5 sinais que você está com mais raiva do que imagina

Homem com o rosto distorcido pelo sentimento de raiva

Categoria: Outros

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Se você é do tipo que gosta de pensar em si mesmo como calmo, legal e controlado, há uma boa chance de estar com mais raiva do que imagina (ou pode admitir). Como ela não é uma emoção socialmente aceitável, muitos acabam mascarando-a. E, às vezes, o fazem por tanto tempo e são tão bons nisso, que nem percebem mais quando estão incomodados.

Porém, não importa o quão bom você seja em escondê-la, ela sempre aparecerá de uma forma ou de outra. Como psicólogo, trabalho regularmente com pessoas que insistem que não estão com raiva, apenas para perceber que muitas de suas tendências e hábitos mais inúteis são resultado de uma braveza inexplorada.

Ficar com raiva não é uma coisa ruim. Mas se não for autoconsciente o suficiente para reconhecê-la, os efeitos colaterais causarão muito sofrimento para você e para as outras pessoas.

Aqui estão 5 sinais de que você está com mais raiva do que imagina, e algumas sugestões para lidar com ela de uma maneira mais saudável.

Ansiedade crônica

As pessoas tem tanto medo de sua raiva que assumem qualquer quantidade de estresse para evitá-la. À primeira vista, pessoas cronicamente ansiosas são exatamente o oposto da raiva. No mínimo, elas parecem mansas, despretensiosas ou até mesmo ingênuas.

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Mas, só porque você não parece e não age com raiva não significa que não esteja com ela. A raiva é uma emoção humana natural resultante de injustiça ou violação de limites. Por exemplo:

  • Se um valentão rouba sua merenda na escola, é natural sentir raiva;
  • Se você assistir a uma reportagem de alguma pessoa inocente sendo injustiçada, você ficará com raiva;
  • Se seu cônjuge criticar sarcasticamente sua roupa, você provavelmente ficará com raiva.

E mais do que um sinal de que alguma injustiça foi cometida, a raiva também é combustível para corrigi-la:

  • Onde estaria o movimento dos direitos civis se ninguém se irritasse com a escravidão e o racismo?
  • Onde estaria a democracia se ninguém se irritasse com a tirania e o fascismo?
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A ansiedade é o preço de uma raiva não reconhecida.

Ruminação

Só porque você não está com raiva de outras pessoas não significa que você não está com raiva. A raiva autodirigida também é uma coisa real, e com muitas consequências destrutivas se não for controlada.

Muitas pessoas assumem que não estão com raiva só porque nunca se incomodam com os outros. Elas parecem legais, amigáveis, tolerantes, empáticas e até bastante pacientes quando se trata de outras pessoas. E como raramente ficam zangadas, quase nunca deixam isso transparecer:

  • Elas não gritam;
  • Elas não agem ou ficam agressivas;
  • Elas não perdem a calma quando as coisas dão errado.

Só que as aparências enganam. Algumas das pessoas mais raivosas que já trabalhei são muito calmas para todos os outros, e até mesmo para as pessoas que as conhecem bem, como cônjuges ou pais.

Como isso é possível? Para muitos, sua raiva é autodirigida e se manifesta como uma ruminação mental. A ruminação é o hábito de estabelecer uma conversa interna intensamente negativa e improdutiva sobre os erros. Por exemplo:

  • O comentário de um amigo durante o jantar desencadeia a lembrança de um erro que você cometeu no passado, e então passa o resto da noite pensando nesse erro e em todas as consequências negativas;
  • Seu supervisor lhe dá algum feedback negativo sobre um trabalho, e você passa horas distraído com pensamentos de como poderia ter feito melhor;

O insight principal aqui é sutil, mas importante: embora a ruminação leve à tristeza e à vergonha, ela é alimentada pela raiva. Como a maioria das pessoas se identifica com as consequências de seu hábito de ruminação, acabam não percebendo a importância do papel que ela desempenha em suas vidas.

Lembre-se:

  • Só porque a raiva não é externada ou dirigida a outra pessoa, não significa que ela não esteja presente e;
  • Só porque sua raiva não está levando a comportamentos destrutivos com os outros, não significa que não esteja levando a comportamentos destrutivos consigo mesmo.

Se você luta contra a ruminação, a autocrítica ou o perfeccionismo, há uma boa chance de que se tornar mais consciente de sua raiva o ajudará a escapar do ciclo. Se você tivesse uma pessoa em sua vida te tratando como você se trata, você já teria se livrado dela há muito tempo.

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Comunicação passivo-agressiva

As pessoas se tornam passivo-agressivas quando sentem uma raiva intensa, mas têm medo de reconhecê-la. Quando as pessoas são passivo-agressivas, elas agem de maneira agressiva para conseguir o que querem, mas escondem isso para evitar a responsabilidade pelas consequências de sua agressão.

