Será que há alguma relação entre tecnologia e procrastinação?

Mulher negra segurando um notebook e encostada em uma parede de vidro

Categoria: Procrastinação

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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As pessoas acreditam que hoje nossa vida é muito mais ocupada do que no passado, mas agora a competição pela nossa atenção e comportamento aumentaram demasiadamente. Porém, será que há alguma relação entre tecnologia e procrastinação?

Sempre houve 168 horas em uma semana durante séculos, e a vida progrediu dentro desse período de tempo. Não podemos administrar o tempo; nós administramos a nós mesmos.

Outra desculpa que ouço com frequência é que a tecnologia e procrastinação tem tudo a ver, sendo a procrastinação facilitada pela tecnologia. Pode haver, sim, alguma verdade nisso, já que a maioria dos mitos tem um pequeno nível de veracidade. Por isso que eles se espalham e são acreditados: eles parecem fazer sentido.

Claramente, há algumas pessoas que experimentam uma sensação semelhante ao “vício da internet” por usar a tecnologia com tanta frequência, levando-as a procrastinar. Essa é uma preocupação séria e crescente.

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Ainda assim, a questão permanece: há alguma relação entre tecnologia e procrastinação?

Minha resposta simples, direta e abrangente é: Não.

Deixe-me responder contando uma pequena história da entrevista à mídia que fiz alguns anos atrás. Um jornalista me ligou pedindo minha opinião sobre os botões de soneca em despertadores. Despertadores? Botões de soneca? Por que me perguntar? O que eu sabia sobre eles?

O jornalista continuou, compartilhando que em 1956 os botões de soneca foram disponibilizados pela primeira vez para uso do consumidor em despertadores, e já se passaram muitas décadas desde sua primeira disponibilidade no mercado.

Além disso, ele afirmou que os botões de soneca foram a “primeira tecnologia que nos permitiu procrastinar”.

Que esperto! Que interessante!

Você vê? Pressionar o botão soneca no relógio ganha mais 8 ou 9 minutos de “sono” antes que o alarme toque novamente. Ele permite que uma pessoa procrastine de se levantar de manhã. Embora o botão soneca permita dormir mais, não foi a primeira tecnologia usada para nos ajudar a procrastinar.

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Em 1885, a Benz Motors criou o primeiro automóvel movido a gasolina. Agora, em vez de perder tempo puxando os cavalos para a carruagem e ajeitando as rédeas da carruagem, a pessoa podia simplesmente embarcar e descer a estrada por quilômetros para ver um amigo. A indústria automobilística fez as pessoas procrastinarem?

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Em 1879, Alexander Bell criou uma coisa que chamamos de telefone. Antes dessa tecnologia, uma pessoa que queria entrar em contato com outras pessoas tinha que escrever uma carta, colocá-la no correio e esperar algumas semanas antes de receber uma resposta. Agora, com essa nova ferramenta, você pode se conectar em minutos com um amigo ou familiar. O Bell Labs tornou a procrastinação mais fácil?

Meu ponto?

Não culpe os brinquedos tecnológicos de hoje por sua procrastinação. Isso é um mito. Sempre houve tecnologia para facilitar nossa vida. Essas ferramentas não são o problema. O problema é como usamos ou abusamos da tecnologia que promove a procrastinação.

Pergunte a si mesmo: seu smartphone e seus bate-papos o tornam mais produtivo? Eu suspeito que não.

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Eu ainda uso e prefiro meu antiquado planejador diário como calendário. Acho (e rio quando isso acontece) que posso mudar para uma data na minha agenda mais rápido do que outros usando calendários eletrônicos.

A tecnologia de calendário é útil? Claro, pode ser. Mas, dependendo de tanta tecnologia, podemos gastar nosso tempo focados em um brinquedo tecnológico em vez de viver a vida.

Meu amigo, afaste-se dos brinquedos tecnológicos e não os use como uma desculpa fraudulenta para não fazer as coisas. Em vez disso, concentre-se nos outros, nos relacionamentos, na comunidade.

Faça do mundo um lugar melhor, não um espaço virtual. Dizem que temos 70, 80 anos se formos fortes. Então, pergunte a si mesmo, como você deixará um legado que melhore o mundo?

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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