Como o medo do abandono aparece nos relacionamentos?

Mulher de blusa amarela com a boca aberta e mostrando a palma das mãos

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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O medo do abandono se origina na infância. Ele é aprendido e condicionado por ambientes invalidantes, negligentes ou abusivos e que ensinam erroneamente a uma criança que ela é dispensável ou que não importa.

Muitos com medo do abandono também têm um estilo de apego inseguro, onde ficam ansiosos e evitativos, especialmente quando os temores vêm à tona.

Situações na infância onde a criança não pode contar com seus cuidadores para obter apoio emocional ou físico, ou para atender às suas necessidades básicas resultam nesse estilo de apego e no medo do abandono.

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O medo do abandonado causa estragos no relacionamento romântico de uma pessoa, onde ela parece “pegajosa”, possessiva ou manipuladora, na tentativa de evitar que seus inevitáveis ​​medos venham à tona.

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Ironicamente, quanto mais próximo e íntimo o relacionamento, mais intensos se torna o medo do abandono, iniciando um círculo vicioso.

Embora existam muitas maneiras pelas quais o medo do abandono se manifesta nos relacionamentos românticos, cinco das mais comuns incluem:

Dificuldade em deixar os outros se aproximarem

Muitos que experimentaram o abandono em seus anos de formação construíram muros emocionais para manter os outros afastados. Eles aprenderam que a vulnerabilidade leva a mais abandono.

Essas pessoas têm dificuldade em confiar nos outros, tiveram um “amigo” ou parceiro que usou sua dor contra elas por seus próprios interesses narcisistas.

Como resultado, manter-se desapegado e distante dos outros tornou-se uma forma de se manterem protegidos.

Apegar-se rapidamente

Apegar-se rapidamente a um relacionamento inclui compartilhar cedo demais detalhes íntimos sobre si, ou compartilhar informações pessoais com as pessoas erradas, sempre na esperança de que o relacionamento se acelere.

Nesse padrão, “apegar-se” rapidamente a uma pessoa é confundido com conectar-se a ela. Mas, as duas coisas não são sinônimos.

No cerne desse apego rápido há uma ferida profunda, onde uma criança foi invalidada por seus cuidadores nos seus primeiro anos de formação, deixando cicatrizes de sentimentos invisíveis e não ouvidos.

O resultado é a sensação de medo de que outros as rejeitem ou as deixem, deixando-a com uma necessidade não satisfeita de se “apegar” rapidamente.

Histórico de abandono em relacionamentos

Embora isso pareça contra-intuitivo, pessoas que experimentaram o abandono precoce agora usam os relacionamentos como um meio para atingir um fim. Nessas situações, procuram um motivo para sair dele.

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Elas podem se tornar desdenhosas, argumentativas ou desvalorizar o parceiro na tentativa de causar uma briga, e “encontrar” um motivo para ir embora.

O objetivo inconsciente é abandonar o relacionamento primeiro, pois seus próprios medos do abandono são “desencadeados” para minimizar a dor emocional que podem sentir.

Escolher parceiros indisponíveis

Isso geralmente se desenrola como uma profecia autorrealizável. Escolher parceiros emocionalmente indisponíveis é visto como um “desafio”, no qual o objetivo inconsciente é conquistá-lo, ou se fazer de herói e resgatá-lo.

Concentrar-se no desafio de conquistar um parceiro emocionalmente distante funciona como uma distração das próprias feridas e medos profundos.

Para os que se encontram nesse padrão, é instintivamente “mais seguro” perseguir alguém que não forneça a eles a conexão emocional e a intimidade que merecem, reforçando negativamente esse padrão de “perseguir” pessoas indisponíveis.

Autoidentidade frágil

Quando o medo do abandono é o tema predominante nos relacionamentos de uma pessoa, ela tende a se espelhar nos outros como forma de se sentir aceita, valorizada e desejada. Esse padrão geralmente começa na infância e se solidifica na adolescência.

Muitos com um frágil senso de identidade assumem os maneirismos, crenças, pensamentos, sentimentos, opiniões e comportamento das pessoas mais próximas, como um tentativa de minimizar o medo do abandono.

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Isso resulta em não saber quem elas são fora de um relacionamento. Assim, “mudam” quem são (seus gostos/desgostos, valores, hobbies, interesses) de um relacionamento para outro, dependendo do que o parceiro gosta.

Superando o medo do abandono

Paradoxalmente, a capacidade de amar é diretamente influenciada pela capacidade de estar sozinho. E o aprender a estar sozinho é o antídoto para superar o medo do abandono.

Muitos com profundos medos do abandono não conseguem ficar sozinhos. A solidão desencadeia um crítico interno, ou leva uma pessoa à autossabotagem, reforçando negativamente seus medos do abandono e levando a uma compulsão de não ficar sozinho.

As dicas para a cura incluem:

  • Reconstruir um senso de identidade própria;
  • Melhorar a autoestima;
  • Aprender estratégias de enfrentamento mais saudáveis;
  • Estabelecer e manter limites sólidos;
  • Aprender os efeitos da codependência nos relacionamentos e no senso de identidade e;
  • Buscar ajuda de um Psicólogo.

Para se curar desse padrão, torna-se necessário enfrentar o passado e reconhecer onde esses tipos de feridas começaram, e como elas afetaram sua vida hoje.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.