Os 4 grandes mitos sobre a Psicologia baseada em evidências

Um homem com a mão no queixo, em sinal de dúvida, enquanto no fundo há a ilustração de uma balança

Categoria: Terapia online

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Tanto Psicólogos como pacientes, muitas vezes abrigam crenças imprecisas sobre a Psicologia baseada em evidências.

O termo “Psicologia baseada em evidências” pode ser entendido como a integração da melhor pesquisa disponível com a experiência clínica do Psicólogo, no contexto das características, cultura e preferências do paciente.

Ela também se baseia em informações cientificamente validadas, de modo a auxiliar o desenvolvimento de intervenções de tratamento, avaliações, conceituações de caso e relações terapêuticas, que provavelmente produzirão os melhores resultados.

A Psicologia baseada em evidências também é conhecida por: práticas baseadas em evidências em psicologia.

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Durante toda minha carreira como Psicólogo, ouvi colegas e pacientes expressarem uma série de crenças sobre a Psicologia baseada em evidências.

Porém, estes são os equívocos mais comuns e que precisam ser corrigidos:

A Psicologia baseada em evidências é sempre eficaz

A Psicologia baseada em evidências pode ser muito eficaz, mas não fornece automaticamente todos os resultados clínicos considerados eficazes ou ideais.

Existem muitas variáveis ​​que afetam o sucesso de um tratamento, como:

  • A forma como ele é fornecido e por quem;
  • A relação entre o Psicólogo e o paciente;
  • A complexidade dos sintomas do paciente.
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Supor que uma intervenção será sempre bem-sucedida simplesmente porque é rotulada como baseada em evidências é um equívoco.

Muitas vezes, pacientes e Psicólogos evitam métodos de tratamento que não são reconhecidos como Psicologia baseada em evidências.

Essa hesitação limita negativamente a variedade de opções de tratamento, bem como a variedade de oportunidades de treinamento para os Psicólogos.

A Psicologia baseada em evidências funciona para todos

Não existe um método de tratamento de saúde mental que comprovadamente beneficie todos os pacientes da mesma maneira. Por exemplo, a dessensibilização e o reprocessamento do movimento ocular (EMDR) segue um protocolo padrão que beneficia alguns pacientes, mas não todos.

Psicólogos de EMDR, às vezes, se desviam do protocolo padrão para atender pacientes que têm necessidades no qual o protocolo padrão é inadequado.

Toda terapia precisa ser ajustada para atender às necessidades específicas de cada paciente, ou seja, todo atendimento deve ser implementado e calibrado no contexto das características, cultura e preferências do paciente.

O mito de que a Psicologia baseada em evidências é uma abordagem de “tamanho único” impede que Psicólogos ajustem os tratamentos conforme às necessidades de seus pacientes.

A Psicologia baseada em evidências fornece resultados mais rápidos

Muitos já ouviram a afirmação de que alguma abordagem “curará” a depressão em 5 a 20 sessões de terapia, ou que outra “resolva” todos os sintomas de um trauma em 6 a 12 sessões.

Embora alguns pacientes relatem resultados positivos da Psicologia baseada em evidências mais cedo do que com outras abordagens, nenhum método de tratamento provou produzir resultados mais rápidos para todos.

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Infelizmente, o mito de que a Psicologia baseada em evidências produz resultados rápidos é bastante prevalente, muitas vezes alimentado por interesses financeiros.

Há profissionais que vem a Psicologia baseada em evidências como um produto que produz resultados em menos sessões do que outros métodos.

É fundamental entender que a quantidade de sessões de terapia para um paciente não é uma prescrição universal, mas uma diretriz geral que não se aplica à todos.

A Psicologia baseada em evidências é imparcial

Como acontece com qualquer modalidade de terapia, ela está sujeita à um viés, como patrocínio, métodos usados e publicações. Isso tudo afeta a credibilidade de qualquer tratamento específico.

Geralmente, as pesquisas tendem a ser inacessíveis à população em geral devido à sua extensão, idioma ou publicação limitada. Como resultado, as pessoas recebem as informações sobre estudos pode meio de escritores, jornalistas ou até mesmo influenciadores digitais.

Os repórteres escrevem manchetes cativantes, como “estudo mostra que a Psicologia baseada em evidências é o melhor tratamento para a depressão”. No entanto, muitas vezes não incluem informações detalhadas sobre esse estudo, como o tamanho da amostra, a composição demográfica dos participantes ou a fonte de financiamento.

E se a amostra for composta exclusivamente por mulheres brancas na faixa dos 20 anos?

Este, por exemplo, não é um tamanho de amostra que pode ser generalizado para uma população inteira de pacientes que sofrem de depressão.

Nesse caso, um título melhor seria “estudo mostra que a Psicologia baseada em evidências é uma boa opção de tratamento para mulheres brancas na faixa dos 20 anos”.

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No entanto, tal manchete não atrairia muitos leitores.

Amostras de pesquisa geralmente sub-representam populações minoritárias ou pacientes com condições comórbidas e, como resultado, ela não é eficaz para indivíduos com multimorbidades complexas, ou de grupos sociodemográficos para os quais a intervenção ainda não foi testada.

A Psicologia baseada em evidências também pode ser tendenciosa devido às suas fontes de financiamento.

Pesquisas em larga escala são caras, e alguns métodos de tratamento podem não ter o financiamento necessário para fazer parte de grandes estudos de pesquisa.

Portanto, é improvável que esses métodos ganhem o rótulo de Psicologia baseada em evidências.

Além disso, quem escolhe quais pesquisas recebem financiamento e quais não recebem?

Normalmente, quem financia é aquele que se beneficiará da evidência da validade, ou falta de validade do método de tratamento em questão.

Por exemplo, algumas organizações preferem financiar estudos que sugerem que o trauma pode ser tratado em 10 sessões individuais de terapia, em oposição a estudos que medem como as mudanças sociais impactam positivamente o trauma coletivo.

A Psicologia baseada em evidências já ajudou muitos Psicólogos e pacientes, mas enganaram outros.

Assim que você conseguir se afastar dos mitos, poderá aproveitar todo o espectro de tratamentos potencialmente eficazes disponíveis para você seja a Psicologia baseada em evidências ou não.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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