Aprendendo a superar sozinho um trauma emocional e psicológico

Uma mulher abraçada e consolando outra mulher

Categoria: Trauma

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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O trauma emocional e psicológico é o resultado de eventos extraordinariamente estressantes, que abalam a sensação de segurança e provocam impotência em um mundo perigoso. Ele provoca emoções perturbadoras, memórias e ansiedade persistentes, bem como entorpecimento e incapacidade de confiar em outras pessoas.

As experiências traumáticas geralmente envolvem uma ameaça à vida ou à segurança. Contudo, qualquer situação que provoque sobrecarga e isolamento pode resultar em trauma, mesmo que não envolva danos físicos.

Não são as circunstâncias objetivas que determinam se um evento é traumático, mas sua experiência emocional subjetiva do evento. Quanto mais assustado e desamparado alguém se sentir, maior a probabilidade de haver um trauma.

O trauma emocional e psicológico pode ser causado por:

  • Eventos únicos, como um acidente, ferimento ou ataque violento, especialmente se for inesperado ou ocorrido na infância;
  • Estresse contínuo e implacável, como morar em um bairro dominado pelo crime, lutar contra uma doença com risco de vida ou vivenciar eventos que ocorrem repetidamente, como bullying, violência doméstica ou negligência na infância ou;
  • Causas comumente negligenciadas, como cirurgia (especialmente nos primeiros 3 anos de vida), a morte repentina de alguém próximo, o rompimento de um relacionamento significativo ou uma experiência humilhante ou profundamente decepcionante, especialmente se alguém foi deliberadamente cruel.

Lidar com o trauma de um desastre natural ou causado pelo homem pode apresentar desafios únicos, mesmo se a pessoa não estiver diretamente envolvida no evento. Na verdade, embora seja altamente improvável que algum de nós seja vítima direta de um ataque terrorista, acidente de avião ou tiroteio em massa, por exemplo, todos somos regularmente bombardeados por imagens desse tipo.

Seja qual for a causa, independente que tenha acontecido ontem ou anos atrás, é possível superar sozinho um trauma emocional e psicológico e seguir em frente com sua vida.

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Causas do trauma emocional e psicológico

Eventos traumáticos acontecem mais facilmente se a pessoa já estiver sob uma forte carga de estresse, sofrido recentemente uma série de perdas ou algum outro trauma antes, especialmente se ele ocorreu na infância.

O trauma emocional e psicológico na infância é resultado de qualquer coisa que perturbe a sensação de segurança, incluindo:

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  • Um ambiente instável ou inseguro;
  • Separação de um dos pais;
  • Doença grave;
  • Procedimentos médicos invasivos;
  • Abuso sexual, físico ou verbal;
  • Violência doméstica e;
  • Negligência.

Experimentar um trauma emocional e psicológico na infância resulta em um efeito grave e duradouro. Quando não resolvido, uma sensação de medo e desamparo acompanhará a pessoa até a idade adulta, deixando-a mais sensibilizada para mais traumas.

No entanto, mesmo que ele tenha ocorrido há muitos anos, existem etapas a seguir que ajudam a superar a dor, aprender a confiar e se conectar com os outros novamente e recuperar o senso de equilíbrio emocional.

Sintomas do trauma emocional e psicológico

Os sintomas do trauma geralmente duram de alguns dias a alguns meses, desaparecendo gradualmente à medida que o evento perturbador é processado. Mas, mesmo quando a pessoa já está se sentindo melhor, ela pode ser incomodado de tempos em tempos por lembranças ou emoções dolorosas, principalmente em resposta a gatilhos como o aniversário do evento ou algo que lembre do trauma.

Todos nós reagimos ao trauma de maneiras diferentes, experimentando uma ampla gama de reações físicas e emocionais. Não existe uma maneira “certa” ou “errada” de pensar, sentir ou responder, então não julgue suas próprias reações ou as de outras pessoas.

Sintomas psicológicos e emocionais:

  • Choque, negação ou descrença;
  • Confusão e dificuldade de concentração;
  • Raiva, irritabilidade, alterações de humor;
  • Ansiedade e medo;
  • Culpa, vergonha, auto-culpa;
  • Afastamentos dos outros;
  • Sentir-se triste ou sem esperança;
  • Sentindo-se desconectado ou entorpecido.

Sintomas físicos:

  • Insônia ou pesadelos;
  • Fadiga;
  • Se assustar facilmente;
  • Dificuldade de concentração;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Irritação e agitação;
  • Dores e;
  • Tensão muscular.

Se os sintomas do trauma emocional e psicológico não diminuírem, ou se piorarem, e a pessoa não consegue superar o evento depois de um período prolongado de tempo, então ela pode estar sofrendo de Transtorno de Estresse Pós-Traumático.

Embora o trauma emocional seja uma resposta normal a um evento perturbador, ele se torna um transtorno quando o sistema nervoso fica “travado” e a pessoa permanece em um estado constante de choque psicológico, sendo incapaz de entender o que aconteceu ou processar suas emoções.

