Por que muitos homens estão aderindo ao movimento incel?

O mesmo homem em duas imagens, uma com a barriga grande, e outra sem barriga

Categoria: Misoginia

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Incels são homens que aderem ao celibatário involuntariamente, e muitos deles culpam as mulheres por sua falta de sucesso sexual e/ou romântico.

Eles acreditam que são incapazes de acessar essas coisas devido a fatores genéticos, processos evolutivos predeterminados de seleção de parceiros e estruturas sociais.

Em termos de pressão social, alguns problemas estão ligados a problemas que os incels vivenciam. Por exemplo, as altas expectativas em relação ao desempenho e a pressão das redes sociais ao que significa ser bem-sucedido e atraente.

Esses problemas resultam em um estado de espírito negativo e levam a problemas de saúde mental que tornam os indivíduos mais vulneráveis a ideologias como o incel.

Também acreditam que as mulheres os acham pouco atraentes, e que as mulheres só estão interessadas em “machos alfa” bonitos. A “Regra 80/20” é comumente mencionada entre os incels, o que significa que os 20% mais atraentes dos homens monopolizaram 80% das mulheres.

Vários insights importantes sobre incels e sua ideologia são:

  • Em contraste com a percepção comum, os incels são um grupo diverso em termos de orientação sexual, raça ou etnia e religião. Além disso, enquanto a questão superficial é o interesse em sexo, este certamente não é o único assunto em que estão interessados, pois a questão superficial tem queixas percebidas profundamente enraizadas;
  • Os incels acreditam que sua incapacidade percebida de fazer sexo e/ou um relacionamento romântico é predeterminada pela genética e pela sociedade. Isso está enraizado em ideias de hipergamia (as mulheres só estão interessadas nos homens mais atraentes e bem-sucedidos) e ginocentrismo (a sociedade moderna é estruturada de uma forma que beneficia as mulheres e, portanto, oprime os homens, especialmente aqueles considerados inferiores, ou seja, incel);
  • A visão de mundo dos incels é baseada em um locus de controle externo. Eles acreditam que sua situação e o que acontece com eles está fora de seu próprio controle, culpando assim tudo e todos (mulheres, homens atraentes, sociedade) por sua miséria. Essa crença de não estar no controle está ligada a problemas de saúde mental subjacentes, como ansiedade e depressão, que será apresentada posteriormente;
  • A ideologia incel é vista como parte da “manosfera” online, um agregado de espaços online que promovem a masculinidade e a misoginia, e se opõem ao feminismo.
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Apesar das pesquisas psicológicas que investigam o fenômeno incel, ainda lutamos para entender as causas mais profundas do por que muitos homens são atraídos por esse movimento.

Aqui estão dois insights que nos ajudam a colocar isso em perspectiva.

Os incels tendem a ser marginalizados

É muito difícil entender como as pessoas são desmoralizadas e, certamente, muitos homens estão nessa categoria.

Eles não sabem como se tornar atraentes para mulheres que acreditam serem muito exigentes, e com razão. Soma-se à isso o fato desses homens serem solitários e todos os insultarem.

Os incels experimentam mais solidão e menos apoio social do que os homens não incels. E isso está associado a múltiplos problemas de saúde mental e relacional.

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Quando esses homens solitários encontram uma comunidade online que parece “entendê-los” em virtude das experiências compartilhadas, eles se agrupam em direção à um sentimento de pertencimento.

No cerne da comunidade incel está um sentimento de inferioridade e insignificância sexual e romântica, que se manifesta na forma de ódio contra as mulheres.

Esses homens acreditam que as mulheres são diretamente responsáveis ​​por seus problemas. Isso os leva a uma maior marginalização.

Portanto, é vital reexaminar como a sociedade trata aqueles que se sentem pouco atraentes ou não vistos pelo sexo oposto.

A zombaria generalizada, o bullying, a memeificação daqueles que estão sozinhos precisa ser contida, e uma abordagem de apoio ao autoaperfeiçoamento precisa se tornar a norma.

Isso não quer dizer que todos os que se sentem marginalizados recorrem a essas comunidades em busca de apoio.

A comunidade incel atrai pessoas com certas tendências pré-existentes, o que leva ao ponto à seguir.

Os incels desenvolvem mais facilmente problemas de saúde mental graves

Homens com pontuação alta em traços incel também são propensos a serem indivíduos deprimidos, ansiosos e paranóicos.

Além disso, os mesmos homens são mais propensos (em comparação com aqueles com pontuação baixa em traços incel) a possuir um estilo de apego medroso.

A alta pontuação em escalas que medem paranóia, depressão e um estilo de apego medroso preveem o surgimento de traços incel.

Portanto, os profissionais de saúde precisam ser treinados e orientado em como avaliar adequadamente essas características.

Reconhecê-las em pessoas que procuram terapia com sintomas depressivos, ansiosos ou paranóicos relacionados ao romance é a chave para uma melhor compreensão.

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Alguns homens têm menos probabilidade de responder à intervenção terapêutica porque vêem a terapia como um meio de controlá-los e subjugá-los a se tornarem machos “beta” dóceis.

Um estilo de apego seguro protege indivíduos com pontuação alta em paranóia e depressão de aderir a uma mentalidade incel.

Palavras finais

A comunidade Incel é um exemplo de como o fracasso pode se tornar uma profecia autorrealizável. Assim que um celibatário involuntário acredita que não pode mudar sua situação para melhor, essa crença se torna realidade.

As crenças desses homens os autorizam a parar completamente de procurar relacionamentos com o sexo oposto. E, se você não pode ficar com as mulheres, a maneira mais fácil de lidar com essa frustração é culpá-las.

Quando eles encontram a comunidade incel, são recebidos por outros homens que dizem que seu status de celibatário involuntário não é culpa deles, mas das mulheres e da sociedade.

Antes de ingressar no movimento, esses homens foram marginalizados e veem a própria comunidade como edificante, sem perceber que estão se afundando cada vez mais na falta de atratividade e no desespero.

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Um maior investimento em saúde mental preventiva, por meio de terapia, apoio e recursos para indivíduos marginalizados sempre será a melhor maneira de enfrentar o problema.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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