Os problemas mais comuns entre Psicólogos e pacientes

Homem de costas, tendo à sua frente um mural com vários pontos de interrogação

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Todo Psicólogo quer fazer a coisa certa em cada sessão. No entanto, apesar do seu bom treinamento, supervisão e estudo continuado, ocasionalmente cometem erros.

Alguns dos erros terapêuticos mais comuns são discutidos a seguir, juntamente com sugestões sobre como evitá-los:

Não respeitar o tempo e a agenda dos pacientes

O Psicólogo é treinado para observar e identificar, logo no início da terapia, quais questões do paciente são primárias e quais são secundárias. Além disso, ele também é treinado para atender a essas preocupações de forma eficaz e eficiente. E, na maioria das vezes, imagina rapidamente intervenções úteis que impulsionam a cura.

No entanto, as questões que se destacam para ele podem não ser as questões que levaram o paciente à terapia. Na verdade, o paciente pode não estar pronto para ouvir ou mesmo considerar esses assuntos. Nesses casos, o tempo é tudo.

Se as avaliações iniciais estiverem corretas, provavelmente haverá necessidade de orientá-lo em direção aos problemas subjacentes, mas insistir nisso antes que esteja pronto vai gerar mais ressentimento do que recuperação.

Optar por uma intervenção onde há um “dever de casa”, sem avaliar as necessidades atuais do paciente é um equívoco. Alguns indivíduos vão bater de frente e se rebelar contra as tarefas de leitura e lição de casa. Nesses casos, é melhor mudar para uma abordagem mais suave e interpessoal. Mais tarde, depois de estabelecida uma aliança terapêutica sólida, pode-se voltar a intervenções mais diretas.

Os problemas relacionados à agenda surgem porque um Psicólogo está se sentindo ansioso, vendo os problemas e uma série de soluções potenciais e querendo resolver as coisas imediatamente, em vez de permitir que o paciente experimente sua jornada individual de cura.

Como tal, mesmo sabendo que certas formas de tratamento e terapia são normalmente as mais úteis para uma determinada patologia, deve-se estar disposto a abrir mão dessa agenda e da necessidade de resolver o problema o mais rápido possível.

Não respeitar o tempo de processamento do paciente

Pode ser incrivelmente difícil e às vezes até prejudicial para um paciente visitar seu Psicólogo, abrir-se sobre algo incrivelmente doloroso e, em seguida, ouvir algo como: “sinto muito, mas nosso tempo acabou. Vejo você na próxima semana.”

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Isso é especialmente problemático ao tratar pessoas com histórico de trauma profundo. Mas mesmo sem um histórico de trauma significativo, nunca é uma boa ideia enviar os pacientes de volta ao mundo menos organizados do que quando chegaram. Se isso ocorre, coisas ruins podem acontecer.

Se um paciente está lidando com um vício, por exemplo, ele estará deixando seu consultório emocionalmente preparado para uma recaída. E isso não é legal. O Psicólogo precisa anotar para onde as coisas estavam indo, e continuar naquele ponto em uma sessão posterior.

Às vezes essa pressa tem uma implicação financeira, com o Psicólogo esperando fazer um paciente avançar rapidamente em seu trabalho terapêutico porque seus recursos financeiros são limitados.

Limites não intencionais e violações éticas

A responsabilidade é uma via de mão dupla. Assim como o Psicólogo não deve tolerar limites inadequados representados pelos pacientes, também precisa respeitar e modelar os seus próprios limites.

Os limites vão muito além do financeiro. Para começar, salvo uma emergência ou doença inesperada, chegar atrasado à sessão e/ou cancelá-la no último minuto não precisa ser tolerado. Adormecer durante as sessões é totalmente inaceitável.

Também não é sensato levar as visões culturais e/ou religiosas para o consultório, a menos que se esteja claramente fazendo isso em serviço direto ao paciente.

Não estar ciente de como as crenças afetam o trabalho

Normalmente, esse problema se manifesta como uma falta de aceitação por parte do Psicólogo e ocorre com uma ampla variedade de questões: homossexualidade, vício, abuso sexual, poliamor, ter sete gatos ou qualquer outra coisa.

Certamente, se o paciente está agindo de maneira que prejudique a si mesmos ou a outros, o Psicólogo será obrigado a abordar isso na sessão, mas deve fazê-lo da forma mais imparcial possível.

O Psicólogo é treinado para ser muito mente aberta e receptivo sobre a maioria dos problemas, mas ninguém é perfeito a esse respeito. Todos carregam, inadvertidamente, suas crenças e valores pessoais para a sessão de terapia.

Se/quando o Psicólogo tem um paciente que apresenta problemas que o deixam pessoalmente desconfortável, é melhor procurar uma consulta ou encaminhá-lo para outra pessoa. Em outras palavras, se a inclinação natural ao encontrar um agressor sexual é dar um soco na boca dela, provavelmente esse Psicólogo não é o melhor para esse paciente.

Da mesma forma, o Psicólogo não deve tratar um alcoólatra que quer ficar sóbrio se ele acredita que o conceito de vício é uma porcaria.

Não permitir o silêncio

Na maioria das vezes, os pacientes precisam apenas que o Psicólogo cale a boca e ouça. Apesar dos insights úteis, interromper, terminar as frases e/ou pressionar por uma resposta raramente deixará o paciente se sentindo ouvido e seguro.

