Sinais de que o paciente está dificultando o progresso na terapia

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Categoria: Terapia online

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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A terapia pode ser uma maneira super gratificante de peneirar a bagagem emocional que prejudica uma pessoa. Como isso envolve o contato com assuntos e sentimentos bastante obscuros, é bastante comum que ela se entregue à comportamentos que dificultam o progresso.

O fascinante a respeito disso é que a maioria dos pacientes não percebe quando ou por que está dificultando seu progresso. Somos rápidos em dar desculpas e lentos em reconhecer padrões de comportamento em nós mesmos.

Esses comportamentos funcionam como proteção contra o sentir ou pensar coisas dolorosas, embora, paradoxalmente, interfiram no crescimento emocional. Então, qual é a melhor maneira de ultrapassá-los?

A tarefa é tomar conhecimento desses padrões de comportamento e considerar os pensamentos, emoções e circunstâncias que os precipitaram.

Esses são os 13 sinais de alerta a serem observados durante a terapia e exatamente o que fazer em cada um deles:

1. O paciente não tenta lidar com os problemas até que esteja nas sessões

Embora a terapia seja um espaço para receber orientação sobre como lidar com problemas, bem como fazer mudanças importantes, ela tem o objetivo de capacitar as pessoas para fazerem essas coisas por conta própria.

Uma das razões pelas quais as pessoas podem se tornar excessivamente dependentes de suas sessões é que perderam a confiança em si mesmas, e acreditam que uma fonte externa terá todas as respostas. Este é um sentimento totalmente normal de se ter, especialmente quando se passa por um momento difícil em que tudo na vida parece instável.

A solução: quando problemas ou bloqueios acontecerem entre as sessões, o paciente deve refletir sobre o que discutiu na terapia, incluindo as técnicas de enfrentamento sugeridas. Analisar o que aprendeu ajudará a superar os velhos padrões nos quais está preso, bem como reconstruir a autoconfiança no processo.

2. O paciente evita revelar grandes eventos do passado

Mesmo que o Psicólogo oferecesse uma avaliação completa com toneladas de perguntas, a franqueza do paciente sobre informações confidenciais e dolorosas pode ser desafiador. Ou talvez ele possa pensar que os problemas sobre os quais está consultando um Psicólogo não têm relação com certas experiências que teve. É crucial não reter informações importantes.

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Os Psicólogos não precisam necessariamente saber todos os detalhes da história do paciente, mas é importante que conheçam as partes essenciais, como as que incomodam, causam vergonha, tristeza ou outras emoções dolorosas.

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Se o Psicólogo não souber os aspectos essenciais, ele pode usar intervenções ou exercícios que não são os mais adequados para o problema do paciente, pois não têm a história completa.

A solução: leva tempo para se sentir confortável com um Psicólogo, mas quando o paciente se sentir pronto, é importante que seja totalmente honesto sobre os problemas com os quais está lutando, e qualquer história de fundo que possa ajudar a esclarecer a situação.

Se o paciente se sentir desconfortável ao falar sobre certas coisas, compartilhar esse fato com o Psicólogo pode ser um ótimo ponto de partida. A partir daí, Psicólogo e paciente podem trabalhar juntos na divulgação de informações importantes, de uma maneira contida e segura.

3. O paciente não fala quando algo perturbador acontece na sessão

Se o paciente tem dificuldade de ser honesto nos relacionamentos, pode ter dificuldade em informar ao Psicólogo se algo não está funcionando ou se ele disse algo que o irritou. O paciente também pode não dar feedback ao Psicólogo porque não houve empatia o suficiente.

A solução: O paciente deve decidir se o desconforto em falar abertamente tem a ver com seus próprios padrões, ou se é porque não houve empatia o suficiente.

Se for o primeiro o caso, ele deve dizer o que pensando. Esta pode ser uma oportunidade incrível de crescimento e uma ótima maneira de praticar a comunicação das necessidades e preferências nos relacionamentos.

E se for o último caso, então deve considerar trocar por outro Psicólogo. O paciente merece falar com alguém com quem se sinta confortável.

