5 razões pelas quais os livros de autoajuda não funcionam

Mulher fazendo gesto de negativo com ambas as mãos

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Existem muitos livros de autoajuda realmente bons, ouso dizer até que eles mudam vidas. Livros que vão desde filosofia e psicologia até negócios e motivação.

No entanto, também existem os livros ruins, e eles são inúteis por 5 razões fundamentais:

As lições não são aplicadas

É fácil ler um livro de autoajuda, participar de um workshop de “life coach” e obter satisfação apenas com a dopamina que vem ao terminá-lo ou se divertir com os altos do seminário. Mas, consumir é a parte fácil.

Colocar as lições em prática e fazer mudanças requer muito mais esforço, e é aí que as coisas não funcionam para a maioria das pessoas. Muitas vezes, não são as lições que são inerentemente inúteis, mas a não aplicação delas pelas pessoas que as torna assim.

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A assimetria nas circunstâncias

Quando se trata de seguir conselhos em livros de autoajuda, a simetria só existe se as circunstâncias que envolvem o sucesso do autor, ou os estudos de caso que ele apresenta for as mesmas que as sua.

É preciso ser objetivo ao ler livros e ponderar como isso se aplica às suas próprias circunstâncias, e como não pode. O fundador de uma startup pode ler um livro sobre como a IBM se reinventou e, embora tire algumas lições dele, é improvável que tenha apredndido muito sobre, digamos, levantar capital para um novo empreendimento.

Da mesma forma, alguns conselhos até funcionaram até a década de 90, mas o mundo mudou muito desde à popularização da internet, e muitas lições não se aplicam mais.

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Falácia narrativa e viés de sobrevivência

Atribuímos nosso sucesso ao que preferimos lembrar do que ao que preferimos esquecer, de forma linear, em vez da linha ondulada que verdadeiramente representa do sucesso.

Quando lemos livros de autoajuda de pessoas que alcançaram o sucesso ficamos inclinados a ver somente as coisas muito específicas que funcionaram, e descartamos as coisas que não eram tão óbvias, como os fracassos, mas que foram igualmente úteis para se chegar ao topo.

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Não apenas isso, mas para cada pessoa bem-sucedida que seguiu os passos hipotéticos A, B e C, provavelmente existem centenas que fizeram exatamente a mesma coisa, mas falharam. Isso tem a ver em parte com as leis de poder e a natureza do universo, e em parte com a sorte.

Finalmente, correlação não é igual a causalidade. Assim, creditar a ação X com o resultado Y é apenas consequência de uma miríade de outras variáveis que estavam em jogo naquele momento.

O componente sorte

É fácil atribuir nossos sucessos ao quão incríveis somos. Porém, o erro fundamental de atribuição, um viés humano, faz com que coloquemos a culpa pelos nossos erros nas circunstâncias, e quando outros erram, no seu caráter.

Mas o que muitas vezes deixamos de reconhecer é o papel que a sorte, boa e ruim, desempenha no sucesso e no fracasso.

Claro, podemos fazer muitas coisas certas ao longo do caminho até o topo, e ainda assim falharmos. Então, muitas vezes, é preciso ter um pouco de sorte ao seu lado.

Mas, antes de sentar no sofá e esperar que a sorte apareça, é possível aumentar suas chances de sucesso se ocupado.

Conselhos ruins

Muitos livros de autoajuda equivalem a cartões de visita escritos às pressas, cheios de conselhos anedóticos e “porque funcionou para mim, funcionará para você também”.

Tais anedotas estão sujeitas a viés de confirmação, escolha seletiva, sorte, falácia narrativa, não replicabilidade, assimetria de circunstância ou simplesmente um absurdo atemporal.

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A realidade é que as circunstâncias, capacidades e objetivos de todos são diferentes. Há nuances em nossas vidas e em nossas respectivas buscas. Então, um simples conselho de tamanho único geralmente não serve para todos.

Os ensinamentos contemporâneos de autoajuda são atraentes porque nos passam a sensação de que somos os criadores de nosso próprio destino. Eles pregam que temos dentro de nós o poder de mudar nossas vidas para melhor, até mesmo de nos renovar.

Embora isso seja verdade, o foco na responsabilidade pessoal nos distrai das desigualdades estruturais , como o acesso desigual à educação de qualidade, à saúde, etc.

Portanto, em vez de esperar que um conselho mude sua vida, leia bastante e você começará a ver os padrões emergirem.

Aplique e veja se funciona para você. Se isso não acontecer, passe para outra coisa. Se isso acontecer, faça mais disso. Esteja sempre se adaptando e nunca, jamais, pare de aprender.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.