O que acontece com a empresa que tolera um psicopata?

Homem abotoando um terno azul

Categoria: Psicopatia

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Muito se escreve sobre psicopatas e os danos que eles causam na relações pessoais. E nos locais de trabalho? O que acontece quando uma empresa contrata, tolera e até o promove? Ele sempre vai provocar um impacto negativo?

Se uma empresa tolerar um psicopata, verá um aumento significativo em várias formas de negatividade, como conflito, abuso, intimidação e mentira. Também começará a perder sua melhor equipe, pois ele planeja implacavelmente expulsar as pessoas que vê como uma ameaça. Na pior das hipóteses, a organização irá à falência.

O psicopata não consegue deixar de desestabilizar qualquer ambiente em que é colocado. Ele agrega pouco valor, e os melhores colaboradores sairão ou serão demitidos por causa de suas intrigas.

Já é ruim o suficiente quando uma empresa está confusa e ignorante sobre a verdadeira natureza do psicopata, e não sabe que essa pessoa é o verdadeiro causador de problemas. No entanto, se a administração sabe em algum nível que essa pessoa é tóxica e continua a tolerá-la, então as coisas só vão piorar.

O psicopata intimida e isola seus alvos

Assim que um psicopata assume qualquer posição de poder sobre os outros, os piores aspectos de sua personalidade começam a aparecer.

Isso implica em intimidação mais explicita das pessoas, como gritar, xingar e outros abusos mais flagrantes. Porém, normalmente, ele é mais sorrateiro e causa danos de maneiras mais encobertas, não facilmente detectáveis ​​e puníveis pela empresa.

Isso inclui:

  • Corroer a confiança de um ou mais alvos, por meio de enfraquecimento, invalidação, zombaria e assim por diante;
  • Constantes críticas e busca de falhas. Nunca há nada certo;
  • Supergerenciamento e microgerenciamento extremos e excessivos. Desejo por controle e domínio completo sobre qualquer pessoa que esteja gerenciando;
  • Metacomunicação desrespeitosa para minar sutilmente um alvo;
  • Hipocrisia e padrões duplos, repreendendo os outros por coisas que ele mesmo faz;
  • Exclusão óbvia ou sutil de conversas ou brincadeiras em grupo;
  • Jogar as pessoas umas contra as outras;
  • Fofocas maliciosas e bobagens do tipo “ele disse que ela disse”. O psicopata se alimenta disso e não conseguem viver;
  • Constante e sistemática invalidação e enfraquecimento da percepção de uma pessoa sobre a realidade.
Leia também:  As 6 principais coisas que o psicopata odeia

Porém, o psicopata nem sempre visa a todos com esse tipo de comportamento. Ele procura aquele que é mais vulnerável à intimidação, ou então o trabalhador que está um pouco isolado e não conhece muitos outros na empresa.

Alguns tipos de gestores dão desculpas para a existência inconsciente de um psicopata do local de trabalho, alegando que ele “não tem esse problema com ninguém além de você”, ou “ninguém mais relata que ele se comporta assim”.

Isso ocorre porque o psicopatas costuma ser estratégico e inteligente com o seu alvo, escolhendo pessoas vulneráveis. Ele não vai escolher quem não toleraria seus absurdos. Na verdade, ele costuma procurar colegas de trabalho apáticos que participem de suas campanhas de difamação.

Há um aumento no conflito, divisão e abuso

O psicopata prospera nos conflitos e abusos, alimentando-se das reações emocionais negativas dos outros. Portanto, ele nunca irá harmonizar um ambiente do qual é encarregado, ou torná-lo mais tranquilo.

Qualquer departamento onde um psicopata trabalha terá um aumento de conflito, abuso, intimidação, calúnias, fofocas maliciosas, etc. Em geral, o psicopata está constantemente colocando as pessoas umas contra as outras, fazendo-as contar histórias umas sobre as outras, de uma forma sistemática que aumenta a negatividade.

Esta é a razão pela qual uma empresa nunca deve colocar um psicopata em qualquer tipo de posição gerencial. Tolerá-lo na empresa já é ruim, mas promovê-lo a uma posição em que tenha poder sobre os outros se tornará um enorme problema.

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A qualidade da força de trabalho diminui

A diminuição da qualidade da força de trabalho é uma das outras consequências ao se tolerar um psicopata na empresa. Se isso acontecer por um longo período de tempo, especialmente em uma posição gerencial, a qualidade geral de sua força de trabalho diminuirá constantemente.

Isso acontece por vários motivos:

  • Boas pessoas e bons trabalhadores, com limites saudáveis, ​​não toleram as bobagens de um psicopata, e se virem que ele está sendo tolerado em uma empresa (especialmente em uma posição gerencial), simplesmente saem e buscam um ambiente de trabalho melhor;
  • Como alternativa, pedem a transferência para um novo departamento. Embora a empresa os mantenha, esse departamento perde um bom trabalhador;
  • Seus melhores colaboradores são enganados, difamados, isolados, patologizados pelo psicopata e são demitidos porque a reputação foi muito prejudicada pelas conspirações, ou eles são injustamente culpados por um problema.
Leia também:  O que faz um psicopata sofrer?

