O abuso narcisista deixa as pessoas mais apáticas

Um homem ameaçando uma mulher com agressão física

Categoria: Narcisismo

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Agora, mais do que nunca, sabe-se o que acontece quando alguém é submetido a uma manipulação mental e emocional de longo prazo. Os efeitos são chocantes. Ser abusado por uma pessoa narcisista, muda a maneira como agimos e pensamos sobre nós mesmo e o mundo.

Indivíduos narcisistas têm um senso de identidade instável e precisam de validação constante daqueles ao seu redor. O resultado é um ambiente emocionalmente volátil, que nos deixa em um estado de caos total. Então, para que a maioria das vítimas do narcisista sobrevivam a longo prazo, é necessário um desligamento.

O que é o abuso narcisista?

Por mais que falemos sobre pessoas egocêntricas, poucos tempo é dedicado para realmente explicar o que é um abuso narcisista. É emocional, físico, financeiro ou espiritual? Pode ser tudo isso, mas o elemento central é: uma pessoa que utiliza a dor do outro como uma arma para conquistar um espaço de poder.

Em sua essência, o abuso narcisista difere de todas as outras formas porque se concentra nas inseguranças e desejos maliciosos de uma pessoa. Usando múltiplas formas de dano e manipulação (incluindo mental, emocional, físico, sexual e até espiritual), ele molda o ambiente e utiliza as pessoas em seu favor.

Existem muitas consequências para quem vive sob o abuso narcisista. A vida das vítimas são limitadas por causa do caos que ele atribui a elas. Anos vivendo sob essa circunstância muda a personalidade, as crenças e o comportamento.

O que é realmente chocante é o ciclo de apatia desencadeado pelo constante abuso narcisista. Longe de criar sobreviventes autodeterminados, aqueles presos em suas garras se tornam emocionalmente desengajados. Pouco a pouco eles se fecham e aprendem a se afastar de si mesmos, de modo a desenvolverem um padrão de autossabotagem.

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Como o abuso narcisista cria um ciclo de apatia?

O abuso narcisista é complexo e leva tempo para ser descoberto e abordado. Ele acumula-se ao longo do tempo em padrões consistentes de destruição e negação, gerando inseguranças patológicas nas vítimas.

Há um ciclo de apatia que também entra em ação, como uma forma de defesa. Os sobreviventes aprendem a se fechar após constantes ataques emocionais.

1. O ataque

O ciclo começa com uma série de ataques pessoais. Geralmente, isso acontece lentamente e vai aumentando gradativamente em ferocidade. O narcisista primeiro acalma a vítima em uma falsa sensação de conforto e mascara sua verdadeira intenção, tornando-se o que a vítima quer ver.

Uma vez que essa pessoa está nas garras dele, a desvalorização começa. Os ataques pessoais tem o objetivo de corroer a autoestima e de distorcer a percepção da realidade. É como ter a luz de sua vela interna apagada repetidas vezes. É possível sobreviver a um ataque, mas críticas e castigos constantes mudarão a perspectiva da vítima.

2. A compensação

Parece simples. O narcisista ataca a vítima no nível pessoal para derrubá-la e torná-la mais facilmente coagida. Porém, há outra razão pela qual ele a destrói, e isso tem muito a ver com as reações desencadeadas em seus estilos de apego.

Especificamente, o narcisista visa esses ataques pessoais a suas vítimas para inspirar nelas uma reviravolta. Levados a se sentirem inseguros, os agredidos são encorajados a “consertar” seus erros de uma forma que seja mais agradável para o abusador.

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É aqui que a 2ª fase do ciclo de apatia começa. Com as inseguranças desencadeadas, a vítima começa, em um esforço desesperado, a tentar compensações para evitar mais críticas ou reações cruéis. Ela quer se tornar perfeita para agradar o agressor e se sentir bem consigo mesma novamente.

3. A frustração

Infelizmente, aqueles que são pegos pelas agonias do abuso narcísico sabem que não há como evitar o machado do desprazer. Não há como agradar um narcisista. Uma verdadeira personalidade egocêntrica sempre encontrará algo para criticar ou rejeitar, de modo a se manter em um lugar de superioridade.

