4 coisas que não temos controle e precisamos aceitar

Um homem com os cotovelos sobre a mesa e os dedos ao lado da cabeça

Categoria: Outros

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Com o que você passa a maior parte do tempo se preocupando? Meu palpite é que com o futuro e suas incertezas, as coisas que justamente temos pouco ou nenhum controle.

Meus pacientes costumam ser consumidos por preocupações sobre os marcos da vida e as percepções de outras pessoas sobre eles.

Ficam obcecados e espiralam em seus pensamentos, pensando em todos os “e se” e cenários que, de alguma forma, querem mudar e manipular.

Claro, isso não é muito útil porque as coisas com as quais se preocupam são:

  1. Quase sempre impossíveis de prever ou planejar ou;
  2. Coisas que eu não podem influenciar diretamente, ou ambos.

Em uma sociedade baseada no medo, tentamos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para ganhar algum tipo controle.

Queremos sempre estar um passo à frente, e não gostamos de nos sentir despreparados ou vulneráveis.

Assim, faremos de tudo para evitar o estresse, as coisas difíceis e desconfortáveis.

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No entanto, estamos travando uma batalha perdida. Investir energia nas coisas que não temos controle apenas alimenta sentimentos de desamparo e desespero.

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Então, vamos tentar deixar de lado a necessidade de controlar as coisas que estão além desse escopo.

Aqui estão quatro coisas:

Não temos controle sobre o futuro

Nós sempre lutamos com a incerteza do futuro, e queremos saber quando, onde e como as coisas vão acontecer. Fazemos planos e queremos realizá-los exatamente como imaginamos.

Porém, por mais que tentamos, nem sempre podemos planejar o momento exato das coisas ou como elas se desenrolarão.

A vida acontece, e existem fatores externos que nos impossibilitam de ter total certeza sobre o futuro.

Seja uma pandemia global, a perda de um emprego ou a doença de um membro da família, às vezes precisamos mudar e encarar as coisas como elas são.

Isso não quer dizer que nossos objetivos e as buscas não valham a pena serem perseguidos, mas precisamos ter mais flexibilidade cognitiva: uma mudança mental que nos encoraja a sermos mais abertos à fluidez da vida e do tempo.

Além disso, embora possamos não saber o que o futuro nos reserva ou o que o amanhã traz, sabemos que neste exato momento estamos respirando e vivos, e que há coisas sobre as quais temos controle, coisas que podemos fazer para cuidar de nós mesmos e lidar com a incerteza.

Não temos controle sobre o passado

Embora possa ser óbvio, afinal o passado está literalmente no passado, tendemos a nos apegar vorazmente à ele.

Ao pensar sobre, tendemos a nos concentrar nas coisas que poderíamos ter feito de maneira diferente (o “poderia, deveria, teria”) ou tentamos encontrar um “porquê”.

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E embora seja saudável e normal nos envolvermos em autorreflexão, lamentar e aprender com nossas experiências passadas, há uma diferença entre ser reflexivo ou nostálgico e ser consumido ou obcecado pelo que já aconteceu.

Então, da próxima vez que você se encontrar preso à ele, ancore-se no momento presente: observe seu ambiente atual, arredores, e seja grato pelas pessoas e coisas que você tem.

Não temos controle sobre o que as outras pessoas estão pensando e sentindo

Nós nos concentramos demais nos processos internos dos outros.

Essa fixação no que as pessoas estão pensando e sentindo está relacionada às nossas próprias inseguranças e à necessidade de validação externa.

Preocupamo-nos com a forma como as outras pessoas nos veem, quer gostem ou não de nós, e com os seus julgamentos e opiniões.

Como resultado, tiramos conclusões precipitadas e fazemos suposições baseadas em informações muito limitadas, como uma expressão facial ou nossas próprias experiências e traumas anteriores.

Pense em quantas vezes você já interpretou algo como se alguém estivesse “bravo” com você, ou atribuindo o mau humor de outra pessoa a algo que você disse ou fez (e sem nenhuma evidência verdadeira).

Na realidade, não podemos ler mentes e não podemos controlar as percepções dos outros. O que podemos controlar são nossos próprios processos internos.

Então, se você perceber que está sendo consumido por pensamentos sobre outra pessoa, pergunte a si mesmo:

  • “Até que ponto é útil para mim gastar tempo me preocupando com ela e com o que está acontecendo em sua cabeça?”;
  • “Quanto controle eu realmente tenho sobre o que ela está pensando ou sentindo?”.
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Você acha que é uma boa pessoa? Se a resposta for “não”, o que você pode fazer para melhorar?

No final das contas, o relacionamento mais longo e significativo que teremos em nossas vidas é com nós mesmos.

Não temos controle sobre as ações e escolhas de vida de outras pessoas

Podemos nos tornar excessivamente envolvidos nas decisões dos outros, especialmente nas decisões daqueles que mais amamos e cuidamos.

Nos preocupamos com o estilo de vida e os hábitos de um ente querido, seus padrões de relacionamento ou até mesmo seu sistema de crenças e valores pessoais.

Seja não gostar do parceiro ou do relacionamento de um amigo próximo, ou ter dificuldade em interagir com um dos pais por causa de suas crenças ou posições políticas opostas, as escolhas e preferências de vida dos outros são coisas que normalmente não temos controle.

Embora possamos sempre ter uma conversa respeitosa e expressar nossas preocupações, é importante lembrar que não devemos impor nossas próprias crenças e expectativas aos outros.

Aceitar os outros como são é crucial para o nosso bem-estar mental.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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