Alcançando o entendimento: como parar de brigar com seu cônjuge

Casal brigando, onde o homem e a mulher estão apontando o dedo um para o outro, com os olhos cerrados, expressando raiva

Categoria: Casamento

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Por que os casais brigam? O motivo mais frequente é a escolha das palavras erradas para expressar algo. Os corações podem estar no lugar certo, mas dizer a coisa errada pode causar danos permanentes.

As brigas podem acontecer por várias questões, que transitam entre as pequenas e as grandes coisas. Cada cônjuge provoca o outro, mesmo sem querer, até que ambos espiralem para um lugar que ninguém desejaria estar.

Por que as discussões ficam cada vez piores?

Nas discussões os casais não estão realmente lidando com as preocupações um do outro, mas interpretando mal as reações e respondendo à elas erroneamente e, consequentemente, gerando a uma comunicação mutilada.

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Como pessoas que falam idiomas diferentes, as palavras se repetem e as vozes ficam mais altas, como se a repetição automática e o volume superassem a incompreensão.

Como os insultos, não intencionais, que não são respondidos rapidamente tornam-se ressentimentos duradouras, velhas injúrias ao senso de identidade de alguém podem ser reacendidas. Vozes cada vez mais altas que refletem esses ressentimentos prejudicam o modo como os cônjuges se sentem um pelo outro.

Isso pode alterar ainda mais a percepção de cada um e causar consequências desastrosas. Mesmo entre os casais mais amorosos, o ódio pode pode ser o principal motivador para um divórcio.

Você já se encontrou em alguma dessas situações a seguir?

  • Achei que estávamos tendo uma discussão civilizada. Por que você ficou tão bravo?
  • Você me questionou, atacando meus motivos, mas eu estava explicando por que fiz o que fiz.
  • Eu não estava fazendo nada errado. Por que toda a raiva?
  • Se pesarmos os fatos em um debate saudável, podemos determinar o que e quem estava certo ou errado. Isso não é um insulto pessoal. Ambos queremos a solução certa, não é? Por que você fica com tanta raiva?
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Isso parece com uma discussão que você teve, e ainda não entende por que se transformou em uma briga? Já várias vezes? Você está frustrado sabendo vai acontecer novamente? Vocês dois farão a mesma coisa, mas ainda esperando um resultado diferente, mesmo sabendo que não acontecerá?

Defesa contra compreensão

Você pode até discordar, mas as reações anteriormente citadas são defensivas e tornam as coisas piores. Por defensiva, quero dizer defender suas ações e idéias. Simplificando, você está apenas refutando o que foi dito, e não comunicando o que ouviu e entendeu.

Você está defendendo suas ações, protestando que não fez nada de errado e justificando suas ações. Sem querer, está dizendo ao cônjuge: você sendo irracional e excessivamente emocional e, portanto, não estou te ouvindo.

Você pode até discordar, dizendo que está respondendo ao que foi dito. Mas não, você não está. Você nem mesmo mostra que sabe o que foi dito a você. Talvez você tenha ouvido a maioria das palavras, mas não entendeu o significado.

Como você processa o que está ouvindo?

O significado é tudo. Se você se perguntar:

  • “Qual foi o significado do que foi dito?”, e depois questionar à pessoa com quem está conversando se seu entendimento foi correto, então a conversa pode tomar uma direção mais promissora;
  • “Qual é o sentimento por trás dessas palavras?”, e questionar novamente se a sua percepção do significado e dos sentimentos está correta, então estará quase a meio caminho de uma conversa muito melhor.

Segure suas reações e sentimentos sobre o que foi dito à você.

Primeiro, para ter uma conversa saudável, produtiva e não brigar, deve-se priorizar o entendimento, obtendo a confirmação de que sua interpretação está correta. Se você puder fazer tudo até este ponto, a conversa tem potencial para se tornar muito produtiva.

Entretanto, se você simplesmente seguir seus sentimentos e reagir, é provável que sua resposta seja apenas reações defensivas que refutam ou explicam as ações, mas não validam a experiência de seu cônjuge.

Em sua forma mais branda, a reação emocional trata-se de uma tentativa impulsiva de justificar ou contextualizar as razões das ações que estão sendo questionadas ou atacadas. Em sua pior forma, a reação emocional é tentar convencer alguém a não acreditar em seus próprios olhos.

Ser explicitamente entendido é afirmativo e positivo.

Validar a experiência de outra pessoa não é o mesmo que concordar com ela. É apenas afirmar que você entende a posição deles. Depois de confirmar que alcançou o entendimento correto, você pode concordar ou não.

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Às vezes, quando ouvimos em voz alta o que acabamos de dizer, reconhecemos que não nos expressamos de maneira adequada e nossa posição se suaviza. Ouvir como fomos interpretados pode facilitar a autoconsciência e o insight.

