O que a maioria das pessoas não sabe sobre trauma psicológico

Mulher sentada em um sofá com as pernas encolhidas

Categoria: Trauma

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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A palavra trauma vem do latim, que significa “ferida”. Enquanto na medicina a palavra “trauma” refere-se a danos físicos em partes do corpo, o trauma psicológico refere-se a qualquer evento passado que crie dificuldades e prejuízos significativos no presente, pelo menos um mês depois de ocorrido.

Os efeitos posteriores de uma experiência traumática tendem a dominar a vida da maioria das pessoas que lidam com um trauma psicológico diagnosticável. A falta de conexão, intrusões, evitação, dificuldade de concentração, sono irregular e hipervigilância se tornam tão perturbadores que criam grande prejuízo social, emocional e ocupacional para a maioria dos pacientes.

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Muitos pensam, equivocadamente, que a gravidade do trauma psicológico é sobre o que aconteceu quando, na realidade, é mais sobre como a mente e o corpo registram o fato. Não precisa ser tão grave quanto um episódio de violência, mas também, em alguns casos, ser o modo como alguém olhou para você depois que cometeu um erro.

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Certas lesões são mais graves do que outras. Parece mais fácil administrar e tratar uma ferida ou doença física, especialmente uma que seja visível como um arranhão, dedo quebrado, tosse ou coriza. Assim como com feridas físicas, feridas psicológicas ou traumas simplesmente precisam de um pouco de espaço e tempo para curar.

Outras feridas psicológicas exigem intervenção profissional. Infelizmente, existe um viés pernicioso em nosso mundo de que o trauma físico é pior do que o trauma psicológico. Isso nem sempre é o caso, e muitas vezes não é.

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Por serem visíveis aos nossos cinco sentidos, as feridas físicas têm maior probabilidade de serem compreendidas e validadas como dolorosas pelas outras pessoas. Infelizmente, quando uma ferida psicológica é sistematicamente invalidada por outras pessoas, ela vai aumentar de dor, semelhante a aplicar sal em um corte ou jogar lenha no fogo.

Todos nós já ouvimos coisas do tipo: “deixe isso no passado” ou “supere isso” ao sofrer por causa de algo que ainda nos afeta significativamente. Essas banalidades, embora muitas vezes bem-intencionadas, nunca ajudam. O sobrevivente de um trauma psicológico já está sofrendo o suficiente.

É como chamar uma pessoa com uma perna quebrada de “fraca” porque ela não consegue correr; agravando o trauma já existente e acrescentando insulto à injúria. Assim, as vítimas não sofrem porque são fracas, mas porque estão feridas.

Assim, a intervenção feita por um Psicólogo é como colocar gesso no osso quebrado, e permitir a cicatrização adequada.

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Infelizmente, grande parte do público leigo não vê dessa forma ou não entende como ou por que o trauma psicológico tem um impacto negativo duradouro em alguém. O tratamento ainda é recente, e ela não foi oficialmente reconhecida como uma dificuldade emocional significativa até 1980.

Felizmente, a cura é muito possível e não precisa levar muito tempo. Muitas terapias direcionadas para o trauma são de curto prazo e altamente eficazes. Agora que você já sabe, há uma pequena coisa que pode fazer para reduzir o sofrimento no mundo: eu recomendaria que não minimizasse o trauma psicológico dos outros; seja curioso, solidário, validador e compassivo quando alguém arriscar contar sobre um evento passado doloroso.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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