Prevenindo a misoginia entre adolescentes e jovens adultos

Mulher com a mão na frente do rosto, enquanto ao fundo há a silhueta de 3 homens

Categoria: Misoginia

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

Publicidade
Início do artigo

Misoginia entre adolescentes e jovens adultos é dolorosamente comum, seja em letras de músicas, programas de televisão, videogames, revistas e filmes. Palavras como “vadia” são casualmente ditas nos corredores das escolas.

Parece que a maioria dos pais não conseguiu educar e prevenir adequadamente a misoginia e o assédio sexual na vida de seus filhos.

Publicidade

Dada a prevalência desse tipo de comportamento na vida dos adolescentes e jovens adultos, essas conversas são essenciais, mas também é vital que os pais devam ir além de chavões como “seja respeitoso”.

A seguir estão seis dicas para os pais se envolverem em conversas significativas e construtivas:

Defina claramente o que é misoginia e assédio

Muitos não conhecem a gama de comportamentos que constituem a misoginia entre adolescentes e jovens adultos.

Os pais precisamos explicar que violações essas palavras expressam, bem como fornecer exemplos concretos e específicos.

  • Converse sobre o que especificamente constitui misoginia e assédio. Deixe claro que você leva a conversa a sério e que está aberto a perguntas. Comece pedindo que ambos definam esses termos e deem exemplos de cada uma dessas violações. Você deve esclarecer quaisquer mal-entendidos e fornecer exemplos comuns de misoginia e assédio, como se referir a alguém como “vadia”, assobiar ou comentar sobre as roupas ou aparência de alguém. Peça que considerem cuidadosamente como seria estar sujeito a comentários como esses;
  • Verifique, periodicamente, se eles se lembram e que absorveram essas informações.

Participe do círculo de amizade

Se você é mãe/pai de um adolescente ou jovem adulto, é provável que encontre um comentário sexista ou sexualmente degradante deles ou de seus amigos.

No entanto, muitos pais ficam em silêncio quando isso acontece. Às vezes simplesmente não sabem o que dizer.

Os pais que intervêm pensam que isso não mudará o comportamento dos jovens. É verdade que, mesmo que intervenhamos, os comentários ofensivos podem não parar; existem forças poderosas que levaram os homens ao longo da história e em todas as culturas a degradar as mulheres.

Leia também:  É misoginia não achar as mulheres engraçadas?

Porém, a passividade não apenas tolera esses comentários, mas também diminui o respeito dos jovens por nós como adultos e modelos. Além disso, mesmo que os adolescentes não possam absorver ou agir de acordo com nossas palavras no momento, eles as registram e internalizam à medida que amadurecem.

  • Consulte as pessoas que você respeita sobre o que pode ser dito se seu adolescente ou jovem adulto usar uma palavra como “vadia”. Como você pode reagir de uma maneira que realmente permita que ele absorva sua mensagem? Você pode, por exemplo, fazer perguntas que qualquer ser humano pensativo tem dificuldade em responder afirmativamente: “Por que essa é uma maneira de você e seus amigos se unirem?”. Considere o que você pode dizer se seu filho adolescente disser: “Estamos apenas brincando” ou “Você não entende”. Você pode explicar como esses tipos de piadas contaminam a forma como pensamos e agimos em relação aos outros;
  • Converse com os jovens sobre a importância de ouvir e apreciar seus pares de diferentes gêneros como uma questão de decência e humanidade, e trabalhe com eles para desenvolver empatia desde tenra idade. Você pode pedir para ele pensar, por exemplo, sobre o que é positivo e o que é desafiador em ser de outro gênero, ou pedir a crianças de diferentes gêneros em sua família que expliquem umas às outras como é, do ponto de vista delas, ser homem ou mulher em sua família, escola ou comunidade;
  • Incentive-os a pensar sobre a natureza da verdadeira honra, coragem e dignidade. Não há honra ou coragem em degradar, menosprezar ou sexualizar os outros. No entanto, pode haver honra em enfrentar seus colegas quando eles rotulam ou “envergonham” garotas. Há também dignidade em intervir por aqueles que são vulneráveis ​​ao assédio, defendendo-os e protegendo-os.

Ensine seu filho a ser um consumidor crítico de mídias

Os jovens são criados em uma dieta constante de misoginia e degradação sexual na cultura popular, mas nunca examinaram criticamente a mídia que consomem ou a dinâmica cultural que molda suas vidas.

Você pode estar com seu adolescente ou jovem adulto no carro e ouvir letras de músicas sexualmente degradantes ou estar junto quando souber de um episódio de assédio ou degradação sexual no noticiário.

Nessas situações é vital falar e ajudá-los a se tornarem consumidores conscientes e críticos dessas informações, mesmo que falar cause desconforto. O silêncio sugere apoio.

