Por que é tão importante aprender com o erro?

Xícara de café virada em cima de papéis

Categoria: Perfeccionismo

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Já ouviu falar que o erro oferece uma oportunidade de aprendizado? É intuitivamente atraente acreditar que as pessoas vão aprender com o erro, como um trampolim para o sucesso.

Entender por que erramos nos ajuda a evitar os mesmos erros no futuro, aumentando assim as chances de sucesso. No entanto, quando se trata de psicologia humana, as coisas não são o que parecem.

O comportamento humano desafia a intuição simples. E esse é o caso de aprender com o erro.

A influência da emoção no aprender com o erro

Estamos mais preocupados em nos sentir bem conosco mesmos. O fracasso é incompatível com esse propósito e é, portanto, descartado ou ignorado.

Contemplar o erro é difícil porque é uma experiência ameaçadora. De fato, quando ele ameaça nosso senso de autoestima, reagimos de maneiras que prejudicam não apenas o aprendizado, mas também nossa saúde mental e física.

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Em um esforço para preservar nosso senso de identidade, mantemos o objetivo de nos sentir bem consigo mesmos. O desejo de sermos vistos como uma pessoa boa e competente é uma intensa força motivacional.

O esforço cognitivo para aprender com o erro

Sempre buscamos informações que estejam de acordo com nossas crenças e expectativas e relutamos em ouvir o contrário.

Isso é conhecido como viés de confirmação, uma característica central de nossa arquitetura cognitiva, e uma razão pela qual votamos em um candidato ou outro. O erro viola essa crença acalentada e, portanto, precisa ser ignorado ou descartado.

Ninguém almeja o erro, e as pessoas quase nunca esperam falhar. Isso torna cognitivamente mais difícil aprender com o erro, porque tendemos a ignorar informações contraditórias ou inesperadas.

Além disso, muitas vezes entendemos o erro como significando que nos falta capacidade ou controle. Tal conclusão leva a motivação e comprometimento reduzidos e, com isso, chances reduzidas de sucesso futuro.

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Além disso, aprender com o erro costuma ser uma tarefa cognitiva mais exigente do que aprender com o sucesso, sobrecarregando nosso sistema cognitivo. Para que o erro se transforme em aprendizado, precisamos descobrir o que uma resposta incorreta ensina sobre a resposta correta.

Aprender por eliminação requer mais esforço mental. Nós somos avarentos cognitivamente e damos mais importância ao fracasso do que ao sucesso.

O alto preço por não aprender com os erros

Nossa relutância em aprender com o erro cobra um preço alto em termos de perda de informações e oportunidades.

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O erro viola as expectativas e, como tal, tem o potencial de facilitar novos insights. Quando os esquemas são violados as pessoas ficam surpresas e, experiências surpreendentes levam à melhor elaboração cognitiva.

As informações inesperadas sobre erro, por serem mais elaboradas e detalhadas, são, portanto, mais úteis para prever o sucesso. As pessoas precisam prestar atenção às comunicações negativas, isto é, as informações sobre o erro em comparação às informações sobre o sucesso.

Como aprender com o erro, dadas as barreiras emocionais e cognitivas?

As barreiras emocionais e cognitivas podem ser superadas se removermos o ego do fracasso.

Isso é feito procurando-se aprender com os erros dos outros, nos quais não estamos emocionalmente envolvidos, ou praticando a técnica de diálogo interno.

Alternativamente trabalhamos para fortalecer nosso ego, de modo que suportemos o impacto emocional de aprender com o erro. Uma maneira de fazer isso é aprimorando nossa competência e experiência.

Os especialistas são melhores em aprender com o erro porque estão menos ameaçados por ele. Concentrar-se em nossa competência também é uma maneira útil de fortalecer nossa coragem.

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Para superar nossas barreiras cognitivas, há várias estratégias. Uma delas é reduzir a carga cognitiva. É mais fácil considerar o erro se alguém fizer parte do trabalho cognitivo pesado para nós, destacando o valor das informações relacionadas ao erro ou fornecendo informações corretivas.

Reenquadrar o problema também ajuda a eliminar nossa aversão a aprender com o erro. Se o objetivo da experiência é o aprendizado, e não o sucesso, o erro é uma oportunidade de aprendizado e, portanto, alinhado com o objetivo.

Uma experiência fracassada é um sucesso quando o objetivo é o aprendizado.

Outra estratégia envolve eliminar tarefas simultâneas que sobrecarregam nosso foco de atenção. É mais fácil prestar atenção quando não temos cinco outras coisas para fazer ao mesmo tempo. Dedicar mais tempo e prática à tarefa de aprender com o erro também é útil para superar barreiras.

Em suma, aprender com o erro é importante, mas não acontece sozinho. Pelo contrário, é uma habilidade que deve ser aprendida e praticada, o que exige esforço. No entanto, treinar-nos para superar as barreiras emocionais e cognitivas que nos impedem de refletir honestamente sobre nossos erros certamente aumentará as chances de sucesso.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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