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Simplificando, o trabalho do Psicólogo é ouvir e ter empatia e então, quando apropriado, refletir e potencialmente dar direção. Às vezes, isso significa apenas ficar sentado em silêncio, enquanto o paciente sente e experimenta tudo o que precisam sentir e experimentar.

Não investir em supervisões

Como profissional de saúde mental, não se espera nem se exige que o Psicólogo seja onisciente. Ele é, no entanto, obrigado a buscar ajuda de seus pares e colegas sempre que se deparar com um problema ou preocupação que escapa de sua competência.

Isso é especialmente importante ao enfrentar um paciente potencialmente litigioso. O Psicólogo precisa lembrar que a melhor defesa contra um processo de imperícia é a prova documentada de que procurou a orientação de outro especialista.

Fazer referências inapropriadas

Por mais que o Psicólogo deseje o melhor para seus pacientes, não é do interesse dele, nem ético, recomendar profissionais específicos em outras disciplinas, como direito, medicina ou finanças.

A razão é simples: não importa o quanto ele considere um determinado profissional bom, se o relacionamento do paciente com essa pessoa for ruim, a aliança terapêutica será perturbada e, consequentemente, o trabalho clínico.

Além de encaminhar pacientes para resolver questões relacionadas à terapia, o Psicólogo precisa evitar encaminhamentos para profissionais específicos, embora possa fazê-lo com segurança para organizações profissionais sem fins lucrativos.

Mais uma coisa sobre referências: o Psicólogo jamais deve indicar seu paciente para um amigo ou familiar. Vai acabar mal.

Não manter bons registros

Nenhum Psicólogo entrou nesta profissão pensando que algum dia terá uma ação legal contra si, e espera também não precisar fazer contra outro. No entanto, sendo humanos e ocupados, ele está fadado a cometer erros clínicos.

Mesmo quando faz tudo certo, sempre existe a chance de um paciente aleatório entrar com uma ação legal. Afinal, o Psicólogo trabalha com uma população emocionalmente perturbada, que nos ama em um minuto e nos odeia no minuto seguinte.

A maneira mais eficaz e barata de se proteger de tais situações é documentar, documentar e documentar. O Psicólogo precisa ter, como sua segunda natureza, manter registros claros de todas as visitas, ligações e consultas feitas em nome de pacientes.

Portanto, independentemente do Psicólogo estar fazendo psicanálise diária ou intervenção ocasional em crises, ele precisa manter registros detalhados, atualizados e precisos.

Não obter autorizações por escrito

Na preocupação do Psicólogo com o bem-estar e as necessidades de um paciente, pode ser fácil pular a essencial etapa de obter permissão por escrito para se falar sobre ele com outra pessoa.

Sim, trazer um cônjuge ou membro da família para uma sessão é muito produtivo e também oferecer informações colaterais, mas não é ético falarmos do paciente sem autorização.

Também não se deve falar com médicos, advogados, outros clínicos, centros de tratamento, familiares ou qualquer outra pessoa sem autorização por escrito. Esta é uma regra simples e direta, mas fácil de ignorar.

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Ver a educação continuada como uma obrigação

Você gostaria de ser operado por um cirurgião que não conhece as técnicas mais modernas? Eu também não. Bem, a profissão de Psicólogo não é diferente, e os requisitos de educação continuada existem por um razão: a Psicologia está em constante mudança e é necessário acompanhá-la.

Novas pesquisas, novas tecnologias e novas metodologias surgem continuamente. Ir à conferências e participar de encontros pode ser caro (e às vezes não muito empolgante), mas sempre valem a pena.

Lembre-se que o diploma não faz de ninguém um bom Psicólogo, e a graduação é apenas um começo. Os melhores profissionais constroem e reconstroem sua base de conhecimento por meio da experiência e do aprendizado incansável.

Algo que os Psicólogos precisam considerar útil ao começar a trabalhar com novos pacientes que já fizeram terapia anteriormente é perguntar, sem rodeios e logo no início, o que eles gostaram e o que obtiveram em suas sessões de terapia anteriores (e, inversamente, o que não gostaram e o que não obtiveram).

No mínimo, essas informações fornecerão algumas orientações para um plano de tratamento mais eficiente. Muitos também acham útil fazer um check-in rápido a cada mês ou mais com cada paciente, fazendo perguntas como:

  • Há algo que você gostaria de falar e que não abordamos?
  • Você se sente à vontade para falar sobre assuntos difíceis aqui?
  • Você acha que está desenvolvendo uma melhor compreensão de seus problemas e como superá-los?

Obviamente, existem muitas outras perguntas que se pode (e deve) fazer, dependendo do paciente e de como o Psicólogo trabalha.

Não se deve levar para o lado pessoal se um paciente der respostas honestas às perguntas, e que não refletem bem sobre a qualidade do serviço oferecido. Se um indivíduo não se sente confortável, ou não sente que está progredindo, isso não significa que o Psicólogo é um fracasso. Pode, no entanto, significar:

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  • A insatisfação e infelicidade do paciente são um reflexo de sua psicopatologia (ou seja, ele tende a reclamar, mas na verdade está muito feliz);
  • O Psicólogo precisa tentar uma postura/abordagem diferente para trabalhar com esse paciente em particular;
  • O paciente precisa trabalhar com outro profissional, caso em que o encaminhamento deve ser feito.

Nesses casos, é sempre útil que o Psicologo verifique as suposições e julgamentos sobre a situação com outro profissional e até mesmo com o paciente. No final do dia, se o trabalho não parecer produtivo, mudanças precisam ocorrer e essas mudanças envolvem o encaminhamento para outro Psicólogo.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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