A mentira por omissão e suas consequências

Mulher segurando uma máscara enquanto ao fundo ela tem uma expressão triste e feliz

Categoria: Outros
Categoria: Psicopatia

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Todos nós sabemos que uma simples mentira corresponde à dizer algo que não é verdade. Mas, saber disso não é mais suficiente no mundo de hoje, pois ela assumiu formas mais sutis, como a mentira por omissão.

Porém, o que exatamente significa mentir por omissão? Como podemos defini-la e o fazer a respeito?

A mentira por omissão é definida como a retenção deliberada de fatos ou informações pertinentes sobre uma pessoa, evento, história de vida ou cenário que leva aquele que recebe essas informações incompletas a perceber e agir de maneira diferente do que faria se tivesse recebido todas as informações relevantes.

Em outras palavras: uma pessoa enganando outra não pelo que é dito, mas pelo que omite em relação as informações que ela dá sobre algo.

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Nesse sentido, a mentira por omissão é tão prejudicial, se não mais prejudicial, quanto a mentira direta, já que é mais encoberta, sorrateira e leva mais tempo para ser descoberta. E, às vezes, nem é descoberta.

O efeito da mentira por omissão é devastador para os enganados, levando à demissões no local de trabalho, relacionamentos rompidos e problemas de saúde mental, se descoberta.

Como tal, é de vital importância que todos nós entendamos e sejamos capazes de procurar essa forma mais sorrateira e oculta de mentira, comum principalmente em relacionamentos e locais de trabalho tóxicos.

Estar ciente sobre esse tipo de mentira é o primeiro passo, seguido da astúcia e da crítica na forma como avaliamos as informações. A verificação dos fatos deve ser a regra sempre que não temos certeza sobre algo que alguém nos diz.

Desconsiderar nossa intuição nos leva a sermos enganados por mentiras omissivas, e aprender a confiar no instinto de que “algo não está certo” com alguém é, muitas vezes, a maneira como as detectamos.

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Vejamos a mentira por omissão com mais detalhes, começando com alguns exemplos e contextos em que ela pode aparecer: “eu não menti, só não te disse”. A mentira por omissão ainda é mentira, porque leva a outra pessoa a pensar e agir de forma diferente do que se tivesse todas as informações.

Alguns exemplos de mentira por omissão

A mentira por omissão assume muitas formas e acontece em muitos contextos diferentes. É claro que nem todo caso envolve coisas realmente sérias e que causarão danos reais se divulgadas.

Uma pequena mentira por omissão não causa devastação. Ela não vai arruinar um casamento ou uma família se for revelada dez anos depois. Todos seguem em frente e rapidamente a esquecem.

No entanto, mesmo que esse tipo de mentira comece pequena, ela se torna um hábito e se transforma em coisas cada vez maiores, causando problemas quando descobertas. Por exemplo: um cônjuge infiel mente ao omitir informações que fariam com que a pessoa enganada reagisse de maneira muito diferente se soubesse do caso.

Portanto, o problema não é o que é dito, mas o que não é dito, o que é deixado de fora.

Tanto homens quanto mulheres costumam deixar de fora detalhes de seu passado, por medo de serem julgados pelos futuros parceiros em potencial. Mas, na era da internet, mentir por omissão não costuma dar muito certo.

Mentir por omissão é comum no local de trabalho

A mentira por omissão também é extremamente comum no local de trabalho, especialmente entre os tipos de personalidade narcisistas e psicopatas.

Como faz parte de uma tática de difamação mais geral, é frequentemente usada por encrenqueiros que querem minar a imagem de alguém e expulsá-la da empresa, como colegas e gerentes superiores. Isso normalmente acontece quando um tipo de personalidade tóxica é promovida a uma posição de poder.

As omissões normalmente envolvem:

  • Coisas boas que a pessoa faz, habilidades que ela tem e maneiras como ela contribui;
  • A experiência anterior que a pessoa tem, diminuindo sua credibilidade aos olhos dos outros;
  • A falta de contextualização quando alguém tem apenas uma reação negativa diante de conflitos e surtos;
  • Aspectos cruciais da vida atual ou passada de uma pessoa, que exigem mais compreensão e simpatia.

Se for permitido que a mentira por omissão continue ao longo do tempo, haverá explosões onde o alvo é injustamente culpado por situações que não são sua culpa. Uma vez que a reputação é prejudicada e manchada pelo feedback seletivo, a alta administração perde a simpatia por eles.

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Isso faz com que pessoas boas sejam forçadas a sair das empresas, pois os encrenqueiros solidificam sua própria posição, minam e expulsam qualquer um que considerem uma ameaça.

