Alguém pode se tornar viciado em amor ou em relacionamento?

Uma pessoa com o rosto encoberto e segurando um coração gigante

Categoria: Outros

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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O amor é um conceito amplo, e ainda não conseguimos encontrar um critério exato para que o “vício em amor” se torne algo diagnosticável por um profissional de saúde mental.

Mas, ao mesmo tempo, os sintomas naqueles com vício em amor são semelhantes aos da dependência de substâncias. As regiões do cérebro e os neurotransmissores que são ativados pela dependência de substâncias também são acionados quanto temos problemas de relacionamento não saudáveis.

Portanto, o que está claro até o momento é que podemos ter comportamentos prejudiciais e viciantes em relação ao amor, e em torno de suas ideias.

Como alguém pode ser viciado em amor?

O viciado em amor prioriza os relacionamentos e a atenção dos outros, acima de qualquer coisa.

Ele tem um crença oculta de que não é inteiro do jeito que está, mas precisa de outra pessoa para completá-la e fazê-la se sentir feliz. A vítima do viciado em amor tem a sensação de ser engolfada por outro.

Sintomas do vício em amor

Os sintomas do vício em amor incluim:

  • Constantes pensamentos e buscas por um relacionamento;
  • Pensar e falar sem parar sobre seu atual ou último relacionamento;
  • Apressar-se em relacionamentos que tendem a ser confusos e intensos;
  • Sentir-se “nas nuvens” quando está com um parceiro ou interesse amoroso, e desanimado quando sozinho;
  • Mudar sua vida para se adequar ao relacionamento e ao seu parceiro;
  • Sempre à espreita e ansiando por atenção, mesmo de estranhos;
  • Medo de compromisso, mas também medo de ser abandonado;
  • Sentimentos de pânico se o parceiro/objeto amoroso discorda ou desaprova você;
  • Baixa autoestima e crenças de que você não é realmente adorável.
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Os diferentes tipos de vício em amor

Outros tipos de vício em amor incluem:

  • Vício em romance;
  • Vício em pessoas e;
  • Vício em sexo.

Você pode se enquadrar em várias dessas categorias, ou passar por fases em que é mais um tipo do que outro. São categorias que existem apenas como diretrizes, para que você e seu Psicólogo entendam e conversem sobre suas lutas.

Vício em romance

Um “viciado em romance”, é consumido por ideias de amor épico ou de conto de fadas. Aqui há sinais de vitimização e o desejo de ser salvo.

Ele leva a um distanciamento cada vez maior da vida real. A pessoa pensa que alguém gosta dela, e então cria todo um cenário romântico para contar aos outros, mesmo que a outra pessoa só tenha dito um oi.

Na pior das hipóteses, o viciado em romance se transforma em um stalker. Os sintomas do vício em romance incluem:

  • Constantes distrações motivadas por fantasias românticas;
  • Negar a participação em eventos sociais para ficar em casa lendo livros românticos, ou assistir filmes românticos;
  • Nunca ter relacionamentos reais enquanto espera pelo seu “príncipe”;
  • Interpretar demais (ele olhou para você, então ele está apaixonado);
  • Obsessão por alguém a ponto de persegui-la nas redes sociais, ou ir aonde você espera que ela esteja;
  • Ideias exageradas sobre quaisquer interações reais;
  • Falta de discernimento quando se trata de envolvimentos amorosos (casos no trabalho ou com pessoas casadas).
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Vício em pessoas

O vício em pessoas vai muito além do amor e do romance. Achamos que “precisamos” de alguém em nossa vida, não importa o que aconteça, e estamos dispostos a sofrer para que assim seja.

Na pior das hipóteses, o vício em pessoas leva a comportamentos de stalking, ocorrendo o risco de ser preso por assédio, prejudicar ou agredir o objeto de afeição.

Os sintomas do vício em pessoas incluem:

  • Pensar nela o tempo todo;
  • Negar suas próprias necessidades em troca da proximidade com essa pessoa;
  • Ter medo de perder o contato com ela;
  • Insistir em um relacionamento abusivo;
  • Acreditar que a outra pessoa é o seu “destino”, ou que você estará perdido e não será nada sem ela;
  • Envio exagerado de mensagens de texto, ligação ou stalking de redes sociais;
  • Querer saber onde a outra pessoa está o tempo todo;
  • Ciúme extremo e paranoia quando falam com outras pessoas;
  • Envolver-se em comportamentos disfuncionais para chamar a atenção da outra pessoa ou mantê-la sob controle, como criar perfis falsos nas redes sociais, invadir seus e-mails, esperar do lado de fora de casam etc.

Vício em sexo

O vício em sexo envolve pensar obsessivamente sobre relações sexuais e buscar gratificação em maneiras que tenham consequências negativas.

Em sua raiz está a necessidade de fugir de uma vida que se odeia, ou fugir da vergonha profundamente enraizada de eventos passados.Também pode ser sobre evitar baixa autoestima, solidão ou raiva reprimida.

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A ideia de que um viciado em sexo é apenas alguém que tem muitos casos é apenas um clichê. A maioria deles têm muito pouco ou nenhum sexo “real’, mas estão presos a um ciclo de autoprazer.

Os sintomas do vício em sexo incluem:

  • Pensar em sexo o tempo todo, a ponto de estar sempre distraído e com baixo desempenho na carreira, vida familiar, etc;
  • Ter muitos comportamentos/pensamentos sexuais secretos;
  • Sentir-se bem quando ao se envolver com esses pensamentos/comportamentos sexuais, mas sentir-se mal e cheio de vergonha logo depois;
  • Comportamento sexual de risco, como sexo desprotegido, com pessoas impróprias, como o parceiro do chefe/amigo e em locais públicos;
  • Sempre procurar uma oportunidade sexual ou ver os outros como uma conquista;
  • Comportamento de risco no local de trabalho, como ver material inapropriado ou fazer insinuações de caráter sexual com os colegas;
  • Dizer não a eventos sociais para ficar em casa assistindo pornografia;
  • Sabotar conexões e relacionamentos reais por causa da necessidade de risco sexual, como trair parceiros ou mentir para sobre hábitos sexuais.
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Ser viciado em amor é um grande problema?

A longo prazo, esse vício leva ao mesmo tipo de resultado que o de substâncias, o alcoolismo e os jogos de azar. Eles controlam você, não você os controla.

Eles vão distraí-lo a ponto de perder seu emprego, seus amigos, atrapalhar os relacionamentos familiares e tudo o que você ama. Mesmo no melhor cenário, o vício em amor envolve uma sensação paralisante de estar preso por seus próprios comportamentos.

Tratamento para o vício em amor e relacionamento

Como qualquer forma de vício, a melhor coisa que se pode fazer é buscar apoio. Entrar em contato com um amigo confiável é o primeiro passo.

O suporte profissional também é altamente recomendado, com um Psicólogo que tenha experiência em trabalhar com vício em amor e romance. Ele o ajudará a reconhecer que outras coisas estão sendo confundidas com amor, o que o amor realmente é e, como obtê-lo de forma mais saudável em sua vida.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.