É possível falsificar um trabalho universitário usando o ChatGPT?

Ilustração de um andróide pensando

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Educadores universitários estão compreensivelmente preocupados com o fato de que o ChatGPT, a nova inteligência artificial, ameace o já sério problema de plágio nas universidades.

O ChatGPT, lançado em novembro de 2022, é o chatbot mais avançado até agora, capaz de entender a linguagem humana natural e se envolver em conversas (quase) humanas. O medo na academia decorre da possibilidade real de que estudantes universitários usem-no para escrever suas redações, tornando essa prática para calouros um exercício vazio, bem como se tornando obsoletos os professores de redação universitária.

O ChatGPT é menos ameaçador do que pensamos

Porém, esses medos podem ser exagerados. É provável que esta nova e emocionante tecnologia desfrute de um pico agudo de interesse e cobertura da mídia, apenas para diminuir rapidamente quando a próxima grande novidade em tecnologia aparecer.

É divertido de se brincar com o ChatGPT (se você ainda não o experimentou, é gratuito e fácil de usar), fornecendo explicações rápidas, semelhantes às da Wikipedia. Porém, pelo menos na minha interação com ele, parece mais um chatbot do que humano, repetindo as respostas várias vezes na mesma curta “conversa”.

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Para testar o ChatGPT, pedi que:

  • Escrevesse um parágrafo sobre um assunto qualquer, o que ele fez;
  • Em seguida, pedi que reescrevesse o mesmo parágrafo, mas agora com citações relevantes no texto, o que ele fez em segundos e;
  • Por fim, ele apresentou uma lista satisfatória de referências à essas citações, conforme o meu pedido.

Os alunos usarão o ChatGPT para escrever suas redações?

Se você criar uma atmosfera em que os alunos se dediquem ao aprendizado, eles não buscarão uma solução alternativa. Eles não vão plagiar desde que o trabalho seja recompensador em algum nível.

Então, os alunos que acreditam que vale a pena fazer o trabalho não são os que trapaceiam; e bons professores sempre acreditam que o trabalho que seus alunos fazem “vale a pena”.

Os mesmos alunos que cometem plágio de um artigo online são os que se apropriam dos “pensamentos” do ChatGPT como sendo seus. É apenas mais uma ferramenta na caixa do aluno mau intencionado. Portanto, se o aluno tem convicção sobre o tema à redigir, ele vai preferir escrevê-lo do que deixar uma inteligência artificial fale por ele.

Além disso, novas salvaguardas serão desenvolvidas. Já existe projeto para um programa que distingue entre ensaios criados por inteligência artificial dos escritos por humanos. A coevolução já está em andamento. O interessante é que já estejamos envolvidos em questões relacionadas ao uso e abuso do ChatGPT quando ainda nem está claro para que ele foi criado.

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O ChatGPT é uma nova ferramenta para plágios à moda antiga?

Os cursos de filosofia e redação são intensivos em produção textual (por exemplo, artigos curtos, alguns ensaios mais longos, alguns produzidos em sala de aula e outros fora da aula). E a escrita dos alunos desses cursos é como uma impressão digital: o professor se familiariza com isso logo no início, focando em algumas áreas problemáticas que precisam ser melhoradas ao longo do semestre.

Dada essa premissa, uma melhoria anormal na qualidade da escrita é bastante fácil de detectar. É uma frase, parágrafo ou ensaio inteiro que não corresponde à “impressão digital” da escrita do aluno.

Na minha época de faculdade havia um aluno medíocre, que não se interessava por filosofia e não era um bom escritor. De uma hora para outra escreveu um ensaio com percepções brilhantes sobre o filósofo iluminista Immanuel Kant.

Quando o professor pegou algumas frases particularmente suspeitas de seu ensaio e as colocou em um mecanismo de busca, descobriu uma tese de doutorado. O aluno havia sequestrado várias passagens dele e colado em seu próprio ensaio. Caso esteja curioso, o aluno foi reprovado na disciplina, além de denunciado aos comitês de supervisão.

Sempre é fundamental levar esses casos a sério porque, embora não seja crime ser desprovido de pensamento original, é errado fazer passar o pensamento dos outros como se fosse seu.

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Vamos abraçar o ChatGPT

A tecnologia evoluiu tanto nos últimos 20 anos que facilitou a cópia de material da internet, e sempre houve e hverá uma porcentagem pequena, mas constante, de estudantes universitários que utilizam do plágio, não importa o curso.

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Simplificando: a maioria dos alunos faz seu trabalho, enquanto outros não, e não acredito que nenhuma nova tecnologia possa mudar muito esse equilíbrio, se é que o fará.

Uma maneira de se antecipar ao problema é convidar os alunos a interagir com o ChatGPT em sala de aula, pesquisando diferentes tópicos e avaliando a eficácia com que ele imita as respostas humanas naturais.

Os alunos aprenderão como usar a inteligência artifical para gerar referências e citações e, em seguida, como encontrar essas fontes originais por meio de pesquisas adicionais em banco de dados.

Então, provavelmente, teremos que abraçar, e não fugir, dessa nova tecnologia, bem como encontrar maneiras de aprimorar o que se faz na sala de aula com os alunos.

Alguns alunos inevitavelmente o usarão para plagiar em suas tarefas de redação. Mas o ChatGPT tem sua própria “impressão digital” (uma que eu poderia chamar de “fala do chatbot”), que é fácil de distinguir da escrita humana imperfeita, mas original.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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