheres pode não ser tão engraçado para os homens, enquanto o humor dos homens pode não ser tão engraçado para as mulheres.

Em vez de ser um reflexo de misoginia ou misandria, a antipatia pelo estilo de humor típico de um gênero pode simplesmente refletir uma preferência pelo estilo mais comum ao próprio gênero.

O conteúdo das piadas

O conteúdo de piadas por si só nem sempre é suficiente para nos fazer rir.

O envolvimento de um comediante e sua confiança, presença de palco, atratividade e capacidade de desempenho também ajudam a determinar se achamos uma piada engraçada.

A confiança afeta fortemente se um comediante será percebido como engraçado e quão bem ele se apresentará.

Indivíduos pouco confiantes são percebidos como menos competentes e de status inferior, dois fatores que determinam o sucesso de um comediante em entreter uma multidão.

Nos esportes, os atletas menos confiantes têm um desempenho pior em comparação com os competidores mais confiantes.

Em geral os homens são mais propensos a serem mais confiantes, enquanto as mulheres a serem menos confiantes.

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A experiência de falta de confiança das comediantes mulheres pode, portanto, prejudicar a capacidade do público de rir de suas piadas.

A confiança também influencia a presença de palco, um fator crucial no sucesso do artista, juntamente com a capacidade de chamar a atenção dos outros e ser convincente.

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A confiança, o comando e a autoridade dos artistas ajudam a determinar a confiança que o público terá para achá-los divertidos, principalmente para apreciar a comédia stand-up.

Infelizmente, mulheres atraentes são consideradas menos confiáveis. Portanto, quanto mais atraente for uma comediante, menos confiança ela pode inspirar nos membros da platéia e, portanto, menos provável que esses membros da platéia se divirtam com suas piadas.

Historicamente falando, as mulheres também tiveram menos oportunidades de assumir autoridade do que os homens, então comediantes femininas podem estar em desvantagem em termos de prática suficiente para incorporar a autoridade necessária para fazer os outros rirem (ou ter modelos femininos suficientes que incorporam tal autoridade).

A ansiedade de um artista também pode afetar tremendamente sua capacidade de engajar, cultivar a confiança e, finalmente, entreter os membros da plateia.

A ansiedade prejudica o ritmo de uma performance e suprime comportamentos comunicativos para que se tenha uma boa performance, como expressões faciais, inflexão da voz e gestos das mãos e braços.

As mulheres tendem a sentir maior ansiedade no desempenho do palco do que os homens. Presumivelmente devido a seu maior investimento emocional na atividade. Isso também explica por que, em geral, as mulheres são percebidas como menos engraçado do que os homens.

Além disso, mulheres que exibem características masculinas estereotipadas (especialmente assertividade e dominância) são classificadas como menos simpáticas por funcionários do gênero masculino e feminino.

No entanto, essas qualidades são essenciais para uma boa performance cômica. As mulheres que usam humor no trabalho são consideradas “mais disruptivas” do que os homens.

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Comediantes femininas que exibem essas características típicas masculinas podem correr o risco de parecer menos simpáticas para os membros da platéia e, portanto, julgadas como menos engraçadas.

Então, não achar as mulheres engraçadas é misoginia?

Há muitas razões pelas quais as pessoas podem não achar as mulheres tão engraçadas quanto os homens, e que o preconceito contra comediantes é bastante prevalente.

Mas não ser capaz de achar mulheres tão engraçadas quanto os homens não significa que alguém não goste ou seja preconceituoso contra as mulheres em geral.

Alguém pode não gostar do humor, conteúdo e estilo das comediantes femininas, mas ainda assim respeitar profundamente as mulheres como classe ou grupo e acreditar firmemente que elas compartilham a mesma dignidade que os homens.

Aqueles que acreditam que que alguém é “misógino” com base apenas em sua preferência expressa por comediantes masculinos versus femininos, sem considerar suas opiniões sobre mulheres em contextos não cômicos, podem estar tirando conclusões precipitadas.

A indignação contra essas pessoas tipifica o fervor acusatório instintivo característico do discurso da Internet em geral, uma iteração microcósmica de nossa crescente intolerância por nuances, digerindo realidades complexas ou respeitando civilmente as opiniões dos outros quando tais opiniões não se alinham perfeitamente com as nossas.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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