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Eventualmente, todas as vítimas percebem isso. Os esforços para ser e fazer melhor não significam nada. Elas ainda são regularmente expostos a fúrias, ataques e ambientes hostis criados por seu captor.

Nesse espaço, a vítima entra no 3º estágio do ciclo da apatia: o desgosto. Após ataques contínuos, a vítima percebe que nunca será tratada de maneira diferente do que está sendo tratada nos piores momentos.

A vítima é exposta a uma morte, tanto do ego quanto de sua realidade. Ela percebe que “consertar” a si mesma é inútil e a mudança do narcisista nunca acontecerá. Cria-se uma tristeza que provoca ressentimento e total apatia em relação à vida e a si mesmo.

4. O desligamento

O quarto grande evento no ciclo da apatia é o desligamento que acompanha a realização. Uma vez removidos os véus da ilusão, a vítima percebe que está presa nas garras de alguém que não a valoriza.

Se ela não conseguir escapar, então será forçada a abandonar suas emoções e desejos de sobrevivência, ou corre o risco de viver em um estado de absoluta destruição e turbulência.

Reagir a todas as provocações do abusador narcisista é o caminho certo para o colapso mental e emocional. Portanto, para evitá-lo, a vítima precisa desistir, desligar suas emoções e parar de se preocupar consigo mesma, com o ambiente e com a qualidade de sua vida.

5. O padrão de autodestruição

O maior perigo do ciclo de apatia torna-se aparente quando a vítima entra na 5ª e última fase. Forçadas por tanto tempo a se desligar e não se importar, a vítima de abuso narcisista percebe que sua apatia se tornou um padrão de autodestruição.

Afastadas de suas emoções e necessidades, ela se acostuma a negar a si mesma. Tornando-se cada vez menor, cria uma vida que reflete suas experiências de abuso e apatia.

Ela para de agir por si mesma e, em vez disso, coloca a felicidade de todos antes da sua. Ela diz “sim” a amigos e parceiros tóxicos; qualquer coisa que confirme a negativa opinião que adotou ao longo dos anos. Se ela não romper com esse padrão, vai lentamente criar uma vida que satisfaça todas as coisas ruins que pensa sobre si mesma.

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Como sair do ciclo de apatia?

Muitas vítimas passam anos nesses padrões de apatia. Elas esquecem de se preocupar consigo mesmas, mas, mais importante, esquecem o porquê. Fora de contato com suas emoções centrais, não conseguem atender às suas necessidades essenciais, afinal, todo esse espaço foi ocupado pelo narcisista e pelas lições comoventes que ele ensina.

Se você deseja quebrar o ciclo de apatia, deve tomar medidas para:

  • Reconhecer suas emoções;
  • Atender às suas principais necessidades;
  • Ativar limites totalmente novos.

Tudo começa (e termina) com nossos sentimentos. Toda aquela raiva, ressentimento, mágoa e confusão precisa vir à superfície e ser confrontada antes que se possa olhar para além delas. É um exercício assustador, porque significa ver tudo o que o narcisista fez. Pior, é ter de olhar para toda a abnegação em que você se envolveu.

Sair do ciclo de apatia não para por aí. Depois de assumir a responsabilidade pela maneira como se sente, você precisa atender às suas necessidades, e voltar a um lugar mental e emocionalmente estável em que possa se curar.

Isso significa muitas coisas diferentes, mas principalmente significa estabelecer limites poderosos em torno do que faz você se sentir seguro. Isso envolve ter de se afastar de pessoas, lugares e oportunidades, mas a recompensa vale o risco.

Siga o caminho certo e você se encontrará de volta a uma vida na qual realmente deseja viver. Uma vida à qual você não precisa ficar entorpecido.

Não seja pego no entorpecimento. Não entregue sua vida ao caos e à decepção do abuso narcisista. Esses padrões devem ser quebrados, e podem ser. Dê o primeiro passo para se libertar e encontrar um futuro melhor.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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