Como a crítica pode arruinar um bom relacionamento?

Homem criticando uma mulher com severidade

Categoria: Casamento

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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A crítica pode arruinar um bom relacionamento, e a única forma confiável de autobiografia. Ela diz mais sobre a psicologia do crítico do que as pessoas que ele critica. Bons Psicólogos conseguem formular uma hipótese diagnóstica viável apenas ouvindo as críticas de alguém.

A crítica também é um fator preditivo para o divórcio, sendo destrutiva quando:

  • É sobre personalidade ou caráter, em vez de comportamento;
  • Vem cheia de culpa direcionada ao parceiro;
  • Não focada na melhoria;
  • Baseada em apenas uma “maneira certa” de fazer as coisas;
  • Menospreza;

A crítica em relacionamentos românticos começa de forma discreta, na maioria dos casos, e aumenta com o tempo, formando uma espiral de ressentimento. A pessoa criticada se sente controlada, o que frustra o parceiro crítico, que então intensifica a crítica, aumentando a sensação de controle do outro, e assim por diante.

Por que a crítica pode arruinar um bom relacionamento?

A crítica pode arruinar um bom relacionamento porque é um fracasso total em conseguir uma mudança de comportamento positiva.

Qualquer ganho de curto prazo que se possa obter disso cria ressentimento no futuro.

A crítica falha porque ela incorpora duas das coisas que os seres humanos mais odeiam:

  1. Exige submissão, e nós odiamos nos submeter;
  2. Desvaloriza, e odiamos nos sentir desvalorizados.
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Se por um lado detestamos nos submeter, por outro nós gostamos de cooperar. As pessoas críticas parecem alheias a este ponto-chave sobre a natureza humana: o eu valorizado coopera; o eu desvalorizado resiste.

Se você deseja uma mudança de comportamento de um parceiro, filho, parente ou amigo, primeiro mostre valor para a pessoa. Se você quer resistência, critique.

Por que pessoas continuam criticando ao longo da vida?

As pessoas críticas são certamente inteligentes o suficiente para descobrir que a crítica não funciona. Então, por que elas continuam fazendo isso?

É porque a crítica é uma forma fácil de defesa do ego. Não criticamos porque discordamos de um comportamento ou atitude. Criticamos porque de alguma forma nos sentimos desvalorizados pelo comportamento ou atitude.

Pessoas críticas tendem a ser facilmente insultadas e precisam defender o seu ego. Elas foram vítimas frequentes de críticas durante a infância, em uma idade em que isso é especialmente doloroso.

Elas não conseguem distinguir a crítica da rejeição total, não importa o quanto tentemos fazer a distinção para elas, como no bem-intencionado: “Você é um bom menino, mas esse comportamento é ruim”.

Tal distinção requer uma operação do córtex pré-frontal superior, que ainda não está bem desenvolvido na maioria das crianças pequenas. Para uma criança com menos de sete anos, qualquer coisa além de críticas ocasionais, mesmo que moderadas, significa que elas são ruins e indignas.

A única coisa que as crianças pequenas podem fazer para sobreviver é se apegar emocionalmente às pessoas que vão cuidar delas. Sentir-se indigno de apego, como as crianças criticadas costumam sentir, é sinônimo de vida ou morte.

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Então elas tentam controlar a grande dor da crítica, transformando-a em autocrítica, porque a dor autoinfligida é melhor do que a rejeição imprevisível por parte dos cuidadores.

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No início da adolescência essas crianças começam a “se identificar com o agressor”, imitando o crítico mais poderoso. No final da adolescência, sua autocrítica se projeta na crítica aos outros.

Na idade adulta jovem, parece ter mudado inteiramente para a crítica aos outros. Porém, a maioria dessas pessoas permanece principalmente autocrítica. Por mais duros que sejam com os outros, a maioria é pelo menos igualmente duro consigo mesmo.

Você é crítico?

Você provavelmente será o último a saber se é uma pessoa crítica.

Se alguém disser que você é crítico, provavelmente você é. Mas há uma maneira melhor de saber: pense no que você diz ou pensa automaticamente se deixar cair alguma coisa ou cometer um erro.

Pessoas críticas normalmente pensam: “Oh seu idiota”, ou xingam ou suspiram de desgosto. Se você fizer isso consigo mesmo, provavelmente fará com os outros.

Crítica ou “Feedback?”

As pessoas críticas muitas vezes se iludem pensando que apenas dão aos outros um feedback útil. Aqui estão algumas maneiras de distinguir os dois:

  • A crítica se concentra no que está errado: por que você não presta atenção nas contas?
  • O feedback se concentra em como melhorar: vamos analisar as contas juntos;
  • A crítica implica o pior da personalidade do outro: você é teimoso e preguiçoso;
  • O feedback é sobre comportamento, não personalidade: podemos começar classificando as contas de acordo com a data de vencimento?
  • A crítica desvaloriza: acho que você não é inteligente o suficiente para fazer isso;
  • O feedback encoraja: eu sei que você tem muito trabalho, mas tenho certeza que podemos fazer isso juntos;
  • A crítica implica culpa: é sua culpa estarmos nessa bagunça financeira;
  • O feedback se concentra no futuro: podemos sair dessa bagunça se ambos desistirmos de algumas coisas. O que você acha?
  • A crítica tenta controlar: eu sei o que é melhor. Eu sou mais inteligente e melhor educado financeiramente;
  • O feedback respeita a autonomia: respeito o seu direito de fazer essa escolha, embora não concorde com isso;
  • A crítica é coercitiva: você vai fazer o que eu quero, senão eu… (vai te punir de alguma forma);
  • O feedback não é coercitivo: sei que podemos encontrar uma solução que funcione para nós dois.
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Se você estiver com raiva ou ressentido, no entanto, qualquer feedback que você oferecer será ouvido como crítica, não importa como você o diga. Isso porque as pessoas respondem ao tom emocional, não à intenção.

Para dar um feedback melhor:

  • Concentre-se em como melhorar;
  • Concentre-se no comportamento que você gostaria de ver, não na personalidade de seu parceiro;
  • Incentive a mudança, em vez de minar a confiança;
  • Ofereça ajuda sincera;
  • Respeite a autonomia dele;
  • Resista à tentação de punir ou retirar o afeto se ele ou ela não fizer o que você quer.

A crítica é para o seu relacionamento o que fumar é para a sua saúde. A crítica pode arruinar um bom relacionamento, caso esse impulso não seja controlado.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

2 comentários em “Como a crítica pode arruinar um bom relacionamento?”

  1. Ótima análise. Faz uma grande diferença no relacionamento se praticarmos o que é nos ensinados neste conteúdo aqui exibido. Parabéns

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