Revivendo o trauma de apego nos relacionamentos românticos

Mulher com a cabeça abaixada e abraçando um homem

Categoria: Trauma

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

Publicidade
Início do artigo

Crianças que crescem vivenciando traumas como algo “normal” aprendem a transformar comportamentos disfuncionais em funcionais. Esse condicionamento ocorre por meio do processo de modelagem e imitação.

A partir daí generalizam para outras áreas da vida o comportamento, incluindo como se veem, o tipo de amigos que escolhem e a qualidade de seus relacionamentos românticos.

O trauma de apego afeta o senso de segurança e o pertencimento de uma criança. Pode levar anos para curar as feridas causadas ​​pela infância traumática. No entanto, mesmo que uma pessoa saiba conscientemente como ela afeta as escolhas de relacionamento, pode não “ver” o quadro geral, ou como esses padrões tendem a se manifestar.

Por exemplo, alguns percebem que são atraídos pelo mesmo “tipo” de parceiro, criando dinâmicas semelhantes de um relacionamento para outro. O que não é visto é como os parceiros escolhidos compartilham estilos de personalidade, peculiaridades comportamentais, ou experiências traumáticas anteriores semelhantes às deles.

Padrões cíclicos, temas, comportamentos ou hábitos que se repetem de um relacionamento para outro são identificados como reencenação de trauma. Existem três tipos específicos de reencenação de trauma:

  • Revitimização;
  • Reencenação de negligência e;
  • Reencenação de trauma de apego.
Leia também:  Como os traumas não resolvidos ocasionam os conflitos?

Revitimização

Você já notou como algumas pessoas escolhem parceiros que se parecem com seus pais? Eles compartilham características físicas semelhantes, como altura, peso ou nacionalidade. Também compartilham traços de personalidade, padrões comportamentais, atitudes ou traços de caráter que ressoam com um pai abusivo ou negligente.

Esse padrão é chamado de “imprinting”, onde nosso estilo de apego adulto reflete o trauma inicial. As teorias psicanalíticas e comportamentais referem-se a uma “atração” inconsciente por nosso trauma inicial, como compulsão à repetição ou uma compulsão para repetir as feridas de desenvolvimento.

Se houver um padrão de revitimização nos relacionamentos românticos de uma pessoa, provavelmente ele é baseado na escolha inconsciente (ou às vezes consciente) de parceiros que desencadeiam feridas de apego não curadas, como abandono, traição, abuso ou negligência.

Por exemplo, independentemente da aparência física, o parceiro pode invalidar externamente, desdenhar ou fazer a pessoa se sentir invisível ou não ouvida, como um cuidador negligente que ela teve nos primeiros anos. Ou, uma pessoa pode inconscientemente procurar parceiros narcisistas, impulsivos, imprevisíveis, ou emocionalmente voláteis como “seguro”, porque ressoa com seu trauma de apego inicial.

Tendemos a gravitar inconscientemente para o que é confortável, mesmo que seja tóxico para nossa saúde psicológica ou crescimento emocional.

Reencenação de negligência

Crescer com um histórico de negligência emocional ou física coloca uma pessoa em maior risco de repetir inconscientemente esse padrão em seus relacionamentos românticos, incluindo riscos aumentados de comportamento patológico em relação ao amor.

Por exemplo, uma pessoa pode ser inconscientemente atraída para abandonar parceiros por causa do trauma de abandono que experimentou na infância. Se o medo do abandono for desencadeado, a pessoa persegue o parceiro em busca de validação, torna-se “pegajosa” ou excessivamente carente, criando assim uma profecia autorrealizável de reencenar um trauma de abandono precoce.

Leia também:  Por que as pessoas se automutilam e o que fazer a respeito?

Da mesma forma, uma pessoa com uma história inicial de abandono interpreta erroneamente a necessidade de espaço ou de tempo do parceiro para si como sendo um abandono. Isso desencadeia um padrão de comportamento autodestrutivo ao substituir impulsivamente esse relacionamento por um novo.

Reencenação de trauma de apego

Quando o trauma de apego precoce é reencenado, ele se baseia na transmissão intergeracional de abuso, negligência, abandono ou traição. Esse padrão é observado em pais que desconhecem o próprio trauma, ou optaram por não curá-lo e, assim, transmitiram algo semelhante a seus próprios filhos.

Estratégias de enfrentamento desfuncionais vistas em um trauma intergeracional incluem:

  • Viver compulsões comportamentais;
  • O uso de positividade tóxica para minimizar e negar os efeitos do trauma e;
  • O uso da negação, onde experiências traumáticas são não reconhecidas.

Invalidar as experiências de um membro gera mais traumas, seja pela exposição repetida aos mesmos tipos de trauma ou pelo afastamento da família como resultado.

Padrões comuns de trauma intergeracional incluem:

  • Promoção da codependência e incapacidade de ficar sozinho;
  • Ciclos de abuso;
  • Negligência;
  • Abandono;
  • Traição;
  • Pobreza;
  • Abuso de substâncias ou álcool;
  • Divórcio;
  • Trauma oculto ou não identificado, que é implicitamente ensinado de uma geração para a outra.
Leia também:  As 7 consequências pouco conhecidas de um trauma psicológico

Por exemplo, o medo de abandono decorrentes do trauma de infância de um dos pais são transmitidos a seus filhos, por meio de crenças ou comportamentos desadaptativos aprendidos, como uma necessidade constante de estar em um relacionamento romântico para se sentir digno ou ter valor.

Isso, por sua vez, condiciona os filhos a manterem os mesmos medos, as mesmas crenças errôneas e, finalmente, o mesmo padrão de comportamentos desadaptativos e compulsão à repetição.

Publicidade

A cura do trauma de apego

A cura de um padrão de reencenação de trauma é muito desafiadora. Embora existam temas abrangentes, ela é específica para as próprias experiências vividas de uma pessoa, traumas de apego precoce, crenças e onde ela está em seu próprio nível de autoconsciência e crescimento.

Uma vez que alguém começa a entender como suas primeiras experiências moldam sua vida adulta, ela aprende mais em como o trauma tem impactado suas escolhas ou seus padrões.

Entre em contato com um Psicólogo treinado em trauma de apego e trauma relacional adulto para obter ajuda e receber apoio e orientação.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

Avatar de Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Artigos relacionados

Avatar do Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *