Como ajudar alguém com borderline?

Estátua de bronze do pensador de Rodin

Categoria: Borderline

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Como é possível ajudar alguém com transtorno de personalidade borderline, já que cerca de 70% dos pacientes abandonam o tratamento? A a principal razão é a falha em envolver a família como suporte para o tratamento, tornando o envolvimento dos pacientes na terapia muito superficial.

Os membros da família consultam os Psicólogos e psiquiatras para obter ajuda de como lidar com alguém com transtorno de personalidade borderline porque se preocupam e estão assustados, frustrados e desamparados.

Os membros da família passam mais tempo com o paciente do que qualquer outra pessoa, e estão em uma posição chave para ajudar alguém com borderline. Isso inclui orientação contínua, evitar escaladas e motivar seu ente querido a participar de um tratamento.

Então, como podemos ajudar alguém com borderline?

Ajudar alguém com borderline implica em buscar informação precisa

O conhecimento da base biológica do transtorno de personalidade borderline ajuda a reformular o comportamento de seus parentes, à luz da ciência atual e na aceitação de que o tratamento psicológico e psiquiátrico funciona.

Informações precisas podem dissipar o estigma que influencia as atitudes em relação às pessoas com transtorno de personalidade borderline.

Exercite o entendimento

Entenda que o paciente com transtorno de personalidade borderline está fazendo o melhor que pode, e não tem a intenção de prejudicar outros ou a si mesmo. Você pode ajudá-la evitando rótulos como “manipuladora” ou sem esperança.

A compreensão pode dissipar a raiva e cultivar a compaixão.

Para ajudar alguém com borderline, pratique a aceitação

É preciso aceitar que a pessoa que sofre de transtorno de personalidade borderline é alguém com uma doença crônica, e tem necessidades especiais. Elas podem continuar a ser financeiramente e emocionalmente dependentes, além de ter problemas vocacionais.

O transtorno de personalidade borderline é um déficit que pode ser superado, mas o progresso será lento. Não existem soluções de curto prazo.

Tenha compaixão

Não presuma que a família do paciente com borderline é “disfuncional”. As emoções são contagiosas. Essa situação pode tornar qualquer família disfuncional.

Os membros da família têm sido recipientes de raiva e também de comportamentos abusivos e irracionais. Elas vivem em medo perpétuo e se sentem manipulados.

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Frequentemente, elas reagem protegendo e resgatando ou rejeitando e evitando. Reformule seus pontos de vista com compaixão. As famílias estão fazendo o melhor que podem e precisam de apoio e aceitação.

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“Pais maus” geralmente são desinformados, não são malévolos. Eles fizeram as coisas erradas pelos motivos certos. Qualquer pessoa pode ter um filho com distúrbios.

Colabore para a mudança

Para ajudar alguém com borderline é importante aprender habilidades eficazes para que você se torne um parceiro terapêutico. Isso reforça o tratamento.

Quando você aprende e fornece habilidades para ajudar, você se torna um parceiro terapêutico.

Fique no presente

Não se concentre em experiências dolorosas do passado quando a pessoa com transtorno de personalidade borderline não conseguir lidar com sentimentos aversivos. Evite memórias que causem vergonha.

Se você induz a excitação e o paciente não consegue lidar com ela, então a terapia se tornará inaceitável, gerando pressão, estresse adicionais e minando o controle cognitivo.

Esta é uma maneira infalível de fazer o paciente abandonar a terapia.

Não faça julgamentos

Respeite que o paciente está fazendo o melhor que pode, no momento, sem qualquer compreensão dos distúrbios subjacentes ou a capacidade de traduzir seus comportamentos.

Embora ele possa ter feito alguma coisa errada no passado, provavelmente foi pelos motivos certos.

Aprenda a comunicação não verbal

Aprenda a linguagem límbica, para que possa aprender a falar com a amígdala, a se comunicar emocionalmente por meio da validação. Esteja atento à linguagem corporal, tons de voz, gestos e expressões faciais.

Evite especialmente expressar rostos neutros se quiser ajudar alguém com borderline.

Confirme as alegações para ajudar alguém com borderline

Tente não presumir o pior e corrobore as alegações.

Lembre-se de que sua percepção de um evento ou experiência pode ser diferente do que realmente aconteceu.

Lembre-se de que o paciente com borderline têm direitos

Quando o paciente ou a família está pagando pela terapia, elas têm direitos, além dos já previstos no Código de Ética do Profissional Psicólogo. Esta realidade deve ser reconhecida.

A exclusão do pagante compromete a viabilidade da continuação da terapia. Eles precisam ajudar a decidir se o investimento em terapia vale a pena, e têm o direito de saber sobre a frequência, motivação e benefícios.

O que é confidencial na terapia é o que se fala. Informar o paciente com borderline sobre a terapia, o prognóstico e o curso da doença é fundamental.

Incentive o envolvimento familiar

Quando uma pessoa com transtorno de personalidade borderline resistir ao envolvimento familiar, isso não deve ser aceito de imediato. A resistência é um sintoma de que ela está desvalorizando a família.

Se você corrobora com essa desvalorização, então as dificuldades se intensificarão com um término prematuro do tratamento, principalmente quando o paciente é financeiramente dependente da família.

Como estruturar o ambiente doméstico?

Pessoas com transtorno de personalidade borderline se beneficiam de um ambiente doméstico calmo e relaxado.

Todos os membros da família envolvidos (incluindo namorado ou namorada) devem saber que não devem discutir questões importantes quando o paciente está em crise.

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Para ajudar alguém com borderline não centralize todas as discussões em torno da desordem e contratempos. Por outro lado, é importante não colocar muita ênfase ou elogios no progresso, ou o paciente pode começar a se autossabotar.

Pessoas com transtorno de personalidade borderline devem ter oportunidades para falar sobre seus interesses e pensamentos, seja sobre as notícias, eventos familiares e outras atividades de lazer. Aproveite o tempo para rir de uma piada engraçada ou jantem juntos várias vezes por semana.

Quanto menos uma pessoa sentir que sua doença mental está sob os holofotes,mais oportunidades eles têm de explorar outros aspectos de si mesmos.

Como se comunicar com eficácia durante uma crise?

Quando um paciente se torna reativo, ele pode insultá-lo ou fazer acusações injustas. A resposta natural é ficar na defensiva e corresponder ao nível de reatividade.

Você tem que se lembrar que um paciente com transtorno de personalidade borderline luta para se colocar na perspectiva de uma pessoa diferente. Ele luta para avaliar o que é um problema menor e o que é uma catástrofe total. Ele interpreta sua atitude defensiva como desvalorização.

Em vez disso, para ajudar alguém com borderline quando ele se tornarem reativo, reserve um tempo para ouvir sem apontar as falhas em seus argumentos. Não leve para o lado pessoal.

Se o paciente com borderline apontar algo que você poderia melhorar ou fez de errado, reconheça o que ela disse, peça desculpas e sugira uma maneira de melhorar o assunto no futuro.

Se ele sentir que está sendo ouvido, é menos provável que a crise piore. No entanto, se o conflito aumentar a ponto do paciente ter um acesso de raiva total ou ameaçá-lo, é melhor ir embora e retomar a conversa quando estiver mais calma.

Como ajudar alguém com borderline se ele ameaçar se machucar?

Uma crise está se agravando se uma pessoa com transtorno de personalidade borderline começar a ameaçar se machucar. Às vezes, os sinais de automutilação podem ser menos evidentes, como coçar a pele, comer menos, pintar ou raspar o cabelo ou isolar-se dos outros.

Essas ações representam a incapacidade da pessoa de expressar suas emoções verbalmente. Para ajudar alguém com borderline, reconhecer os primeiros sinais pode ajudar a prevenir que uma crise emocional se torne mais séria ou requeira atenção psicológica ou psiquiátrica.

Esteja ciente de que você não coloca a ideia na cabeça de alguém perguntando sobre automutilação ou suicídio. Em vez disso, você convida a pessoa a falar sobre suas emoções e se permite avaliar se a ajuda profissional é necessária.

Todas as ameaças de suicídio devem ser levadas a sério! Mesmo que o comportamento seja para buscar atenção, ele pode resultar em danos graves ou até mesmo em morte.

No entanto, isso não significa que você tenha que ligar para o Serviço de atendimento médico de urgência toda vez que uma pessoa fala sobre se machucar. Isso envia a mensagem para o paciente com borderline de que ele têm um enorme poder sobre todos os argumentos.

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Em vez disso, pergunte ao paciente com borderline o que ele se sentiria mais confortável em fazer ao ameaçar se machucar. Ele pode querer falar com seu Psicólogo ou levá-lo a um pronto-socorro.

Permitir que tenham algum arbítrio para diminuir a intensidade de uma crise ajuda a acalmar as emoções descontroladas.

Que outras estratégias podem reduzir o conflito?

Ouvir e refletir é a estratégia mais eficaz para ajudar alguém com borderline. Embora você possa discordar de cada palavra falada, ouvir não é o mesmo que concordar.

É simplesmente reconhecer as emoções e a perspectiva de uma pessoa. Faça perguntas abertas que o incentive a compartilhar, como “O que aconteceu hoje que fez você se sentir assim?” ou “Conte-me como está sua semana”.

Declarações de reflexão e resumo também podem ajudar uma pessoa com borderline a se sentir ouvida. Por exemplo, se seu filho diz que acha que você valoriza mais a irmã dele do que ele, você pode dizer: “ Você sente que não te amamos tanto quanto a sua irmã ”.

A tentação de discutir estará presente, mas lembre-se de que refletir não é concordar. Esse tipo de comunicação não visa ganhar uma discussão ou estar certo. Trata-se de ajudar seu membro da família a se sentir ouvido e diminuir o conflito.

O que fazer quando você se sentir oprimido?

Como um membro da família com transtorno de personalidade borderline pode não ser capaz de fornecer a empatia e a autoconsciência necessárias para um relacionamento, é vital ter outros apoios em sua vida.

Arranje tempo para ficar com os amigos e se envolver em atividades de lazer. Se você precisa falar sobre a experiência de viver com um paciente com transtorno de personalidade borderline, então grupos de apoio, profissionais de saúde mental, líderes religiosos e seu médico podem ser excelentes recursos.

Você também deve considerar como envolver outros membros da família no cuidado e apoio de um paciente com transtorno de personalidade borderline. Quanto mais pessoas souberem de estratégias eficazes para responder ao paciente com borderline, menos frequente serão as crises.

Ele vai se recuperar completamente?

Ao contrário de uma doença física, a recuperação tem um significado diferente quando se trata de saúde mental. A recuperação não implica na eliminação total dos sintomas, a falta de necessidade de medicação ou terapia, e funcionamento comparável ao de pessoas sem o transtorno.

A recuperação do transtorno de personalidade borderline tem a ver com menos ameaças de automutilação, redução da frequência de explosões emocionais e diminuição da intensidade da reatividade.

Pode ocorrer recaída, mas as crises se resolverão rapidamente, e você se sentirá mais preparado para ajudar alguém com borderline. Por sua vez, um paciente com borderline se sentirá encorajado a dar pequenos, mas constantes passos em direção a uma vida mais plena e saudável.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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