A evitação não é a melhor solução para os problemas

Mulher roendo as unhas demonstrando ansiedade

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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A evitação é um fenômeno que aparece regularmente nas sessões de terapia, sendo uma estratégia de enfrentamento popular e que oferece vários benefícios aparentes.

Ela é uma forma de solução tentadora e aparentemente fácil, e nem nos ocorre a possibilidade de existir outras opções. Em algumas situações, ela é até a melhor coisa a se fazer, como evitar pessoas ou situações inseguras.

Mas, para aqueles que estão dispostos e querem considerar opções alternativas a evitação, então há algo neste artigo que será útil.

O que é comportamento evitativo?

Eu gostaria de limitar minha definição aqui ao comportamento de evitação, me abstendo de rótulos como “pessoa evitativa” ou “personalidade evitativa”. Rótulos esses que são autolimitantes e ameaçam ser negativamente autodefinidas.

O comportamento evitativo inclui:

  • Ignorar situações que requerem atenção, esperando que elas “desapareçam”;
  • Passividade ou agradar pessoas para evitar conflitos;
  • Desviar a responsabilidade para outros ou situações externas;
  • Desaparecer, sair de compromissos ou “dar um bolo” em alguém;
  • Mentir para evitar consequências;
  • Comprometer-se com algo e não seguir adiante;
  • Restringir o contato ou situações sociais.
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Onde o comportamento evitativo se manifesta?

Conforme observado anteriormente, o instinto de evitar é extremamente forte, principalmente quando:

  • Nos sentimos ansiosos ou em pânico;
  • Sentimo-nos ameaçados (diante de um perigo real ou imaginário);
  • É tão habitual que já se consolidou como uma resposta automática;
  • Estamos preocupados com as reações dos outros e acreditamos que evitar aliviará as tensões.

A evitação também nos apresenta algumas mensagens mentais ou cognitivas tentadoras. A evitação nos diz que:

  • Nossos problemas desaparecem se ignorarmos a situação;
  • Nossos problemas vão piorar se confessarmos ou assumirmos a responsabilidade;
  • Teremos um ataque de pânico se fizermos o que precisa ser feito;
  • Não podemos lidar com as coisas;
  • As pessoas não vão gostar de nós se dissermos a verdade;
  • Não gostamos da pessoa ou situação em que estamos;
  • Preocupamo-nos que os outros nos julguem indevidamente (comum na ansiedade social);
  • Nossa imagem ou reputação será manchada se formos verdadeiros;
  • É muito mais fácil evitar;
  • Já sofremos o suficiente e temos o direito de evitar depois de tudo que passamos;
  • É problema dos outros e;
  • Estamos em busca de vingança ou sendo passivo agressivo, e evitar nos ajudará a agredir outra pessoa.
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Quando não recorrer ao comportamento evitativo?

É bastante contra-intuitivo ir contra a evitação, especialmente quando ela parece tão fácil e natural. Aqui estão algumas coisas a considerar:

Evitar piora as situações

  • Evitar de ir trabalhar leva à demissão;
  • Evitar pagar aluguel resultará em despejo;
  • Evitar amizades ou relacionamentos leva as pessoas ao isolamento e solidão;

A evitação aumenta o conflito interpessoal

Evitamos situações ou pessoas com a esperança de que elas não percebam mas, infelizmente, pode acontecer o contrário.

Os outros podem reagir mais fortemente à evitação ou às consequências da evitação do que reagiriam se a situação fosse resolvida desde o início.

A evitação prejudica a reputação

A sua integridade e intenções serão questionadas por outras pessoas, gerando um problema. Principalmente em situações de emprego ou em relacionamentos em que a evitação viola a confiança.

A evitação corrói a autoestima e a confiança

A evitação carrega consigo uma mensagem implícita de que não somos capazes de enfrentar ou lidar com situações difíceis.

Desse modo, ao evitar, nunca conquistamos a perspectiva de que temos força para lidar com as coisas.

A evitação aumenta a ansiedade a longo prazo

Um dos aspectos mais tentadores da evitação é a gratificação imediata na diminuição da ansiedade.

Muitas vezes, no entanto, os efeitos são apenas temporários, pois passaremos a nos perguntar como uma situação não resolvida evoluirá, gerando mais temor das consequências.

Dicas para superar o comportamento evitativo

Ao se interessar em trilhar um novo caminho, e aprender a lidar diretamente com problemas ou situações difíceis, será normal sentir-se apreensivo.

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Afinal, você está prestes a aumentar os níveis desagradáveis de estresse temporariamente! As dicas a seguir vão ajudar:

  • Seja paciente, especialmente se a evitação for um hábito arraigado e uma estratégia de enfrentamento. Leva tempo para mudar comportamentos evitativos;
  • Comece devagar, enfrentando pequenas coisas ou situações menos estressantes;
  • Se algo puder ser feito rapidamente e não for uma grande fonte de estresse, faça-o imediatamente, de modo que as situações não se agravem ou piorem com o tempo;
  • Diga a amigos de confiança ou familiares que você está tentando fazer mudanças, e que o apoio e paciência são apreciados;
  • Ajuste suas expectativas. Mesmo que você sofra consequências negativas quando comparado à evasão total, ainda sairá na frente;
  • Pratique estratégias de relaxamento antes de enfrentar desafios;
  • Medite, pratique a atenção plena;
  • Empregue estratégias de autocuidado, antes e depois de desafiar a si mesmo;
  • Diversifique e reforce seu repertório de enfrentamento, principalmente se a ansiedade estiver alta;
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Lembre-se da coragem necessária para enfrentar as coisas, e acredite nas mudanças positivas que advém desse enfrentamento.

Assim, haverá aumento da confiança, redução da ansiedade e melhora da autoestima ao longo do tempo!

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.