Leia também:  Quais os sinais e sintomas do trauma psicológico?

Independentemente de um evento traumático envolver morte ou não, é fundamental lidar com a perda, pelo menos temporariamente. A reação natural a essa perda é a dor.

Recuperando-se de um trauma emocional e psicológico

Assim como outras pessoas que perderam um ente querido, é preciso passar por um processo de luto. As dicas a seguir vão ajudá-lo a lidar com o sentimento de luto, curar-se do trauma emocional e psicológico e seguir em frente.

Coloque-se em movimento

O trauma emocional e psicológico interrompe o equilíbrio natural do corpo, deixando a pessoa congelada em um estado de hiperexcitação e medo. Além de queimar adrenalina e liberar endorfinas, exercícios e movimentos ajudam a reparar o sistema nervoso.

Em vez de se concentrar apenas nos pensamentos ou se distrair enquanto se exercita, também é fundamental concentra-se no corpo e em como ele se manifesta ao se mover.

É importante observar a sensação dos pés batendo no chão, por exemplo, o ritmo da respiração, ou a sensação do vento na pele. Escalada, boxe, musculação ou artes marciais facilitam isso. Afinal, é necessário se concentrar nos movimentos do corpo durante essas atividades para evitar lesões.

Evite o isolamento

Após um trauma, a pessoa pode querer se afastar dos outros, mas isolar-se só piora as coisas. Conectar-se com outras pessoas pessoalmente ajuda na cura, então é necessário manter os relacionamentos e evitar passar muito tempo sozinho.

Conectar-se com outras pessoas não envolve a necessidade de falar sobre o trauma. Na verdade, para algumas pessoas, isso só piora as coisas. O conforto vem de se sentir engajado e aceito pelos outros.

Também é importante ter alguém com quem compartilhar os sentimentos, alguém que ouça com atenção e sem julgamento, como um familiar, amigo, conselheiro ou clérigo de confiança.

Participar de atividades sociais é uma ótima opção, mesmo que não se tenha. Atividades que nada têm a ver com a experiência traumática.

Autorregule o sistema nervoso

Não importa o quão agitado, ansioso ou descontrolado a pessoa se sinta, é importante saber que é possível mudar seu sistema de excitação e se acalmar. Isso não apenas ajuda a aliviar a ansiedade associada ao trauma, mas também gera um maior senso de controle.

Se a vítima do trauma está se sentindo desorientada, confusa ou chateada, praticar a respiração consciente é uma maneira rápida de se acalmar.

Leia também:  As 7 consequências pouco conhecidas de um trauma psicológico

Uma visão, cheiro, sabor específico, acariciar um animal ou ouvir música são capazes de acalmar. Todo mundo responde à entrada sensorial de maneira um pouco diferente, então vale a pena experimentar e descobrir diferentes técnicas de alívio do estresse.

Cuide da saúde física

Ter um corpo saudável aumenta a capacidade de lidar com o estresse do trauma. Após uma experiência traumática, a preocupação ou o medo perturbam os padrões de sono, e a falta de sono de qualidade intensifica os sintomas e dificulta a manutenção do equilíbrio emocional.

O uso de álcool e drogas piora os sintomas do trauma emocional e psicológico e aumenta os sentimentos de depressão, ansiedade e isolamento. Portanto, é essencial evitá-los.

Comer refeições pequenas e bem balanceadas ao longo do dia ajuda a manter a energia alta e minimiza as mudanças de humor. Evitar alimentos açucarados e fritos, e comer muitas gorduras ômega-3, como salmão, nozes, soja e linhaça melhoram o humor.

As técnicas de relaxamento, como meditação, ioga ou exercícios de respiração profunda também ajudam. Também deve-se reservar um tempo para atividades que proporcionem alegria, como passatempos favoritos.

Quando procurar ajuda profissional?

Recuperar-se de um trauma emocional e psicológico leva tempo e cada um se cura em seu próprio ritmo. Mas, se meses se passaram e os sintomas não diminuíram, é hora de buscar ajuda profissional de um Psicólogo.

Procurar ajuda para um trauma emocional e psicológico é necessário quando:

  • Sofrer de medo severo, ansiedade ou depressão;
  • Sentir-se incapaz de formar relacionamentos íntimos e satisfatórios;
  • Experimentar memórias aterrorizantes, pesadelos ou flashbacks;
  • Evitar cada vez mais qualquer coisa que te lembre do trauma;
  • Sentir-se emocionalmente entorpecido e desconectado dos outros e;
  • Usar álcool ou drogas para se sentir melhor.

Trabalhar com o trauma emocional e psicológico é assustador, doloroso e potencialmente traumatizante, portanto, esse trabalho de cura é melhor realizado com a ajuda de um Psicólogo especialista.

Encontrar o profissional certo pode levar algum tempo. Mas, é muito importante que ele tenha experiência no tratamento de traumas, e a qualidade do relacionamento seja visto como igualmente importante.

Lembre-se que, apesar de todas essas dicas, se o problema persistir é fundamental buscar ajuda de um profissional de saúde mental qualificado.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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