“Por que ninguém gosta de mim”: como superar essa crença?

Mulher sozinha sentada na beira de um trapiche, de frente para o mar

Categoria: Autoestima

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Início do artigo

Não há pensamento mais doloroso no mundo do que o “ninguém gosta de mim”. É um terrível auto-ataque nos momentos que nos sentimos isolados, deprimidos, ansiosos ou inseguros. Esse sentimento é irreal, nos fere profundamente, nos faz voltar contra nós mesmos e contra muitos de nossos objetivos.

Uma em cada 10 pessoas não sente que têm um amigo próximo, enquanto uma em cada 5 nunca ou raramente se sente amada. Portanto, embora possamos nos sentir sozinhos ao pensar “ninguém gosta de mim”, na verdade isso é comum em um número impressionante de pessoas pelo mundo.

O que a maioria das pessoas que tem essa sensação de isolamento não consegue perceber é a razão por trás disso. Nos percebemos como um rejeitado, antipático ou deixado de lado tem muito menos a ver com as circunstâncias externas e mais a ver com nosso crítico interno.

De onde vem o pensamento de que “ninguém gosta de mim”?

O crítico interno se forma muito cedo em nossas vidas. É construído a partir das atitudes negativas a que somos expostos durante a infância, especialmente dos cuidadores mais significativos. Se um pai nos considera preguiçosos, indefesos ou encrenqueiros, por exemplo, tendemos a introjetar essas atitudes em relação a nós mesmos ao longo da vida.

Também tendemos a ser influenciados por como nossos pais se sentem em relação a si mesmos. Se eles se sentem desajeitados socialmente, ou tem baixa auto-estima, assumimos algumas dessas percepções autocríticas como nossas.

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Adicione a isso as muitas outras experiências sociais em que nos sentimos rebaixados, envergonhados ou rejeitados, e descobriremos como nosso crítico interno se formou.

Lidando com o isolamento e a solidão

Estar sozinho não é necessariamente o problema, e precisamos desafiar a forma como vemos nossa solidão. As pessoas que se sentem solitárias vêem o mundo de maneira diferente.

Existem até certas diferenças estruturais e bioquímicas no cérebro do solitário. Alguns dos efeitos psicológicos de se sentir solitário incluem o foco na exclusão em vez da inclusão. Em outras palavras, é muito mais provável que percebamos a única vez que alguém não nos convida para sair em comparação com as cinco outras vezes que o fez.

Por fim, a solidão leva à lembranças errôneas. Então, quando pensamos sobre nosso dia, vamos distorcer as coisas que as pessoas nos disseram ou como as interações aconteceram, de forma a perpetuar a percepção de estarmos isolados.

Indivíduos solitários são mais propensos a interpretar o mundo como ameaçador, ter expectativas mais negativas, interpretar e responder a comportamentos sociais ambíguos de uma forma mais negativa e desanimadora, confirmando assim sua interpretação do mundo como sendo ameaçador e fora de seu controle.

Mais uma vez, isso cria uma profecia autorrealizável. Se começarmos a ver o mundo como ameaçador ou não nos aceitando, é muito mais provável que ajamos de maneira a afastar ou alienar os outros. Então, mais uma vez, para desafiar nossa solidão, temos que desafiar o filtro negativo através do qual vemos a nós mesmos e ao mundo ao nosso redor.

Superando o “ninguém gosta de mim”

Uma vez que aceitamos honestamente a existência desse crítico interno, podemos separá-lo de nosso ponto de vista real. Perceberemos os momentos que ele se infiltra e perturba o modo pelo qual vemos a nós mesmos e ao mundo.

Podemos então reconhecer como nossas ações são afetadas por esse processo de pensamento destrutivo. Existem cinco passos importantes para superar esse crítico interno:

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Saiba o que seu crítico interno está lhe dizendo

Perceba quando seu processo de pensamento muda e seu crítico interior invade sua mente. Talvez você esteja em um encontro e comece com: “Ela nem gosta de você. Por que estou perdendo meu tempo?”

Você pode estar em uma reunião e, quando finalmente fala, tem um pensamento como: “Isso não faz sentido. Todo mundo está olhando para mim. Eles querem que eu simplesmente cale a boca.”.

Entenda quais situações acionam sua voz interior crítica e o que essa voz diz a você nesses momentos.

Descubra de onde vêm essas atitudes críticas

Quando as pessoas escrevem ou falam seus pensamentos em voz alta, percebem de onde esses pensamentos maldosos se originam. Normalmente as pessoas descobrem que a voz vem de alguma figura em suas vidas, como um pai que sempre se preocupou em nunca fazer amigos.

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Identificar as origens das vozes vai ajudá-lo a ter autocompaixão, e distinguir as velhas atitudes da realidade atual.

Responda à sua voz interior crítica

Isso parece complicado, e essa etapa geralmente é a mais difícil. Apesar disso, é crucial que você se defenda. Vocalize ou escreva uma resposta à sua voz interior crítica.

Procure assumir a perspectiva que teria se fosse para responder à um bom amigo. Formule uma resposta mais compassiva e realista ao crítico interno, usando declaração que comecem com “eu”: “Eu não sou chato. Sou uma pessoa única e digna de amizade. Tenho muitas qualidades que muitas pessoas apreciariam e gostariam.”.

Não dê ouvidos às críticas negativas que surgem ao concluir este exercício. Defender a nós mesmos da mesma forma que faríamos com um de nossos amigos é uma coisa difícil, mas satisfatória de fazer.

Verifique como as vozes afetam suas ações

À medida que você conhecer as vozes internas, mais fácil ficará em reconhecer quando elas aparecerem. Tente ativamente desviar sua mente, e comece a perceber como essa voz influencia seu comportamento.

Se ela diz que você é muito tímido para fazer amigos, então você evitará situações sociais, deixando-o inseguro em um relacionamento. Como resposta, você passa a buscar a segurança de seu parceiro. Se ela diz que o mundo o está rejeitando, você se sentirá mais irritado em suas interações diárias ou muito mais cruel consigo mesmo.

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Anote todas as vezes que sua voz interior crítica está orientando seu comportamento. Ao fazer isso, adote uma de atitude receptiva e amorosa em relação a si mesmo.

Mude seu comportamento

Depois de identificar os comportamentos, é essencial desafiá-los. Se o seu crítico interno lhe diz para ficar em reclusão ou manter a boca fechada em uma festa, por mais desconfortável que possa parecer no início, você precisa encontrar uma maneira de não se entregar a esse comportamento.

Mesmo que inicialmente se sinta envergonhado, ou não seja você mesmo quando age contra essa voz, lembre-se de praticar a autocompaixão. Desafiar suas vozes aumentará a ansiedade, mas mudará um padrão de comportamento. Quanto mais ações você tomar contra seu crítico interior, mais confiante se tornará.

Se, nesse processo, você tiver pensamentos como: “Sim, certo. Minhas vozes estão certas sobre mim ”, lembre-se de que praticamente todo mundo se sente exatamente assim em algum momento ou outro. A maioria das pessoas se sente rejeitada em algum nível.

Desafiar a ação consequente do pensamento de que “ninguém gosta de mim” é o que o levará a conseguir o que deseja na vida. Isso permitirá que você se livre de camadas que o impedem de sentir a si mesmo. Não importa o que seu crítico interno esteja lhe dizendo ou usando para reforçar a crença de que você é diferente ou indigno.

De forma lenta mas, seguramente, seu crítico interno enfraquecerá. Seu verdadeiro eu se tornará mais forte, mais vibrante, mais conhecido, compreendido e acessível ao mundo ao seu redor.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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