É por isso que uma empresa deve estar atenta não apenas às formas óbvias, mas também às formas mais dissimuladas de comportamentos causadores de problemas, já que é a isso que o psicopata costuma recorrer.

Alguns sinais de alerta a serem observados:

  • Relatórios crescentes de conflito dentro de um determinado departamento/loja/área/divisão. No entanto, tenha muito cuidado com isso, pois a pessoa que mais frequentemente é culpada pode não ser o problema real, mas um bode expiatório contra o qual o psicopata conseguiu se voltar. O psicopata é mestre em inverter a realidade e desviar a culpa de si mesmo;
  • Altas taxas de transferências solicitadas de um determinado departamento/área/divisão;
  • Problemas constantes de comunicação e informação. Parece que você não está ciente todos os fatos relevantes para tomar uma justa decisão sobre uma pessoa/situação. As coisas parecem continuar sendo omitidas do feedback, de uma forma que o engana;
  • Alto nível de demissões/demissões em uma determinada área/departamento, especialmente de colaboradores anteriormente considerados bons e de alto desempenho;
  • Questões regulatórias/orçamentárias/custos provenientes de uma determinada parte da empresa que não existiam antes.

A empresa inevitavelmente irá à falência

Se uma empresa for descuidada o suficiente para colocar um psicopata no comando de uma parte realmente crítica, é melhor dizer adeus! Isso não acontece o tempo todo, os psicopatas às vezes são “descobertos” antes de irem tão longe, mas pode acontecer se as pessoas que os promovem não forem perspicazes e observadores o suficiente.

O psicopata costuma expulsar os melhores colaboradores do setor em que comanda, porque são eles que provocam inveja e o ameaçam. Ou os melhores funcionários rapidamente se cansam do comportamento destrutivo e partem para um ambiente melhor, como abordado anteriormente.

O psicopata é capaz de fingir equilíbrio por um tempo, mas eventualmente irritará fornecedores, clientes e funcionários com seu comportamento manipulador e enganoso. Se a empresa perceber o que está acontecendo com rapidez suficiente e se livrar dele, poderá salvá-la, mas não antes de sofrer um grande golpe e perder alguns dos seus melhores trabalhadores.

Um psicopata não pensa nas consequências. Ele apenas faz coisas de improviso, para ver o que acontece e pela emoção. Ele também mente, ultrapassa limites e quebra regras por capricho. Ele não é bom para coisas como conformidade regulatória, contabilidade, prevenção de fraudes e controle de custos.

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Os bons trabalhadores sofrerão

Este é um ponto moral e ético realmente fundamental que sublinha todos os outros pontos. Quando qualquer empresa tolera uma personalidade imoral e manipuladora, as pessoas boas sofrem.

Este é um contrapeso importante para o tipo de linguagem gerencial que se ouve normalmente nos locais de trabalho: “nós fazemos o que é melhor para os negócios”, “não é nada pessoal, são apenas negócios”.

O psicopata adora esse tipo de coisa, porque sabe que pode facilmente sequestrar e subverter esses princípios para justificar seu comportamento em relação aos outros. Ele têm uma habilidade incrível de pegar tudo o que lhe é dado e torcê-lo, ou distorcê-lo, de modo a atender aos seus próprios fins e ganhar mais poder sobre os outros.

Esse tipo de relativismo moral soa muito inteligente, mas por baixo de todo esse jargão as pessoas boas sofrem com culturas de trabalho que toleram e até encorajam os psicopatas. A dignidade, o respeito próprio e a autoconfiança das pessoas é corroída.

Trabalhadores de boa índole, bem-intencionados e conscienciosos são difamados e empurrados para fora enquanto o psicopata sai impune, sorrindo por dentro (e às vezes por fora). Se gabando que “saíram impunes” mais uma vez, o jorrando chavões como “não é nada pessoal”.

Portanto, não pode haver mais espaço para esse discurso insosso e moralmente relativista da gestão, nem que o psicopata é “bom para os negócios”. Porque ele não é. Locais de trabalho só ficam piores quando toleram essa pessoa. Sua mentalidade tóxica se espalha como um câncer e infesta todo um departamento, área ou empresa, e também como a personalidade patológica atrai outra personalidade patológica.

Depois de deixar algum psicopata entrar em um local de trabalho, a empresa ficará infestada delas, e toda a cultura se tornará psicopática.

É altamente recomendável reconhecê-los pela presença parasitária e cancerígena que representam, entender seus principais métodos de manipulação e se livrar deles assim que forem identificados. O psicopata nunca é bom para uma empresa a longo prazo.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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