Aqui estão alguns exemplos:

  • Atrasar-se cronicamente para compromissos ou reuniões, e sempre tendo uma ou outra desculpa pronta para apresentar;
  • “Ter” uma dor de estômago pouco antes de se encontrar com aquele amigo que realmente você não gosta;
  • Fazer um trabalho ruim no escritório para que outra pessoa o faça.

O problema com esse hábito de comportamento passivo-agressivo é que ele não funciona, pelo menos não a longo prazo:

  • Eventualmente, você será visto como esquisito, não confiável e irresponsável por pessoas-chave em sua vida. E, como resultado, se sentirá cada vez mais isolado e sozinho;
  • Além do mais, em um nível profundo, você também se percebe dessa maneira. O resultado é baixa autoestima, vergonha e autoaversão.

A única maneira de sair desse ciclo é ser mais assertivo. Isso significa aprender reconhecer sua raiva e frustração, agindo quando apropriado. Fazê-lo de uma maneira que seja honesta com seus próprios desejos e necessidades, e também respeitosa com as dos outros. Assertividade não é construir um bom disfarce, mas desenvolver a coragem para tirá-lo.

Constantes desabafos

Você desabafa muito com amigos, familiares ou colegas de trabalho? Nesse caso, isso pode ser um bom indicador de que você está com mais raiva não reconhecida do que imagina.

Por muito tempo, a forma como os Psicólogos entendiam a raiva era que ela era uma espécie de substância tóxica que precisava ser liberada, ou então seria prejudicial. Como resultado, a ideia de “descarregá-la” tornou-se popular e encorajada por muitos.

Infelizmente, toda essa teoria catártica é um completo mito. E pior do que isso, simplesmente desabafar a intensificará a longo prazo. A maneira mais saudável de lidar com ela é reconhecê-la, validá-la, agir de forma assertiva, ou simplesmente deixá-la acontecer.

Isso significa que, se você é o tipo de pessoa que desabafa muito, ou se autodenomina um reclamão crônico, a melhor estratégia é:

  1. Reconhecer melhor sua raiva ou frustrações;
  2. Fazer algo a respeito.

Gostamos de desabafar porque isso dá a ilusão de estarmos trabalhando nas coisas. Mas, na verdade, não aborda os problemas que nos deixa frustrado. E, mesmo que seja bom desabafar, isso apenas mantém as chamas acesas por mais tempo.

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Lembre-se de que é perfeitamente saudável sentir-se frustrado e com raiva. Mas como você lida com esses sentimentos é que pode ser muito prejudicial.

Reclamar é não aceitar como as coisas são. Quando alguém reclama, ela se torna uma vítima. Quando alguém fala, ela está em seu poder. Portanto, mude a situação agindo ou falando se necessário ou possível. Tudo o mais é perda de tempo.

Hipercrítica

Muitas pessoas mascaram sua raiva expressando-a na forma de críticas friamente intelectuais aos outros. Se você tende a ser excessivamente crítico, isso é um sinal de que há alguma raiva não reconhecida.

Funciona assim:

  • Frequentemente as pessoas se sentem mal consigo mesmas, e talvez tenham medo de fazer uma grande mudança na vida, por exemplo, mesmo sabendo que é a coisa certa a fazer;
  • Essa dor ou inadequação dói, é claro. Mas com o tempo será a culpa e a vergonha que sentirão por não fazerem nada a respeito, mesmo sabendo que deveriam;
  • Eventualmente, essa culpa e vergonha se tornam raiva e ressentimento autodirigido. Mas ainda assim, elas se sentem presas;
  • Então, para aliviar temporariamente toda essa negatividade, criticam ou julgam os outros como uma espécie de mecanismo de enfrentamento de sua própria baixa autoestima;
  • Quando você critica alguém, implicitamente quer comunicar que sabe mais, o que temporariamente faz se sentir bem consigo mesmo;
  • A longo prazo, esse julgamento se tornará mais uma coisa pela qual se sentirá mal consigo mesmo.

O problema é que muitas pessoas que têm o hábito de julgar os outros parecem o oposto de zangadas, parecem frias e distantes de uma forma intelectual ou hiperanalítica. Essa fria crítica intelectual é apenas uma máscara para as próprias inseguranças e raiva autodirigida.

Alguém só pode lidar com suas inseguranças e raiva se estiver ciente e disposto a explorá-la. O hábito de criticar os outros não vai diminuir até que o motivador central seja abordado. Os hipócritas gritam julgamentos contra os outros para esconder o barulho dos esqueletos dançando em seus próprios armários.

Não há nada de errado em ficar com raiva. É uma emoção humana normal e tem muitas funções importantes. Mas se você negar sua raiva, terá problemas.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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