4. O paciente está frequentemente atrasado ou cancelando sessões

Há momentos em que perder parte ou toda a sessão nada mais é do que uma confusão de agendamento, mas se acontecer com frequência, então reflete uma tentativa de evitar a terapia, o Psicólogo ou os sentimentos que estão surgindo.

A solução: O paciente deve trabalhar no sentido de perceber todos os impulsos de evitar a terapia ou seu Psicólogo, juntamente com os pensamentos e sentimentos que os precedem.

Às vezes, a evitação reflete uma necessidade de mudança. Talvez o paciente não confie no Psicólogo ou não se sinta seguro com ele. Nesse caso, deve considerar encontrar um outro profissional. Se o desejo de evitar for desencadeado pelo medo de enfrentar as emoções ou por sentimentos de exaustão após as sessões, então o paciente deve conversar com seu Psicólogo sobre como pode organizar as sessões de modo que fiquem menos pesadas.

Deixar o Psicólogo ciente de como as sessões são intensas dá a ele a chance de voltar a um ritmo mais confortável.

5. O paciente não pratica o que o Psicólogo lhe orientou a fazer fora das sessões

Deixar de aplicar as habilidades que se aprende na terapia à rotina diária geralmente é resultado de crenças disfuncionais.

A solução: O paciente não deve acreditar em suas próprias hipóteses sobre si ou o mundo sem testá-las. Ele pode fingir que é um cientista executando um monte de mini experimentos para determinar o que funciona e o que não funciona.

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Por meio de tentativa e erro, somos capazes de refinar nossas crenças sobre o mundo e sobre nós mesmos. Os dados que se compila a partir de experiências fora da sessão são tão, senão mais valiosos do que qualquer resultado.

6. O paciente está usando terapia apenas para desabafar

A terapia é um lugar saudável para dar vazão às frustrações dos problemas com os quais se está lutando, mas é apenas uma parte de um processo muito maior.

A solução: para evitar ficar preso no modo de conversa, o paciente deve lembrar-se constantemente do motivo pelo qual iniciou a terapia:

  • Quais eram seus os objetivos gerais?
  • Que padrões ele deseja desvendar?
  • Como ele quer se sentir diferente?

O paciente deve concentra-se em explorar os objetivos finais com seu Psicólogo, e fazer o possível para evitar apenas desabafar quando perceber que isso atrapalha seus objetivos.

7. O paciente omite detalhes que o fazem se sentir mal

O Psicólogo pode não perceber as omissões do pacientes todas as vezes, mas acabará percebendo que detalhes importantes estão sendo deixados de fora.

A solução: O paciente deve experimentar apresentar a pior versão de si mesmo em um problema relativamente sem importância, como aquela vez em que brigou com alguém por roubar sua vaga na fila. O paciente vai se surpreender com o quão validador é seu Psicólogo, ou como é útil obter algum feedback sobre seus momentos menos glamorosos.

A terapia custa tempo e dinheiro. Vale a pena descobrir como é eficaz compartilhar as coisas feias e continuar praticando até que paciente e Psicólogo encontrem o que se quer.

8. O paciente depende de substâncias para passar pelas sessões

Pessoas que dependem de substâncias, como a maconha, para ajudá-las nas sessões, é mais comum do que você imagina. Independentemente de saber se o vício é um problema, o uso consistente de substâncias pré-terapia geralmente funciona para embotar ou mascarar sentimentos difíceis como raiva ou vergonha e, às vezes, comportamentos como gritar ou discutir.

A solução: O paciente não deve usar substâncias nas horas anteriores à sessão. Se a necessidade de usar sempre aumentar antes das sessões, ele deve falar com o Psicólogo sobre isso. Paciente e psicólogo podem trabalhar juntos para encontrar outras maneiras de controlar emoções difíceis antes, durante e depois das sessões de terapia.

9. O paciente muda de assunto quando um tópico doloroso é levantado

As pessoas frequentemente fazem de tudo para evitar sentimentos dolorosos porque, bem, eles são dolorosos. Para algumas pessoas, elas foram repetidamente rejeitadas e invalidadas por outras pessoas em suas vidas, então elas podem temer que o Psicólogo faça a mesma coisa se elas se abrirem.

