Qual a relação entre o TDAH e o perfeccionismo?

Uma pessoa perfeccionista tentando alinhar vários lápis.

Categoria: Perfeccionismo
Categoria: TDAH

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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O perfeccionismo é a distorção cognitiva mais comum relatada em adultos com TDAH. Geralmente se manifesta pela procrastinação, porque as condições não eram “perfeitas” ou por causa de uma autoimagem negativa.

Durante a infância, o TDAH torna as crianças o foco de críticas e punições excessivas, pois a hiperatividade é perturbadora, ao mesmo tempo que problemas de memória e de atenção dificultam a realização de trabalhos escolares e de tarefas comuns.

Há uma forte correlação entre perfeccionismo e impulsividade, outro sintoma do TDAH. Juntos, eles formam um ciclo de feedback negativo no qual alguém com TDAH estabelece padrões impossíveis, falha em atingi-los e toma decisões precipitadas devido à frustração.

Essas decisões têm consequências negativas e que reforçam ainda mais a ideia de que são inúteis.

A impulsividade e as disfunções executivas fazem com que a pessoa com TDAH:

  • Negligencie necessidades básicas como nutrição e higiene;
  • Esqueça prazos;
  • Abandone tarefas no meio do caminho;
  • Lute contra a procrastinação.

Isso a faz se sentir impotente sobre sua própria vida, deixando-a frustrada e envergonhada.

Para alguns, o perfeccionismo se torna um mecanismo de enfrentamento disfuncional. Uma forma de controlar meticulosamente cada pequeno detalhe, como se apenas ser mais disciplinado é tudo o que é necessário para superar o transtorno.

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Para quem recebeu críticas e punições frequentes, o perfeccionismo se torna uma forma de provar o próprio valor, bem como provar que não é preguiçoso, desmotivado ou sem disciplina.

Na mentalidade perfeccionista, a única maneira de provar que essas coisas estão erradas é se tornar o oposto delas.

Complicações do perfeccionismo no TDAH

O problema de usar o perfeccionismo como um mecanismo de enfrentamento do TDAH é que meio que funciona.

O estresse e a pressão para atingir um padrão impossível se torna um substituto para a ausência de uma fonte importante de motivação.

Embora a pressão para agir funcione como fonte de motivação, ela leva ao esgotamento e à procrastinação por causa do feedback negativo e da autocrítica que a pessoa com TDAH experimenta ao falhar em ser perfeita.

Eventualmente, essa pressão não apenas aumenta o risco de desistir dos objetivos, mas também dificulta o reconhecimento das realizações conquistadas.

Como combater o perfeccionismo no TDAH?

É possível encontrar maneiras mais positivas de se motivar e gerenciar o TDAH. Aqui estão algumas dicas para manter o perfeccionismo sob controle:

Contrabalançar pensamentos negativos com positivos

O processo de recuperação começa com a simples descoberta de um ponto positivo para neutralizar cada um dos pensamentos negativos.

Em vez de se focar em tudo o que há de errado com as coisas que se faz, é fundamental também olhar para o que se está fazendo certo.

No começo, o cérebro excessivamente crítico não se convence. Os erros ainda parecem superar em muito qualquer uma das realizações.

Mas, com o tempo, o equilíbrio irá acontecer.

Alguns dos “erros” que se costuma encontrar acabam não sendo realmente erros. Alguns tem soluções fáceis e outros requerem uma melhora legítima.

Mas, acima de tudo, deve-se reconhecer os pontos fortes e o que se está fazendo de correto.

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Mesmo os erros legítimos não serão mais um sinal de fracasso total. Serão apenas algumas áreas que precisarão serem polidas em uma peça de trabalho forte.

Concentrar-se nos aspectos positivos dos outros

Ao se concentrar nos aspectos positivos dos outros, mais fácil será encontrá-los em si mesmo.

Uma parte feia do perfeccionismo é a tendência de se comparar aos outros. Um monólogo interior constante que julga as pessoas e procura algo para criticar, na esperança de se sentir melhor comigo mesmo.

É importante parar de presumir que todo mundo está julgando secretamente alguém com TDAH. Isso trará menos medo de cometer erros na frente dos outros, bem como facilitará um pedido de ajuda.

Não dispensar elogios

Ser perfeccionista faz com que a pessoa descarte qualquer elogio que receba.

Pode ser difícil aquietar esses pensamentos. Mas, como ponto de partida, é essencial não descartar verbalmente o elogio. Em vez de dizer: “Realmente não foi tão bom” ou “Você só está sendo legal”, basta apenas agradecer.

Aprender a pelo menos fingir que aceita o elogio é um passo para internalizá-lo.

Revisar e redefinir as expectativas

Ser ambicioso é uma coisa, mas esperar o impossível de si mesmo é outra.

Os sinais de alerta de que as expectativas não são realistas incluem:

  • Sentir-se desapontado quando não se é natural ou imediatamente bom em alguma coisa;
  • Mover o alvo para outro lugar sempre que ele atender às expectativas;
  • Ficar estressado ou sobrecarregado quando as coisas não saem exatamente como planejado;
  • Fixação em pequenos detalhes;
  • Preocupar-se mais em ser visto como perfeito do que ter sucesso.

Para reformular as expectativas em algo mais realista e benéfico, deve-se pensar no porquê:

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  • Por que você está perseguindo esse objetivo?
  • Quais são os benefícios de viver de acordo com esses padrões que você definiu?
  • As expectativas estão ajudando a viver uma vida plena e gratificante?
  • Elas são apenas um esforço para sentir que você merece ocupar espaço?
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Encontrar tarefas realizáveis

Em vez de se fixar em quão impossível é o projeto ou em quão imperfeitas são as condições em que se trabalha, deve-se buscar tarefas que possam ser concluídas.

Talvez não seja possível se concentrar o suficiente para ler todo o capítulo de um livro, mas pode-se ler uma página. Mesmo que seja necessário reler o último parágrafo cinco vezes até absorvê-lo.

Há sempre uma tarefa factível escondida dentro das impossíveis, e realizá-las nos dias ruins não apenas fará se sentir um pouco menos fracassado, mas também dará uma vantagem para os dias bons.

Certificar-se de que a programação é realista

Combinar a cegueira do tempo do TDAH com o perfeccionismo é a receita perfeita para fazer uma programação realista, como esperar concluir um projeto que levaria quatro dias em quatro horas.

Ao falhar em terminar dentro do prazo impossível, a pessoa com TDAH acredita que o problema é ela, e não o cronograma.

Para começar, um bom hábito é dar a si mesmo pelo menos o dobro do tempo que acredita que precisa.

Em seguida, aprender a controlar o tempo ajuda a criar uma noção realista de quanto tempo se precisa para diferentes tarefas.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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