As 7 consequências pouco conhecidas de um trauma psicológico

Duas mulheres se abraçando durante uma terapia em grupo

Categoria: Trauma

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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O trauma psicológico é uma ferida que simplesmente não podemos vê-la tão tão claramente quanto as feridas físicas, mas que se manifesta de formas mais encobertas. Se o entendêssemos melhor enquanto sociedade, nos curaríamos mais rápido e sofreríamos menos.

Felizmente, as consequências a seguir são tratáveis ​​usando a terapia. Elas não são uma sentença de prisão perpétua. Aqui está o que muitos não sabem:

O trauma complexo

Muitos nunca ouviram falar de trauma complexo, mas ele supera o transtorno de estresse pós-traumático na gravidade dos sintomas. Envolve uma significativa dificuldade com regulação emocional, relacionamentos, autoidentidade e fragmentação do eu.

Embora os efeitos do trauma psicológico não esteja nos eventos em si, mas em como o corpo e a mente os interpreta, o trauma complexo surge de eventos traumáticos que ocorrem de forma prolongada e contínua, geralmente no início da vida.

Geralmente é infligido interpessoalmente, por humanos, em vez de desastres naturais ou acidentes de carro, como cuidadores e figuras de apego que deveriam ser solidárias e protetoras, e nas quais a vítima praticamente não tem chance de escapar.

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Impacto psicológico do trauma

Os efeitos posteriores de uma experiência traumática dominam a vida das pessoas que lidam com o transtorno de estresse pós-traumático diagnosticável ou trauma complexo. A falta de conexão, invasões, evitação, dificuldade de concentração, sono irregular e hipervigilância tornam-se tão perturbadores que criam grande prejuízo social, emocional e ocupacional.

Essa reexperiência involuntária do trauma é uma tentativa da mente de integrar e processar o conteúdo perturbador em direção a uma resolução que pareça completa, enfatizando o propósito adaptativo dos sintomas.

Infelizmente, conforme a mente se esforça para resolver o que aconteceu, seus esforços se tornam contraproducentes. A revivência automática reproduz involuntariamente muitos aspectos mais horripilantes, e amplificam o risco de exposição a eventos traumáticos futuros.

Danos aos sistemas de processamento de informações

O trauma psicológico reconfigura o sistema de processamento de informações do cérebro para interpretar estímulos não ameaçadores como ameaçadores. Isso torna mais difícil atender a informações novas ou essencialmente não ameaçadoras, bem como regular a atenção e a concentração.

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É por isso que as memórias traumáticas são armazenadas “disfuncionalmente”, de forma desarticulada e desintegrada, separadas das informações adaptativas e outras experiências positivas ou autoconhecimento.

A desintegração da informação é o que impede que um determinado evento traumático se resolva naturalmente, e o que torna aspectos específicos das memórias traumáticas separados do senso de identidade da pessoa.

Nesse sentido, memórias traumáticas tornam-se essencialmente alojadas psicologicamente como “emoção atemporal e sensação corporal”. Portanto elas, mesmo anos e décadas depois, tem implicações psicológicas e fisiológicas significativas.

O trauma psicológico e as relações interpessoais

O trauma psicológico aumenta nossa necessidade por relacionamentos íntimos, com pessoas acessíveis, receptivas e emocionalmente engajadas. No entanto, ele também pode corroer o desenvolvimento, a sensação de segurança e a confiança que promovem e mantêm o apego seguro. A conexão profunda é o que mais ajuda a curar o trauma, e a violação dessa conexão é a raiz do trauma.

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O trauma não tratado enfraquece os vínculos, não apenas no sentido interacional, mas também em sua identidade subjetiva, no propósito dos relacionamentos e em sua intimidade emocional.

O dano que um trauma não tratado causa nos relacionamentos se generaliza não apenas para o apego imediato, mas também para a rede social e a comunidade. Isso resulta em sobreviventes desejando intimidade emocional com urgência, e ao mesmo tempo recuando de seus relacionamentos íntimos.

Para os parceiros das vítimas de trauma, é desanimador e confuso, além de ficarem mais propensos a sentir desamparo e vergonha ao testemunharem a dor e o desamparo do outro.

O trauma secundário

Muitos parceiros, familiares e, às vezes, amigos de vítimas de traumas sofrem o chamado trauma secundário. Trauma secundário é quando uma pessoa que não sofreu o evento experimenta os mesmos sintomas relacionados à experiência do ente querido. Por isso que é vital que os sobreviventes compartilhem suas experiências e seus efeitos.

Qualquer forma de sofrimento relacional piora os sintomas. Mesmo casais comprometidos e amorosos se tornam suscetíveis a uma série de ciclos de feedback, onde os sintomas do trauma psicológico agravam o relacionamento, ou o sofrimento do casal e vice-versa.

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Crenças e suposições destruídas

Embora não seja regra para todas as vítimas, o trauma não tratado altera o senso de identidade de um indivíduo como merecedor de compaixão, honestidade e respeito, e o mundo como fundamentalmente previsível, justo e seguro.

O trauma também desafia a conexão com os outros e autonomia geral, resultando em impotência, regressão a um estado infantil de funcionamento, insegurança e vergonha.

Impacto fisiológico do trauma psicológico

O trauma psicológico não tratado altera o funcionamento dos sistemas autônomo, endócrino e nervoso central, ocasionando mudanças cerebrais estruturais na parte límbica e no hipocampo, regiões responsáveis pelo processamento de memórias e emoções.

Ele também modifica o funcionamento de neurotransmissores responsáveis ​​pela regulação do estresse, epinefrina e norepinefrina. Por exemplo, imagens cerebrais mostram que, quando vítimas do trauma psicológico têm flashbacks, as regiões ligadas à linguagem e à comunicação ficam inativas, fornecendo evidências convincentes de que traumas não tratados prejudicam a codificação linguística.

Assim, os cérebros de pessoas que lutam contra um trauma psicológico regridem a um estado de funcionamento primitivo, impulsionado pelo sistema límbico e prejudicando o processamento lógico e de ordem superior do neocórtex associado ao funcionamento saudável.

Agora, com tudo isso esclarecido, quando você ver alguém sofrendo, ao invés de perguntar: “o que há de errado com ela?”, pergunte: “o que aconteceu com ela?”

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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