Por que os Psicólogos evitam falar sobre si na terapia?

Busto em bronze do rosto de um homem com o dedo na boca, em sinal de silêncio, enquanto ao fundo, desfocado, está uma pilha de livros e revistas

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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O comum em qualquer relacionamento é: quando você revela alguma vulnerabilidade ou aspecto da sua vida, espera-se que a outra pessoa faça o mesmo. Talvez ela não faça isso na mesma conversa, mas com o tempo, ela também compartilhará informações pessoais e privadas. Ou, se não conhecerem, você provavelmente sabe muito sobre a pessoa a quem revela seu coração.

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Então, por que é que os Psicólogos ficam calados e não compartilham detalhes de suas vidas, mesmo coisas superficiais como idade ou estado civil?

Para começar, essa tradição de pouca ou nenhuma autorevelação remonta a Sigmund Freud e à psicanálise clássica. Freud propôs que quanto mais um Psicólogo se apresenta como uma “lousa em branco” durante uma sessão de terapia, mais fácil será para os pacientes transferirem seus sentimentos conflitantes para ele.

Um bom Psicólogo não vai revelar muito sobre si mesmo porque os seus pacientes estão pagando para que ele resolva seus problemas. Você examina os dentes do seu dentista? Acredita-se que não, pois o foco está em você, nas suas preocupações e problemas.

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A autorevelação também pode gerar um problema de segurança. A maioria das pessoas que procuram terapia são capazes de manter informações pessoais em sigilo, mas algumas não podem, e nem sempre os Psicólogos são capazes de perceber a diferença entre seus pacientes.

Psicólogos passam por anos de treinamento, supervisões e avaliações e, às vezes, mesmo assim, alguns pacientes inescrupulosos acabam vazando essas informações. Então os Psicólogos preferem prevenir do que remediar.

Todos os Psicólogos são diferentes. O quanto um Psicólogo poderá revelar sobre si mesmo depende muito das teorias que norteiam seu trabalho e sua relação com cada paciente.

É perfeitamente normal ter curiosidade sobre o seu Psicólogo, e ele agradece toda essa curiosidade e perguntas sobre sua vida particular. Porém, nem sempre irá responder. Provavelmente ele irá se concentrar em entender por que você está curioso em saber sobre ele.

As perguntas que os pacientes fazem revelam algo sobre eles, que pode indicar maturidade: se um paciente deseja saber a idade, o estado civil ou a afiliação política de um Psicólogo, então ele poderá explorar o que isso significa para o paciente.

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Por exemplo, eu exploraria quais fantasias um paciente tem a respeito da minha idade, quais sentimentos surgem:

  • Ele gostaria de ter realizado algo se tivessem a minha idade?
  • Há tristeza se ele sentir que o tempo passou?
  • Há inveja da juventude ou sabedoria de um Psicólogo?

Porém, alguma autorevelação deve ser possível, porque cria um relacionamento mais forte entre o Psicólogo e o paciente. Por exemplo, se um paciente lhe conta uma história sobre a perda de um ente querido, o Psicólogo pode contar que também sofreu perdas semelhantes no passado, e entende como é isso.

Alguns Psicólogo incentivam seus pacientes a lhe fazerem perguntas sobre sua vida, porque muitas vezes o paciente está tentando descobrir o quanto pode confiar nele. Por exemplo, ele costuma ser questionado se já perdeu um ente querido, se tem filhos ou se ele próprio faz ou fez terapia.

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Perguntas pessoais são uma forma disfarçada de saber se: “Você cresceu com o seu sofrimento de modo que eu também possa crescer com o meu sofrimento?”

Nenhuma pergunta deve ser descartada. Mas há muitas perguntas que o Psicólogo pode não responder, ou pelo menos não vai responder como o paciente gostaria.

Quando você está trabalhando tão próximo de alguém, é compreensível que esteja curioso sobre essa pessoa. E você pode se sentir frustrado porque seu Psicólogo quase não revela nada sobre si. Mas o foco da terapia está em você.

E você pode até se perguntar: por que estou tão curioso sobre a vida do meu Psicólogo? Trazer esse assunto para trabalhar na terapia é uma excelente oportunidade de se entender melhor. Explorar esses tipos de pensamentos pode gerar insights profundos, que é a essência da terapia.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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