Atiquifobia: como superar definitivamente o medo do fracasso?

Um homem colocando e pressionando o próprio rosto com a palma de ambas as mãos

Categoria: Perfeccionismo

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Importante: este artigo é meramente informativo e insuficiente para um diagnóstico definitivo. Sendo assim, é recomendado agendar uma consulta sobre seu caso em particular.

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Ainda que muitos de nós aceitemos que o fracasso é um componente necessário para todo aprendizado e crescimento, na prática, lutamos muito contra ele. Ou seja, a atiquifobia continua sendo uma experiência frequentemente associada à vergonha e ao embaraço.

Como, então, podemos superá-la, de modo que possamos nos beneficiar dos seus ensinamentos?

O que é atiquifobia?

Existem várias razões pelas quais temos atiquifobia. A mais comum é que nossa autoestima está ligada à realização e ao sucesso.

Quando falhamos em algo, seja um projeto no trabalho, uma entrevista de emprego, um exame, uma competição, ou um relacionamento que chega ao fim, nossa autoimagem sofre. Podemos nos sentir inúteis e nos punirmos severamente pelas falhas.

Quando ela é pública, tememos o julgamento de outras pessoas, bem como suas repercussões. Podemos temer que ele afete ou acabe com nossa carreira, ou que prejudique permanentemente nossa reputação e status.

Embora seja compreensível que tenhamos medo do fracasso, a atiquifobia também nos impede de, por exemplo, buscar novas experiências, aventurar-nos no desconhecido ou correr riscos. Assim permanecemos em situações que não nos deixam felizes, e que não conduzem ao crescimento a longo prazo.

A atiquifobia também causa procrastinação, evitação e estagnação, na forma de crenças pessimistas sobre nossa eficácia.

O medo do fracasso é uma fobia?

O medo extremo do fracasso é chamado de atiquifobia, e afeta gravemente a capacidade dos pacientes de funcionar bem na vida diária. Embora a atiquifobia não seja um diagnóstico reconhecido, ela é considerada uma subforma de Transtorno de ansiedade, se manifestando como extremo comportamento evitativo e procrastinação.

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Como ela é completamente paralisante, e os pacientes afetados são incapazes de funcionar em seus empregos ou em casa. Também causa ataques de pânico e a antecipação ruminativa excessiva de situações que desencadeiam o medo.

No entanto, mesmo em sua forma menos extrema, o medo do fracasso tem sérios efeitos adversos no bem-estar.

15 sintomas comuns da atiquifobia

Os sintomas comuns da atiquifobia incluem:

Comportamental

  • Procrastinação;
  • Evitação.

Físicos

  • Frequência cardíaca aumentada;
  • Respiração rápida e superficial;
  • Sudorese;
  • Tensão muscular;
  • Tremores;
  • Paralisia.

Emocionais

  • Crenças negativas sobre a própria eficácia;
  • Pessimismo;
  • Desamparo;
  • Desesperança;
  • Baixa autoestima;
  • Conversa interna negativa.

Teorias psicológicas sobre a atiquifobia

Nem sempre estamos totalmente conscientes do nosso medo do fracasso, mesmo quando experimentamos seus sintomas mais comuns. Mas, podemos nos tornar mais conscientes do que está por trás dele: crenças subjacentes, orientações e experiências passadas que nos tornaram mais avessos ao fracasso.

O que causa a atiquifobia?

Sem surpresa, o medo do fracasso está fortemente correlacionado com o perfeccionismo e a autocrenças específicas, especialmente ao fato de que nossa autoestima está ligada à realização e ao sucesso. Ele também é moldado por experiências, educação e valores sociais mais amplos.

Há cinco crenças subjacentes sobre as consequências do fracasso, todas associadas à avaliação de ameaças e ao medo. Elas incluem:

  • Medo de sentir vergonha e embaraço;
  • Medo de desvalorizar a autoestima;
  • Medo de ter um futuro incerto;
  • Medo de outras pessoas importantes perderem o interesse;
  • Medo de perturbar outras pessoas importantes.

Atiquifobia, perfeccionismo e procrastinação

O medo de sentir vergonha e embaraço são centrais na relação entre o perfeccionismo e a atiquifobia. Contudo, é importante sermos mais precisos quando falamos de perfeccionismo:

  • Esforços perfeccionistas: são o nosso desejo de excelência e cuidado com o alto desempenho, e geralmente são positivos;
  • Preocupações perfeccionistas: são nossas avaliações sobre o próprio desempenho. Quando excessivas, geram um impacto negativo em nossa autoestima.

O perfeccionismo socialmente prescrito é particularmente tóxico para o desempenho e o bem-estar. As expectativas e críticas dos pais desempenham um papel significativo no medo do fracasso.

A procrastinação também tem um impacto gravemente negativo no desempenho. Ela é tanto uma consequência quanto um sintoma do medo do fracasso.

Atiquifobia, motivação e sucesso

Os esforços perfeccionistas são altamente motivadores e levam a um maior sucesso, enquanto as avaliações perfeccionistas levam ao medo do fracasso e à falta de ação.

