O que você não deve falar para alguém com TDAH?

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Categoria: TDAH

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Pessoas com o Transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) podem encontrar pessimistas que simplesmente não entendem a condição e o impacto que ela causa na vida cotidiana.

Infelizmente, existem muitos equívocos sobre o TDAH, e esses mal-entendidos são muito prejudiciais para quem vive com ele.

Alguns acreditam erroneamente que o TDAH é um distúrbio “inventado”, superdiagnosticado e supermedicado.

Outros acreditam que o TDAH é resultado da inconsequência dos pais, e que pode ser facilmente controlado com uma boa educação, desaparecendo na vida adulta.

Portanto saiba o que não dizer, de modo que você possa ser o mais solidário possível para aqueles que vivem com TDAH.

Não descarte a condição

É importante evitar minimizar ou mesmo descartar completamente o TDAH. Evite dizer coisas como: “O TDAH não é real” ou “Por que simplesmente não deixamos as crianças serem crianças?”

Tais declarações negam a validade do transtorno.

Em vez disso, acredite que o TDAH é uma condição real, com sintomas reconhecíveis e que afetam a capacidade de uma pessoa funcionar em diferentes ambientes.

Não minimize o TDAH

Assim como você não deve negar o TDAH, também não deve tentar minimizar os sintomas.

Evite dizer coisas como “Todo mundo tem um pouco de TDAH” ou “Não é grande coisa”.

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Certamente todos experimentam ocasiões de esquecimento e desatenção. E qual pai nunca experimentou o comportamento de seu filho saindo do controle?

Estas são ocorrências normais. Mas, para crianças e adultos com TDAH , no entanto, esses são mais do que um problema ocasional.

A criança com TDAH:

  • Tem problemas para organizar tarefas;
  • Não presta atenção quando os outros falam com ela;
  • Não segue as instruções;
  • Frequentemente perde coisas e é facilmente distraída;
  • Luta para ficar parada e permanecer em silêncio;
  • Fala excessivamente.

Tais sintomas criam perturbações na escola e em casa.

Para alguém com TDAH, os sintomas estão presentes em tal intensidade que prejudicam significativamente a vida cotidiana.

Não sugira que o TDAH seja superdiagnosticado

Evite criticar o diagnóstico de uma pessoa. Evite fazer declarações como: “o TDAH é diagnosticado com muita rapidez e frequência”.

Você pode ouvir as pessoas dizerem que “somos rápidos demais para diagnosticar alguém que é simplesmente ativo e enérgico”.

No entanto, os sintomas do TDAH são reais.

Um diagnóstico adequado é a chave para obter ajuda adequada. Se não for diagnosticado, o TDAH pode leva a complicações acadêmicos, comportamentais, emocionais, sociais e vocacionais.

Não critique os sintomas de TDAH

Às vezes, as pessoas assumem incorretamente que, se alguém com TDAH simplesmente “se esforçasse mais”, terá mais sucesso.

Isso leva as pessoas com TDAH a serem rotuladas de forma negativa.

Não faça comentários do tipo: “As pessoas usam o TDAH como desculpa para mau comportamento” ou “Elas são apenas preguiçosas e precisam se esforçar mais”.

É comum que alguém com TDAH mostre flutuações e inconsistências bastante dramáticas em seu desempenho.

Parece confuso quando alguém é capaz de concluir algumas tarefas de forma rápida e correta, enquanto em outros momentos ela executa essas mesmas tarefas de maneira muito ruim.

Esse padrão desigual de produtividade e precisão é comum para alguém com TDAH e é muito frustrante para aqueles que não entendem completamente as deficiências associadas ao transtorno.

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A verdade é que pessoas com TDAH gastam uma quantidade enorme de energia e esforço apenas tentando se organizarem, se concentrarem e se manterem no caminho certo.

O TDAH não é desculpa para o comportamento, mas geralmente é uma explicação que vai orientá-lo com estratégias e intervenções que ajudam a controlar os sintomas.

Não culpe os pais ou a disciplina

Infelizmente, muitos pais de crianças com TDAH precisam lidar com julgamentos sobre sua capacidade parental.

Simplesmente não é verdade que maus pais ou a falta de disciplina em casa levam ao TDAH. Nunca faça comentários como: O transorno é causado por maus pais ou falta de disciplina”.

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Por outro lado, é verdade que crianças com TDAH exigem uma educação muito mais desafiadora.

É fácil se frustrado e duvidar de suas próprias habilidades parentais quando se tem um filho com TDAH, especialmente quando existem essas percepções errôneas sobre as causas.

O TDAH é uma condição neurobiológica causada principalmente pela genética.

Certamente, o ambiente de uma pessoa influencia o aparecimento do transtorno. Crianças e adultos com TDAH se beneficiam de estrutura, rotinas e intervenções comportamentais.

Não discrimine

Nunca faça comentários sugerindo que as pessoas com TDAH obtêm benefícios ou vantagens que outras pessoas não obtêm.

Evite declarações como: “Estudantes com TDAH que recebem atenção especial e têm vantagens injustas”.

Se o TDAH afeta o aprendizado e prejudica o desempenho acadêmico, o aluno deve receber mais apoio educacional.

O propósito de tais apoios especiais é garantir que as necessidades educacionais individuais do aluno com deficiência sejam atendidas tão adequadamente quanto as necessidades dos alunos sem deficiência.

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Em vez de dar uma vantagem injusta aos alunos com TDAH, os apoios educacionais nivelam o campo de jogo.

Não faça comparações

Nunca sugira que “o TDAH em meninas é menos grave do que o TDAH em meninos”.

É um equívoco comum pensar que meninas e mulheres com são menos afetadas por seus sintomas do que homens.

O fato é que as mulheres com TDAH vivenciam lutas significativas que muitas vezes são negligenciadas. Elas são frequentemente diagnosticadas erroneamente como tendo depressão, ansiedade ou transtorno bipolar.

Meninas com TDAH não reconhecido e não tratado internalizam os problemas em um grau muito maior e têm um risco aumentado de certos problemas em comparação com os homens, como por exemplo:

  • Tabagismo;
  • Baixa autoestima geral;
  • Mais comportamentos autolesivos.

Como meninos e homens não diagnosticados com TDAH, meninas e mulheres não diagnosticadas também correm o risco de insucesso crônico.

A dificuldade que as mães com TDAH enfrentam para lidar com as demandas da vida cotidiana transbordarão para a criação dos filhos.

Devido à ligação genética com o TDAH, muitas dessas mães terão filhos com TDAH, crianças que exigem ainda mais em termos de organização, atenção e consistência.

Palavras finais

Crenças imprecisas sobre o TDAH impedem que os pais de crianças e adultos com o transtorno procurem tratamento.

Sem intervenções e apoios apropriados, muitos continuarão lutando desnecessariamente.

É importante corrigir esses equívocos para que as pessoas com TDAH desfrutem de uma melhor qualidade de vida e aproveitem ao máximo seu potencial.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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