Outros, que estão acostumados a reprimir seus sentimentos, podem temer que, uma vez lá, as emoções sejam opressoras demais para lidar.

A solução: Está tudo bem se o paciente não estiver pronto para compartilhar os sentimentos mais dolorosos. O modo como o Psicólogo responde às preocupações do paciente ajuda a diminuir o medo do que pode acontecer se ele se abrir.

O trabalho do Psicólogo é desafiar e apontar os padrões que podem estar atrapalhando o crescimento do paciente. E quando o fazem, sua reação automática pode ser desviar, fazer piadas ou ficar com raiva. Ele pode sentir vergonha ou se decepcionar e, em vez de se permitir sentir essas emoções, as evita ou fica na defensiva.

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A solução: Se o paciente estiver sentindo uma forte reação a algo que o Psicólogo disse, então deve prestar atenção. Esse sentimento está tentando comunicar algo importante.

O paciente deve parar por um minuto antes de reagir e permitir-se processar o que está sentindo: observar os sentimentos e sensações físicas, os pensamentos que borbulham, e então decidir como proceder.

Pode não ser divertido e pode exigir muita prática, mas é provável que o paciente acabe aprendendo informações valiosas sobre seus próprios padrões, o que levará a uma maior autoconsciência e crescimento.

11. O paciente exagera para comunicar o quanto se sente mal

Quando o paciente está chateado, o exagero pode ser uma forma de comunicar o quão terrível ele se sente. Também pode funcionar para aumentar a probabilidade de obter a resposta que deseja.

Os Psicólogos veem muito isso em pacientes que experimentaram uma invalidação significativa, digamos, porque suas emoções são frequentemente rejeitadas ou ignoradas por outras pessoas.

A solução: O exagero é uma forma sutil de auto-invalidação. Além de dizer claramente ao Psicólogo o que aconteceu, o paciente deve praticar dizer, também aos outros, exatamente o que precisa deles no momento, de modo a se sentir ouvido ou compreendido. Isso pode levar algum tempo para descobrir, mas a terapia é o espaço perfeito para identificar e aprender como comunicar suas necessidades.

12. O paciente está contando com terapia para validação

A validação é uma parte importante da terapia e frequentemente envolve o Psicólogo destacando os pontos fortes do paciente e ajudando-o a reconhecer o progresso que fizeram, bem como o crescimento que experimentaram. O objetivo é ajudar o paciente a aprender como confiar em si mesmo e fortalecer sua validação interna.

Se o paciente acredita que não se sente bem quando coisas positivas acontecem porque o Psicólogo não estará para validá-las, isso pode ser um sinal de que está confiando demais na terapia para validação externa.

Talvez o paciente não sinta que está obtendo validação de outros relacionamentos em sua vida, então buscará principalmente no seu Psicólogo.

A solução: Se o paciente perceber que isso está acontecendo e estiver preocupado, então deve conversar com o Psicólogo, que vai ajudá-lo a explorar as razões subjacentes a esse padrão e trabalhar para estabelecer maneiras de se validar.

O paciente também pode trabalhar nesse padrão entre as sessões, anotando cada vez que fizer progresso ou alterações.

13. O paciente usa a terapia para preencher um vazio de relacionamento

O vínculo com o Psicólogo é de confiança e segurança, e não familiar. Também não é uma amizade ou relacionamento romântico, mas o Psicólogo é quem o paciente recorre quando está sozinho ou se isola emocionalmente dos outros.

Naturalmente, a mente do paciente tenta encaixar a conexão com o Psicólogo em uma categoria com a qual esteja mais familiarizado, como amigo, parceiro, colega de trabalho, etc. E isso pode levar a sentimentos de confusão ou querer mais do relacionamento.

A solução: O paciente deve ser honesto consigo mesmo. Ele está tendo tempo social suficiente fora da terapia ou está usando o Psicólogo como sua principal fonte de conexão emocional?

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

4 comentários em “Sinais de que o paciente está dificultando o progresso na terapia”

  1. Muito obrigada pelos seus textos, me tiraram várias dúvidas sobre relacionamento paciente-psicólogo.

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