  • Pergunte como ele interpreta algo que você está ouvindo ou assistindo e que considera sexualmente degradante. Ele acha isso degradante? Por que não? Explique por que a representação é prejudicial. A misoginia e a degradação baseada em gênero em músicas populares, filmes e televisão são tão comuns que parecem normais e afetam nossos relacionamentos com os outros de maneira nociva e oculta;
  • Se você teve uma experiência semelhante ao que está ouvindo ou assistindo, como ser assediado na rua ou em seu local de trabalho, discuta e fale sobre como isso aconteceu e como você se sente;
  • Ajude seu filho adolescente a identificar e examinar criticamente papéis, atitudes e comportamentos masculinos preocupantes em nossa cultura. Por que muitas mulheres continuam sendo vítimas de assédio sexual no local de trabalho? Por que os homens continuam superando as mulheres em papéis críticos na política e nos negócios? Quais são as formas eficazes de combater as atitudes masculinas autoritárias que diminuem ou degradam as mulheres?
Leia também:  5 sinais de que você tem um chefe misógino

Ensine sobre o que ele deve fazer se for assediado sexualmente

Muitos adolescentes e jovens adultos não sabem o que fazer se forem assediados com insultos baseados em gênero, seja sendo chamada de “vadia”, seja por um amigo ou por um desconhecido.

É vital que os pais ajudem seus filhos a desenvolver estratégias de como se protegerem e reduzirem as chances de o ofensor prejudicar os outros.

  • Pergunte se ele já foi assediado com palavras ou ações sexualizadas, e como ele respondeu. Se eles não tiveram essas experiências, pergunte o que eles acham que fariam em diferentes situações. Isso difere do que eles acham que deveriam fazer? Todos nós, é claro, nem sempre fazemos o que deveríamos. Discuta como eles podem passar do desejo ao dever, explorando os prós e os contras de várias estratégias de resposta. Por exemplo, eles se sentiriam à vontade para confrontar a pessoa que os assedia, conversar com um amigo, um professor, ou conversar com você ou outro adulto respeitado? Considere fazer uma dramatização com eles que os ajude a explorar uma variedade de estratégias, incluindo quais palavras específicas eles podem usar para confrontar o agressor. Faça um brainstorming com ele sobre maneiras de responder em vários contextos. Muitos jovens, por exemplo, vão chamar suas amigas de vadias de brincadeira, situação bem diferente de alguém que não é amigo e usa a palavra intencionalmente como arma. No entanto, ambos os usos são prejudiciais;
  • Continue a verificar, periodicamente, se eles tiveram essas experiências e quais estratégias eles usaram, ou usariam, para lidar com a situação. Sublinhe a importância de falar com você ou outro adulto confiável, caso o comportamento ofensivo não pare.
Leia também:  5 exemplos de sexismo no cotidiano e como responder a eles

Incentive e exija integridade

Como pais éticos, deve-se esperar que os adolescentes e jovens adultos não apenas se protejam quando forem assediados, mas também protejam uns aos outros.

Como eles entendem a dinâmica dos pares, são mais propensos a testemunhar comportamentos de assédio e muitas vezes têm mais peso do que os adultos na intervenção. Os próprios jovens, geralmente, estão na melhor posição para prevenir e impedir o assédio sexual e a misoginia entre eles.

Aprender a ter integridade é uma parte vital para desenvolver a ética e a coragem. No entanto ela pode ser arriscada e os perpetradores se voltarem contra os honestos. É por isso que é importante fazer um brainstorming de estratégias com os jovens para ações que protejam tanto eles quanto a vítima.

  • Converse sobre a importância de ser um aliado dos colegas que são submetidos a assédio ou misoginia. Você pode iniciar uma conversa perguntando sobre o que eles fariam versus o que deveriam fazer. Pergunte a eles, por exemplo, o que eles fariam e deveriam fazer se um amigo fosse alvo de diferentes tipos de assédio. E quanto a um colega que não é um amigo próximo? Converse com eles sobre o que pode impedi-los de intervir nessas situações, faça um brainstorming de várias estratégias e/ou faça uma dramatização. Se confrontar o agressor for uma opção, pense nas palavras específicas que ele pode usar.

Forneça aos jovens múltiplas fontes de reconhecimento e auto-estima

Os jovens podem ser especialmente vulneráveis ​​à degradação e ao assédio se forem altamente dependentes de atenção romântica e sexual e da aprovação dos colegas.

Muitos jovens também são vulneráveis ​​porque têm status social mais baixo ou são marginalizados entre seus pares. Os jovens com orientação homoafetiva estão especialmente mais vulneráveis ​​a esse respeito.

  • Incentive e apoie seu adolescente ou jovem adulto a se envolver em atividades que aumentem sua confiança, e que não envolvam atenção romântica e sexual ou aprovação de colegas. Essas atividades podem ser, por exemplo, artes, esportes ou serviço a terceiros;
  • Converse sobre solidariedade e ações coletivas contra o assédio e a degradação. Às vezes, meninas e mulheres jovens rebaixam e prejudicam umas às outras no contexto de relacionamentos românticos e sexuais. É importante ressaltar para as meninas o poder da união e da ação coletiva.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Artigos relacionados

Avatar do Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *