Quantas sessões de terapia um paciente precisa?

Vários números azuis em cima um do outro

Categoria: Terapia online

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

Publicidade
Início do artigo

Quanto sessões de terapia um paciente precisa para se curar? Essa é a pergunta mais importante e comum que é feita aos Psicólogos.

A terapia requer um comprometimento significativo de esforço, tempo e dinheiro, embora não necessariamente precise ser assim. Este é um ponto essencialmente importante, porque normalmente o fator tempo tem grande influência no impedimento para alguém procurar a terapia, depois do dinheiro.

Ao discutir a quantidade de sessões necessárias, os Psicólogos geralmente respondem com “isso depende”. Na maioria dos casos é antiético especificar um tempo exato, porque leva a falsas promessas ou baseia-se em informações incompletas sobre o paciente e sua situação.

Situação proibida pelo Art. 20, parágrafo “e” do Código de Ética Profissional do Psicólogo:

Publicidade
  • Art. 20 – O psicólogo, ao promover publicamente seus serviços, por quaisquer meios, individual ou coletivamente:
    • e) Não fará previsão taxativa de resultados;

Os determinantes no tempo de terapia

Dito isso, existem vários outros fatores que influenciam no tempo em que um paciente permanecerá em terapia, como:

  • Os problemas com os quais ele está procurando ajuda, incluindo: quantos existem, quão complexos são e há quanto tempo luta contra eles;
  • O tipo de terapia que o Psicólogo oferece. Algumas são conhecidas por serem breves, até 12 ou 20 sessões, enquanto outras são de longo prazo;
  • A definição de bem-estar, que indica quando a terapia está concluída ou a impressão do Psicólogo sobre como as coisas estão para o paciente;
  • O repertório atual de habilidades de enfrentamento e com que eficácia o paciente as coloca em prática;
  • O nível atual de apoio de amigos ou entes queridos influencia o quão resilientes o paciente quando se trata de desafios da vida;
  • A decisão de incluir ou não medicamentos como complemento ao tratamento;
  • O histórico com terapia. É comum que aqueles que se beneficiaram dela no passado procurem um Psicólogo novamente.
Leia também:  A Psicologia por trás das faltas na sessão de terapia

Outros fatores menos determinantes

Embora não seja a mesma questão de quanta terapia o paciente vai precisar, a duração do tempo também é influenciada por:

  • Uma antipatia pelo Psicólogo ou pelos métodos utilizados, fazendo com que o paciente encerre a terapia antes de atingir os objetivos;
  • Uma dependência emocional do Psicólogo que fará o paciente querer “aguentar” por mais tempo do que o realmente necessário;
  • Fatores situacionais como doença, mudanças geográficas, financeiras ou nas circunstâncias da vida;
  • Conduta profissional antiética, que é mais uma exceção do que a regra: o Psicólogo vende uma quantidade desnecessárias de sessões, ou continuar com o paciente quando o aconselhamento não é mais necessário, vioando o Art. 2, parágrafo “n” do Código de Ética Profissional do Psicólogo:
    • Art. 2º – Ao psicólogo é vedado:
      • n) Prolongar, desnecessariamente, a prestação de serviços profissionais;

Algumas dicas

Com tudo isso dito é importante entender que a quantidade de sessões de terapia que o paciente recebe não está fora de seu controle. Se ele tem uma quantidade específica de sessões em mente, aqui estão algumas dicas que vão ajudar:

  • Discutir com o Psicólogo qual a quantidade de sessões parece mais sensato e pedir um feedback;
  • Se o paciente tem um orçamento, ou está usando um plano de saúde no qual não quer exceder, é bom informar o Psicólogo com antecedência;
  • Ser realista sobre o escopo da terapia. Se o paciente só puder se comprometer com uma quantidade limitada de sessões, obterá mais valor da experiência se iniciar com um problema específico;
  • Se o problema for complexo ou o paciente tiver várias áreas de preocupação, não é adequado a terapia de curto prazo. Muitos tipos de experiências traumáticas se enquadram nessa categoria;
  • Conversar com o Psicólogo sobre o progresso e pedir feedback ao longo do caminho. Isso cria uma compreensão sobre o quanto mais terapia o paciente precisa;
  • O compromisso e a capacidade de cumprir a lição de casa na terapia têm um efeito dramático na redução da quantidade de sessões;
  • Se o paciente estiver procurando uma terapia mais intensiva ou de longo prazo, é bom informar o Psicólogo desde o início, para que ele informe se há espaço em sua agenda;
  • O paciente pode decidir quando a terapia termina, independente de qualquer motivo. Obviamente, é sempre melhor informar o Psicólogo para que ele ajude a concluir esse processo de maneira significativa.

Como visto, fazer terapia não precisa ser para sempre. O paciente tem total liberdade para decidir quando iniciá-la e também quando terminá-la.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Artigos relacionados

Avatar do Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.