O Psicólogo pode cobrar pelas faltas ou cancelamentos?

Mãos de mulher contando uma série de notas de 20 dólares

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Recentemente, ao discutir nossas práticas comerciais, meu colega e eu tivemos uma longa conversa sobre cobranças de faltas e cancelamento das consultas. Fiquei curioso em saber como outras pessoas, tanto os médicos quanto os que buscam terapia, se sentem a respeito desse tópico que às vezes parece um tabu.

Deixe-me primeiro indicar a minha política:

  • Solicito um aviso de 24 horas para cancelamentos, onde:
    • Os cancelamentos feitos antes destas 24h são reagendados, sem penalidade;
    • Cancelamentos feitos sem aviso prévio em menos de 24 horas, mas antes do início da sessão, incorrem em uma taxa de cancelamento tardio e;
    • As faltas não comunicadas ou comunicadas após o início da sessão incorrem no valor integral.

Estou curioso para saber quais são as reações das pessoas a esta política. Meu palpite é que alguns podem achar isso muito severo, enquanto outros podem achar que é muito brando ou muito severo.

As políticas de muitos profissionais de saúde mental incluem a cobrança do valor total para qualquer cancelamento dentro de um prazo de 24 a 48 horas.

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Por muito tempo, tive dificuldade em justificar essa cobrança, especialmente o valor integral, pelo que, no final das contas, acabei ficando com tempo “livre”. Mas, à medida que fui ganhando experiência, as consultas perdidas resultaram em uma perda significativa de receita, e passei a reconhecer que o potencial de frustração e ressentimento não era saudável para o relacionamento terapêutico.

Sabendo que precisava encontrar uma solução eficaz e justa, decidi adotar a política anterior.

Meu raciocínio incluia vários fatores:

  1. O primeiro envolvendo o reconhecimento de que as pessoas que optam por se consultar comigo estão, no final das contas, pagando pelo meu tempo e minha atenção. Em geral, os indivíduos em terapia tendem a comparecer a sessões semanais ou, às vezes, a cada duas semanas;
  2. O tempo da sessão deles está marcado em minha agenda e está reservado exclusivamente para eles. Se alguém cancelar com algum aviso prévio, sei que tenho um horário aberto e poderei agendar outro paciente;
  3. Por outro lado, se alguém não comparece ou comunica o cancelamento após o início do horário da sessão, fico aguardando para saber se ele está atrasado. Cerca de 15 minutos depois tento entrar em contato para esclarecer o motivo da falta, no entanto isso não me permite agendar outro paciente.
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Eu entendo que coisas acontecem, como imprevistos no trabalho, crianças ficam doentes e pneus furam. A maioria das pessoas respeita a política após um lembrete gentil e tende a não ter conflitos ou cancelamentos frequentes de última hora.

No entanto, descobri que não cobrar por cancelamentos tardios (com o horário da sessão já iniciado) abre um precedente do qual algumas pessoas acabam se aproveitando.

Quanto mais eu refletia sobre se é justo cobrar um valor pelo cancelamento tardio, mais eu entendia que implementar alguma penalidade para esses casos, e para as faltas não comunicadas, é uma parte importante do escopo mais amplo do trabalho terapêutico.

As pessoas procuram terapia para melhorar sua qualidade de vida geral, e aqueles que frequentemente cancelam ou deixam de comparecer às sessões geralmente demonstram problemas com comprometimento e responsabilidade em outras áreas de suas vidas.

No final das contas, estarei prestando um péssimo serviço aos meus pacientes se permitir que eles evitem assumir responsabilidades, e que não estarei os ajudando a compreender que o mundo real tem consequências para várias escolhas e ações.

Em vez disso, quero ensinar limites saudáveis ​​e claros, além de capacitar as pessoas a serem mais responsáveis por suas vidas. A terapia consiste em ajudar as pessoas a desenvolverem um senso de consciência sobre si mesmas e como suas ações impactam as pessoas ao seu redor.

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A terapia tende a ser mais útil para as pessoas que honram seus compromissos, um componente importante e valioso de suas vidas. E para a maioria das pessoas, dinheiro é igual a valor. Quando as pessoas estão dispostas a fazer da terapia uma prioridade, e aceitam o compromisso financeiro envolvido, elas tendem a experimentar um crescimento maior e mais rápido e mudanças positivas.

A discussão sobre dinheiro pode ser um tópico desconfortável, especialmente em um relacionamento terapêutico em que conexão, apoio e compaixão são fundamentais.

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A cobrança de dinheiro por serviços, prestados ou não, às vezes parece contraditória com a natureza do trabalho. Mas o tratamento e a atitude em relação a esses detalhes mais sutis do negócio são importantes para o processo, e merecem consideração por todos os envolvidos.

Ter confiança e estar atento aos limites e políticas, junto com a capacidade de abordar tópicos desconfortáveis, é geralmente onde a verdadeira confiança, autenticidade e conexão se desenvolvem; e esses são os componentes que tornam a terapia verdadeiramente útil.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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