Quando os mecanismos de defesa interferem na terapia

Mulher de olhos claros dando um soco no ar

Categoria: Terapia online

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Os mecanismos de defesa interferem na terapia a qualquer momento, como quando nos sentimos desafiados, ou quando o Psicólogo fala uma verdade que o paciente não quer ouvir ou lidar na vida.

Mecanismos de defesa são reações inconscientes, que desencadeiam comportamentos para evitar sentimentos, situações e emoções desconfortáveis.

Podem ser desencadeados por algo que é dito, ou uma sugestão não verbal que parece enganosa. Mesmo os Psicólogos podem dizer algo em uma sessão que desejam esquecer.

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Quando isso ocorre é o momento perfeito para fazer uma pausa, respirar fundo e refletir verdadeiramente sobre como processar os sentimentos.

É importante observar que não é responsabilidade do paciente garantir que o Psicólogo não manifeste um mecanismo de defesa. Além disso, uma sessão de terapia assume muitas formas, porque o Psicólogo está constantemente tentando alinhar seus pensamentos com o do paciente, de modo a entender como melhor atender às suas necessidades.

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A intimidade que existe entre Psicólogo e paciente dentro de uma sessão de terapia pode parecer estranha e intimidadora. Geralmente, há duas pessoas no consultório tentando utilizar suas melhores habilidades linguísticas, ao mesmo tempo em que tentam evitar sentimentos de julgamento e vergonha.

Dentro dessa dinâmica de comunicação, a vulnerabilidade é o catalisador de um mecanismo de defesa. Em qualquer momento pode haver uma janela de oportunidade para que os mecanismos de defesa interfiram na terapia, principalmente quando alguém se sente inseguro ou desprotegido.

É essencial construir constantemente um relacionamento mais profundo com os pacientes, e promover um relacionamento terapêutico centrado em um paciente seguro e afirmativo.

A seguir estão os três principais mecanismos de defesa que interferem na terapia, mas que precisam ser frequentemente explorados e processados durante a sessão.

Negação

A negação pode ser útil em situações em que as coisas estão fora de controle, ou como uma resposta quando sentimos que a verdade que desejamos transmitir não será apoiada ou ouvida por outras pessoas.

No entanto, a negação pode fazer com que não prestemos atenção aos sinais de alerta de que algo precisa ser abordado, como o vício. Alguns vícios podem não se destacar na vida dos pacientes porque eles ainda são capazes de trabalhar, atender às suas necessidades diárias e interagir socialmente com outras pessoas.

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Se um paciente que vive na dependência acredita que tem a maioria de suas necessidades gerais atendidas todos os dias, então será difícil encarar que há um problema e aceitar que ele afeta sua vida.

Dissociação

A dissociação implica estar emocional e mentalmente desconectado dos eventos da vida, situações estressantes e traumas.

O grau de dissociação é diferente para todos. Isso depende se a pessoa tem mecanismos de enfrentamento saudáveis ​​para trazê-los de volta ao presente, de modo a ver sua realidade atual por uma perspectiva positiva.

No entanto, a dissociação também serve como proteção para não lembrar de memórias que causem comoção.

Intelectualização

Esse mecanismo de defesa envolve uma pessoa utilizando a razão, a lógica e o pensamento analítico para evitar emoções desconfortáveis ​​e que provocam ansiedade.

A intelectualização pode ser muito útil na análise de eventos e situações para racionalizar comportamentos. Por exemplo, se eu observar que alguém está irritado ou chateado porque está xingando, posso deduzir que está com raiva. Pode haver várias razões para seu aborrecimento, que eu posso ou não ter sido capaz de testemunhar.

No entanto, ao intelectualizar uma situação, minimiza-se a importância do sentimento ou razão subjacente à emoção.

Muitas vezes atribuímos comportamentos que consideramos aceitáveis ​​ou não. Com base em nossas experiências de infância, por exemplo, podemos ter preconceitos em relação ao que consideramos uma resposta aceitável à raiva.

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Alguns pacientes que são marginalizados ou oprimidos relatam sentir que não têm espaço para expressar seus sentimentos como outros mais privilegiados. Assim, eles podem sentir que suas emoções e sentimentos precisam ser minimizados, a fim de serem ouvidos.

Não importa quais sejam as dicas verbais e não verbais na terapia ou na vida, devemos a nós mesmos e aos outros criar um espaço onde todos possamos nos comunicar da melhor maneira possível. E claro, mecanismos de defesa acontecerão o tempo todo.

O primeiro passo para normalizá-los é admitir que eles existem, e ser sensível a sistemas hierárquicos de dinâmicas de poder (ex: gênero, classe e raça) que nos levam a sermos tendenciosos sobre as experiências vividas de uma pessoa.

Se soubermos como desejamos melhorar nossa comunicação, podemos ser mais responsáveis ​​em afirmar o tipo de apoio que gostaríamos de receber, de modo a nos sentirmos ouvidos e validados com aceitação e compaixão.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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