A atiquifobia, especialmente se o associarmos fortemente à vergonha, constrangimento, autoimagem negativa, julgamento e incerteza sobre o futuro, nos impede de agir e correr riscos. Pode, portanto, sufocar nossa motivação e impactar severamente as chances de sucesso na vida.

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Atiquifobia e ansiedade

Como mencionado anteriormente, o medo excessivo e paralisante do fracasso é conhecido como atiquifobia, e é considerado uma subcategoria do transtorno de ansiedade, embora não seja reconhecido como um diagnóstico oficial.

As ansiedades associadas à atiquifobia geralmente giram em torno do medo da:

  • Punição;
  • Julgamento;
  • Impacto adverso em nossas carreiras, status e reputação;
  • Medo de perder ou desapontar pessoas importantes.

Como superar a atiquifobia?

Primeiro observe sua mentalidade, suas atitudes em relação ao fracasso. Lembrar-se de que não há crescimento sem fracasso, sem aprendizado, sem desenvolvimento e sem novas experiências ajuda a ver sua aversão sob uma nova perspectiva. Cultive a mentalidade de crescimento: ver o fracasso a serviço do bom desenvolvimento geral.

Em segundo lugar, desenvolva sua tolerância à falhas em um espaço seguro. Aprenda uma nova habilidade ou hobby, como um esporte, cozinhar, dançar, desenhar, tocar um instrumento, e seja gentil consigo mesmo no processo de aprendizado. Conscientemente, permita-se falhar e tentar novamente, até chegar a algum lugar.

Em terceiro lugar, lembre-se das pessoas corajosas e bem-sucedidas que falharam cem, ou talvez até mil vezes, antes de chegarem a algum lugar.

Quarto, observe como uma criança aprende a andar. Ela não estuda um manual de “como andar ereto”. Em vez disso, aprende fazendo e, principalmente, falhando. Ela se levanta, tropeça e cai, se levanta de novo, até aprender a ficar de pé, depois a andar e finalmente correr.

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Olhe para as suas falhas como professores. Em vez de se autorrecriminar e sentir pena de si mesmo quando falhar, pergunte-se: “o que posso aprender com essa experiência? o que posso fazer melhor da próxima vez? Qual é a lição?”

Superando a atiquifobia no trabalho

O medo do fracasso no trabalho não é uma questão trivial. Ele sufoca a experimentação, a produtividade e a criatividade. Isso afeta a capacidade de encontrar novos caminhos e se aventurar no desconhecido, bem como na busca de novas soluções para os desafios.

Para aprender verdadeiramente com o fracasso no trabalho, será necessária uma mudança de cultura. As culturas organizacionais precisam apoiar a experimentação, e estarem comprometidas com o aprendizado e crescimento contínuos. Isso inclui olhar para o fracasso com curiosidade, em vez de puni-lo.

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Atividades práticas para superar a atiquifobia

A boa notícia é que a atiquifobia pode ser superada. É possível construir mais tolerância as falhas em espaços seguros, seja individualmente ou em grupo.

Tente algo novo

Aprenda uma nova habilidade em grupo e divirta-se com o processo. Pode ser por meio de dança, aulas de culinária ou esculturas em madeira. Isso o ajudará a abandonar o perfeccionismo inútil e a treinar sua tolerância à falhas. Dê a si mesmo permissão para falhar com algo divertido.

Sessões de terapia

Consulte um Psicólogo e aprenda a falar abertamente não somente sobre o que deu errado, mas também sobre o que deu certo e o que você pode aprender com essas experiências. Essas sessões ajudarão a mudar sua percepção sobre o fracasso, e permitirão que transformar sua mentalidade para o aprendizado.

Registre as lições aprendidas

Faça um diário sobre seus fracassos particulares. Mantenha um pequeno diário no qual você registra o que seus fracassos lhe ensinaram e se pergunte: como você pode falhar melhor da próxima vez?

Palavras finais

Tanto como indivíduos quanto como cultura, temos muito a aprender com o fracasso. E isso é importante, pois sem ele não haveria progresso, aprendizado ou crescimento.

O fracasso também explora uma das antigas virtudes: a coragem. Se não ousarmos, não podemos vencer. Tentar algo novo e aventurar-se fora da nossa zona de conforto sempre acarreta o risco de fracasso. Mas, se vivermos para evitá-lo a todo custo, nossas vidas serão empobrecidas e diminuídas.

Embora possamos evitar a dor de fracassar publicamente, infligimos outro tipo de dor a nós mesmos: a de definhar e estagnar. Reduzimos nossa capacidade de desenvolvimento. O medo do fracasso é o assassino número um de todos os grandes planos, ideias empolgantes e visões positivas para o futuro.

Se você tem planos para construir um legado, tornar-se um campeão, iniciar um negócio ou qualquer outra tarefa grande ou pequena, mas é impedido por seus medos, nós o encorajamos a buscar ajuda de um Psicólogo.

Sobre o autor: Emilson Lúcio da Silva

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Autor: Psicólogo Emilson Lúcio da Silva

Emilson Lúcio da Silva é Psicólogo desde 2012. Ele possui o título de especialista pelo Conselho Federal de Psicologia e é reconhecido como uma autoridade na área de saúde mental.

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