O que fazer quando você ficar com raiva do seu Psicólogo?

Mulher dando um soco no rosto de um homem através de uma folha de papel

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Você pode nem sempre concordar com seu Psicólogo, e isso é típico de muitos pacientes. Contudo, a parte mais importante para saber se a terapia está funcionando é a aliança terapêutica (ou seja, o relacionamento entre você e seu Psicólogo).

Se você não formar uma boa aliança, será difícil confiar no Psicólogo e, sem confiança, terá problemas para trabalhar as verdadeiras razões pelas quais está em terapia.

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Existem várias razões pelas quais um Psicólogo deixa um paciente com raiva:

  • Dizer algo que ele não estava pronto para ouvir;
  • Violar algum um limite ético;
  • Ambos não formaram uma aliança terapêutica forte, e assim é difícil sentir que o paciente está sendo ajudado.

Quando surge um conflito, há algumas coisas que você pode fazer para garantir aproveitamento máximo da terapia.

Causas do conflito na relação terapêutica

O conflito no relacionamento terapêutico é diferente de outros relacionamentos porque há uma diferença de poder o Psicólogo e o cliente.

O Psicólogo o conhece mais intimamente do que outras pessoas em sua vida, mas o contrário não é verdadeiro. Isso significa que o conflito entre vocês vai dar uma sensação maior de prejuízo do que o conflito em outros relacionamentos.

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Muitos tipos de conflito são decorrentes das relações terapêuticas. Duas causas comuns são transferência e contratransferência:

Transferência

A transferência é quando um paciente projeta seus sentimentos ou desejos sobre outra pessoa em seu Psicólogo. Por exemplo, o relacionamento de um paciente com seu Psicólogo pode lembrar de como sua mãe o tratou na infância. Assim, ele responde ao Psicólogo como responderia à mãe, projetando raiva e mágoa quando, na verdade, esses sentimentos são direcionados à mãe.

A transferência é útil quando o Psicólogo e o paciente interpretam esses sentimentos de modo a obter mais informações sobre o que está acontecendo na sessão, e por que esses sentimentos estão surgindo. Outras vezes a transferência será difícil de superar, criando um obstáculo para estabelecer um relacionamento genuíno entre paciente e Psicólogo.

Contratransferência

A contratransferência ocorre quando o Psicólogo projeta seus sentimentos no paciente, prejudicando a relação terapêutica. Alguns exemplos de contratransferência incluem:

  • Não saber estabelecer limites;
  • Autorrevelar-se de forma inadequada;
  • Desenvolver sentimentos românticos em relação a um paciente;
  • Tratar o paciente como se fosse um amigo.

A contratransferência é um fenômeno psicológico difícil e, se você perceber essas qualidades em seu Psicólogo, está na hora de fazer alguma coisa.

Outras causas de conflito

Outros vários fatores que causam conflito com seu Psicólogo incluem:

  • Ignorar a cultura do paciente;
  • Exercer pressão no paciente para se submeter a tratamentos específicos;
  • Padrões de relacionamento negativos, como sentir que o Psicólogo é muito distante e impessoal;
  • Objetivos da terapia não sendo alcançados;
  • Imperícia;
  • Aspectos financeiros;
  • Falta de conhecimento profissional.

Essas situações negativas percebidas provocam muita raiva e mágoa para os pacientes.

Se você tem conflitos com seu Psicólogo, a sua reação dependerá do que ele fez. Aqui estão algumas dicas sobre o que fazer quando estiver com raiva de seu Psicólogo:

Avalie suas expectativas

Você pode ter começado a terapia com expectativas muito elevadas de como seria e então, descobriu que não era como esperava. Não é função do seu Psicólogo fornecer conselhos ou dizer o que fazer, mas ajudá-lo a tomar suas próprias decisões e apoiá-lo em seus desafios.

A raiva ocorre se você desejar que ele forneça respostas ou uma “solução mágica”, mas isso é irrealista. Se você tiver dúvidas sobre o que esperar da terapia ou sobre o papel do seu Psicólogo, pergunte. Um Psicólogo qualificado definirá claramente o que está dentro de sua função e escopo de prática e o que não está.

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Se você estiver confortável o suficiente, um dos melhores métodos para lidar com a raiva em relação ao seu Psicólogo é colocando-a em discussão. Parte de estar em terapia é aprender a expressar pensamentos e sentimentos de maneira saudável, e quando você consegue fazer isso, mostra que pode ser assertivo.

Por exemplo: “Fiquei com raiva em nossa última sessão, quando você insistiu em falar sobre minha infância. Eu não sentia que estava pronto para falar sobre isso ainda.”. Um bom Psicólogo vai ouvir o que você está dizendo e mudar de rumo, se necessário.

Peça uma referência

Se você está com raiva de seu Psicólogo porque não está obtendo o que precisa, ou não conseguiu estabelecer confiança nele, então é hora de considerar uma mudança.

Solicite um encaminhamento para um novo Psicólogo. Caso não se sinta à vontade para pedir um encaminhamento, busque um novo profissional por conta própria. É a sua terapia, e você deve tirar o máximo dela.

Se o seu Psicólogo está tendo um comportamento impróprio ou antiético, ou você não sente que está sendo ouvido, este é um sinal claro de que você não deve mais trabalhar com ele.

Abra denúncia no Conselho Regional de Psicologia

Existem casos onde um Psicólogo se envolve em um comportamento antiético ou inadequado, gerando raiva no paciente. Nesses casos, denunciá-lo ao Conselho Regional de Psicologia do seu Estado é uma opção a se considerar.

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Alguns casos que podem se denunciados são:

  • Tentativas de iniciar ou se envolver em um relacionamento sexual com você;
  • Práticas não reconhecidas pela autarquia, ou fora de seu escopo de prática;
  • Informações enganosas sobre suas formações;
  • Práticas explorativas;
  • Violação da confidencialidade.

O Psicólogo é adequado para você?

Se você está tendo problemas para decidir se o seu Psicólogo é adequado para você, pergunte-se o seguinte:

  • Meu Psicólogo representa seu escopo e prática com precisão?
  • Sinto-me compreendido quando estou com meu Psicólogo?
  • Meu Psicólogo me escuta ativamente e me desafia?
  • Meu Psicólogo está respeitando a ética e mantendo os limites apropriados?
  • Sinto que meu Psicólogo está me dando o que preciso e focando no que quero?

Se sua resposta para a maioria dessas perguntas for sim, pode ser um bom sinal de que ele é a pessoa certa para você. Por outro lado, se você está respondendo não à maioria dessas perguntas, então pode ser hora de procurar outro profissional.

Vamos recapitular

Ficar bravo com o Psicólogo não é incomum, e o conflito específico determina seu curso de ação.

Conflitos comuns na relação terapêutica incluem transferência e contratransferência, perturbando a qualidade da aliança terapêutica.

Se o seu Psicólogo ativa emoções desafiadoras e você sai de suas sessões sentindo frequentemente com raiva, há muitas ações a se tomar. Abordá-la com ele será útil. No entanto, se você estiver em uma situação desconfortável ou inapropriada, encerrar a terapia ou denunciar seu Psicólogo é uma opção melhor.

Você sempre pode mudar de Psicólogo ou interromper a terapia, caso não esteja recebendo o que precisa. A terapia é como qualquer relacionamento – pode levar algumas tentativas para encontrar o melhor ajuste.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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