Bons resultados podem aparecer a partir do entendimento mútuo.

Quais são as respostas mais saudáveis ou prejudiciais no conflito conjugal?

Existem respostas saudáveis ​​e prejudiciais ao padrão que mencionei como defensivo.

Reprimir seus sentimentos e permitir que eles se transformem em ressentimentos é prejudicial. Assim como tornar-se agressivo com palavras maldosas ou intimidação, tentar falar mais alto até gritar por cima da voz do outro.

Ressentimentos não resolvidos e agressividade tendem a se acumular e se tornar corrosivos. Pior ainda, qualquer uma das partes pode desistir do relacionamento e, inconscientemente ou intencionalmente, destruí-lo.

Desenvolver práticas e padrões novos e saudáveis ​​é a parte difícil. É muito difícil mudar comportamentos bem arraigados. A crítica emitida e orientada pela emoção pode parecer uma agressão ao senso mais profundo de nós mesmos.

Qual é a reação saudável em um desentendimento?

Para tornar a mudança mais fácil, veja como podemos definir o que é saudável, de modo que você reconheça-o quando alcançar:

  • Saudável é observar suas emoções, de modo a compreender totalmente e expressar com precisão o que acredita estar ouvindo;
  • Saudável é ser capaz de ouvir o que está sendo expressado pela outra pessoa. Eles estão com raiva, chateados ou magoados. Eles levantam a voz para serem ouvidos. Ao escolher ouvir em vez de responder imediatamente, você está sendo mais saudável;
  • Saudável é encontrar uma maneira de mostrar ao seu cônjuge que ele está sendo ouvido;
  • Saudável não é presumir automaticamente que sua compreensão está correta, mas, em vez disso, usar palavras ponderadas para validar sua própria compreensão;

Essas reações saudáveis ​​comunicam que você está preocupado em compreender a outra pessoa. Mesmo que o seu entendimento esteja errado, você está mostrando que se preocupa com eles ao procurar entender sua perspectiva.

Priorize o entendimento e expresse-o com sensibilidade

Muitas vezes as pessoas presumem que entendem corretamente, quando não o fazem. Isso as leva a se explicarem reflexivamente e tentar justificar o por que o outro está errado.

Não importa como você caracterize essa reação, ela é entendida uma crítica. Pense nisso:

  • No calor do momento, você realmente espera que mostrar ao cônjuge como ele errou será bem recebido?
  • Com que frequência a crítica se torna construtiva quando emoções cruas, mágoas e raiva estão conduzindo a conversa e o relacionamento?
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Mesmo que você entenda:

  • O cônjuge sabe que você entende?
  • Eles se sentem compreendidos?
  • Como você sabe?

Mas lembre-se que isso não é sobre você nesse momento. Será mais tarde. Claro que tem que ser sobre você também, em algum momento, ou seu relacionamento estará realmente em apuros.

Relacionamentos unilaterais são infelizes para um ou, mais provavelmente, para ambos. Devemos dar um passo de cada vez.

O que fazer no momento da discussão?

Primeiro, ouça e depois confirme que sua compreensão é o que pretendia significar e sentir, parafraseando o que você acha que ouviu. Você consegue se controlar para não se deixar levar exageradamente pelas suas emoções neste momento?

Se não puder, você tem um problema que precisa ser resolvido, talvez separadamente. Por ora, vamos supor que você tenha autocontrole suficiente e possa ouvir com precisão e se expressar de maneira coerente o suficiente para ser compreendido.

Se a pessoa com quem você está falando não consegue entender sua solicitação de verificar o que você pensa que foi dito, então essa pessoa tem um problema que também deve ser abordado separadamente.

Trabalhar individualmente com um Psicólogo é uma das melhores maneiras de cultivar as habilidades e uma vida interna saudável de que você precisa na vida e nos relacionamentos.

Comece a procurar um Psicólogo em sua área, use filtros para restringir seus resultados e verifique alguns perfis, até encontrar o mais adequado para você.

Todo relacionamento mutuamente satisfatório precisa ter ambas as partes capazes de ouvir e falar, mesmo que não possam falar um com o outro sobre questões controversas. Essas habilidades podem ser aprimoradas, mas devem existir primeiro lugar. Se elas não existirem, se a capacidade de ouvir, compreender e se expressar não estiver presente, a terapia individual pode ser a resposta.

Essas habilidades também criam relacionamentos nos quais os problemas podem ser resolvidos, com soluções mutuamente aceitáveis, onde as divergências do casal não serão mais resolvidas de forma destrutiva.

Ouvir atentamente, compreender com compaixão e deixar de lado seus sentimentos para confirmar com precisão as experiências do outro são habilidades que você pode aprimorar e refinar.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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