Recuperando-se de uma experiência traumática

Mulher com a perna imobilizada e andando com muletas

Categoria: Trauma

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

Publicidade
Início do artigo

Nem todos que passam por uma experiência traumática ficam marcados por ela. A psique humana tem uma tremenda capacidade de recuperação e até de crescimento, desde que as emoções dolorosas sejam completamente processadas.

Os sentimentos de trauma não podem ser reprimidos ou esquecidos, e se não forem tratados diretamente, a angústia e os eventos perturbadores se repetirão continuamente ao longo da vida, criando uma condição conhecida como transtorno de estresse pós-traumático .

Quaisquer que sejam os recursos internos que as pessoas precisam mobilizar para a recuperação, elas não podem fazer isso sozinhas. Depressão e trauma são distúrbios desconectados. Eles não melhoram isoladamente e, para corrigi-los, é necessário estar conectado a outras pessoas.

A experiência direta com eventos traumáticos mostra que existem quatro estágios básicos na recuperação de um estresse profundo. A progressão através de todos os estágios é essencial para a recuperação.

Publicidade

Estágio um: a quebra do ciclo

O sistema nervoso humano é um sistema elétrico e, quando sobrecarregado com muita estimulação e muito perigo, como no trauma, desliga o básico. As pessoas descrevem isso como uma sensação de dormência ou choque.

Leia também:  O que é um trauma emocional?

Intelectualmente, você perde de 50% a 90% da capacidade cerebral, e é por isso que nunca deve tomar uma decisão quando estiver “na zona do trauma”.

Fisicamente, todos os sistemas são desligados e você executa o básico. O que é intrigante é que os sintomas físicos que antes eram proeminentes desaparecem durante esse período. Dor nas costas, enxaquecas, artrite e até acne desaparecem. Então, quando a recuperação do trauma está completa, os sintomas físicos retornam.

Quando o sistema começa a se recuperar e pode lidar com um pouco mais de estimulação e energia, e o sistema humano está destinado a tentar se recuperar, a buscar o equilíbrio, os sentimentos voltam.

Estágio dois: retorno dos sentimentos

A maioria da população não experimenta um trauma a ponto de precisar de um Psicólogo. Elas trabalham seus sentimentos envolvendo pessoas próximas, contando sua história uma centena de vezes. Esse é o meio pelo qual começam a dissipar os sentimentos de angústia ligados às memórias.

Quanto mais esses sentimentos forem encorajados, melhor. Quanto mais alguém sente, mais ela se cura.

A expressão de sentimentos assume muitas formas. Para a maioria, pode ser mais fácil falar. Mas outros podem precisar escrever, ou desenhar. Não importa como a história é contado.

Leia também:  Aprendendo a superar sozinho um trauma emocional e psicológico

É sempre útil revisitar a cena da destruição. Isso permite que alguém que foi impactado experimente emocionalmente o evento e compreenda a realidade dele. Essa experiência direta estimula o retorno do sentimento.

Por outro lado, para alguns isso é muito perturbador, enquanto outros precisarão do apoio de entes queridos para revisitar a cena.

Estágio três: ação construtiva

As pessoas precisam agir, mesmo das menores formas. Agir restaura uma sensação de controle e neutraliza diretamente a sensação de impotência, que é a assinatura da experiência traumática.

As formas de atuação são muitas:

  • Escrever uma carta para a equipe de resgate;
  • Doar sangue;
  • Fazer um cartão para quem perdeu entes queridos;
  • Fazer uma doação para a Cruz Vermelha;
  • Acolher crianças cujas famílias não conseguem contatá-las;
  • Ajudar uma pessoa que está fora de controle a ficar mais firme durante a crise.

Você fará o que pode e nunca assumirá que qualquer gesto é pequeno demais. Vá para o que está mais próximo, e onde pode fazer a diferença. Escreva sobre a catástrofe ou crie alguma obra de arte sobre ela.

O estágio dois e o três andam de mãos dadas. Para seguir em frente, você sente e age. Não há como fazer um ou outro. Ambos se tornam um motor que o impulsionará para frente.

Estágio quatro: reintegração

Na esteira da crise é possível aprender e crescer a taxas 100 vezes mais rápidas do que em qualquer outro momento.

Leia também:  As 7 consequências pouco conhecidas de um trauma psicológico

Você pode aprender muito após uma experiência traumática, interagindo e trabalhando na busca pelo significado da experiência difícil. Aqueles que têm a coragem de vivenciar e compartilhar sua dor, também têm a oportunidade de compartilhar o crescimento.

Todos que passam por esse processo acabam melhores, mais fortes, mais inteligentes, mais profundos e mais conectados. É como ter um osso quebrado. Se cicatrizar adequadamente, ele fica mais forte no local fraturado do que antes da lesão.

Experiências traumáticas são ossos quebrados da alma. Se você se envolver no processo de recuperação, ficará mais forte. Do contrário permanecem porosos, com buracos permanentes no interior, e você ficará consideravelmente mais fraco.

Nesse estágio de recuperação, reintegrará seu eu e seus valores de uma nova maneira. Irá incorporar significado em sua vida e integrar formas mais profundas e autênticas de comunicação.

As pessoas nesse estágio experimentam um novo senso de preciosidade da vida, um esclarecimento dos objetivos, um compromisso renovado com eles e uma nova compreensão do valor dos laços com os outros.

Mas, para chegar ao estágio quatro você tem que passar pelos três primeiros estágios.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Artigos relacionados

Avatar do Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *