Razões pelas quais é difícil buscar apoio após um trauma

Uma mulher oferecendo suporte para a vítima de um trauma

Categoria: Trauma

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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A vítima de um trauma geralmente se sente desconectada das pessoas ao seu redor, incluindo entes queridos.

Na verdade, um dos sintomas amplamente reconhecidos do Estresse pós- traumático é o distanciamento social.

Os profundos sentimentos de isolamento, que frequentemente acompanham a experiência de um evento traumático, resultam:

  • Da natureza do trauma;
  • De sua gravidade e cronicidade;
  • Nos casos de trauma interpessoal, da relação com o perpetrador.

Após a adversidade, a vítima precisará do apoio adicional de todos ao seu redor, tanto para lidar com os desafios de um sistema nervoso hiperativado quanto buscar ajuda profissional.

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Apesar de tudo, existem algumas razões pelas quais a vítima acredita ser difícil buscar, e até mesmo aceitar apoio.

Embora esse comportamento seja confuso e frustrante para os entes queridos, entender os motivos promoverão a reconexão:

Vergonha e constrangimento

Embora a discussão sobre o trauma e suas consequências tenha se tornado predominante na sociedade, muitos ainda equiparam as respostas ao trauma com fraqueza.

Consequentemente, a vítima teme ser vista como fraca por apresentar sintomas.

Ela sente pânico em situações sociais, é incapaz de sentir alegria ou excitação da maneira que costumava sentir.

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A vergonha e o constrangimento costumam acompanhar o trauma, seja devido à culpabilização da vítima no nível social, ou à autoculpa internalizada pela incapacidade de controlar as respostas emocionais e fisiológicas do trauma.

Temor do julgamento

A vítima de trauma reluta em procurar ajuda por medo de ser julgada. Declarações que não dão suporte variam em nuances e intensidade, de “Poderia ser pior” a “Se você não tivesse feito X, isso não teria acontecido”.

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Uma vítima de trauma de infância que não é validadas na época, que é culpada pelo que aconteceu ou que foi julgada como falsa, teme pedir ajuda na idade adulta.

Medo de perder o controle

A vítima de trauma evita quaisquer pensamentos e sentimentos relacionados à sua experiência, por medo de que lembranças ou conversas sobre o que aconteceu desencadeiem respostas emocionais incontroláveis.

Como resultado, ela não procura ajuda e tentar manter uma aparência de estabilidade, de modo a não se tornar desregulada.

Receio de sobrecarregar os outros

Já ouvi vítima de trauma dizer: “Não quero que saibam o que passei”, por medo de traumatizar as pessoas ao seu redor.

Este é especialmente o caso da vítima que teve cuidadores inúteis na infância.

Um pai incapaz de lidar com as emoções de um filho pode, inadvertidamente, ensiná-la de que é incapaz de oferecer ajudar em momentos de necessidade.

Congelamento da resposta

A resposta de congelamento é uma reação orquestrada pelo sistema nervoso autônomo no momento do trauma, mas também ocorre em um episódio mais prolongado.

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Na idade adulta, manifesta-se como falta de motivação, indecisão, “preguiça” ou estagnação na vida.

A vítima que experimenta uma resposta prolongada de congelamento não apenas resiste em procurar ajuda, mas também tem problemas para identificar o que precisa.

Palavras finais

O apoio e a aceitação dos entes queridos desempenham um papel fundamental no processo de recuperação do trauma.

No entanto o trauma, por sua natureza, força a vítima ao isolamento e ao distanciamento emocional.

É importante não apenas reconhecer por que é desafiador para a vítima buscar ajuda, mas também validar seus sentimentos de vulnerabilidade, e que a impede de se abrir sobre suas lutas.

Tenha em mente que, embora a vítima não esteja articulando ativamente uma necessidade de ajuda, essa necessidade realmente existe, e o retraimento emocional é o sinal disso.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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