Sempre há dois lados em toda história. E muitas vezes, a pessoa que contou o primeiro lado, intencionalmente ou não, deixa coisas fora da história que podem mudá-la completamente.

A mentira por omissão é comum entre psicopatas e narcisistas

A mentira por omissão é algo em que as personalidades psicopatas e narcisistas são muito boas, tanto nas relações pessoais quanto nos locais de trabalho. Eles são hábeis em tecer narrativas e contar histórias de uma maneira que os beneficie e prejudique outra pessoa.

Mentir por omissão pode significar problemas profundos de caráter.

A pessoa constantemente usa mentira por omissão para seus próprios fins, sem remorso ou culpa. Enquanto pessoas tóxicas não têm uma “bússola” moral dentro de si, as pessoas nutritivas sabem quando algo precisa ser divulgado.

Em outras palavras, as pessoas com transtornos de personalidade costumam enganar os outros durante toda a vida, e não se sentem mal com isso. Elas têm todo o kit de ferramentas para enganar à sua disposição, incluindo a mentira por omissão.

Elas falam com tanta fluência, suavidade e fornecem a você uma certa narrativa que é totalmente convincente, mesmo que seja uma mentira direta.

Os psicopatas não violentos, especialmente, são brilhantes em atrair pessoas inocentes com histórias falsas e conversas suaves. Eles passam pelo mesmo ciclo de idealizar-desvalorizar-descartar, com inúmeras vítimas, confiantes de que todas as vezes a mentira por omissão, funcionará.

A mentira por omissão na política e na mídia

O lugar onde mais vemos a mentira por omissão é na política e na mídia. Ela está praticamente incorporada em todas as áreas da vida moderna. Aqui estão alguns exemplos de como isso aparece:

  • Exibição de estatísticas, gráficos, “fatos”, números e assim por diante, e omissão de outros fatos e números importantes que pintariam um quadro muito diferente da conclusão que querem que você tire;
  • Reportagens cobrindo certos fatos, mas omitindo outros que levariam o espectador a tirar uma conclusão muito diferente. A mentira por omissão é onipresente na mídia e em todos os lados do espectro político;
  • Quando políticos são chamados para interrogatório sobre algum escândalo, redigem respostas de tal forma que certas informações são omitidas, de modo a enganar o questionador e evitar serem vistos por uma perspectiva ruim.
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A mentira por omissão é aceitável?

Algumas pessoas podem questionar se a mentira por omissão é realmente uma coisa tão ruim assim. Embora seja verdade que existam cenários onde a mentira por omissão não causa nenhum dano, omitir qualquer coisa verdadeiramente significativa e impactante não é aceitável em nenhuma circunstância.

Isso representa uma forma encoberta de desonestidade que é:

  1. Eticamente errada por si só e;
  2. Causa sérios danos às pessoas a quem se mentiu caso a verdade seja revelada, especialmente após um longo período de tempo.

A omissão na maioria das vezes é deliberada e mostra que a pessoa sabe que tem algo a esconder. Há consciência de culpa ali. O verdadeiro motivo para não praticar a mentira por omissão é o prejuízo que ela causa à outra pessoa.

Aqui estão algumas coisas a serem levadas em consideração sobre o impacto negativo da mentira por omissão:

  • Faz com que as pessoas tirem conclusões radicalmente diferentes do que se tivessem todas as informações relevantes;
  • Nos cenários do local de trabalho, causa mal-entendidos que levam à demissão de bons trabalhadores;
  • Especialmente nos relacionamentos, remove o livre arbítrio da outra pessoa para fazer uma escolha a partir de todos os fatos relevantes;
  • Quando toda a verdade omitida vem à tona, especialmente sobre o passado de uma pessoa, os efeitos são muitas vezes devastadores, pois a vítima passou meses ou anos “vivendo uma mentira”;
  • A pessoa que mentiu vê sua vida desmoronar, perdendo completamente a confiança de outras pessoas, e depois sofrer de ansiedade, depressão e outros problemas;
  • Nos relacionamentos românticos, é vital contar toda a verdade sobre o passado, mesmo as partes desagradáveis​​, e dar à outra pessoa o livre arbítrio e escolha.

A principal lição de ética aqui é nunca mentir, seja diretamente ou por omissão, sobre coisas sérias da vida atual ou passada. Deve-se ser aberto, honesto e aceitar o resultado, seja ele qual for.

Também em um sentido mais geral, nunca é uma boa ideia adquirir o hábito de mentir apenas para facilitar a vida no presente, mesmo sobre coisas menores, pois é um hábito que aumenta e depois será difícil de quebrar.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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